luxuosa casa

1004 Palavras
Capitulo 2 Zaya Acordo cedo, antes mesmo do despertador tocar. Não posso me atrasar para o meu novo emprego. Levanto da cama e, antes mesmo de ir ao banheiro, passo no quarto da Lara para ver se ela já acordou. E é claro que não acordou, essa dorminhoca. — Anda, Lara, acorda! — Vamos nos atrasar! Lara — Que horas são? Ela disse ainda de olhos fechados. — A hora de você levantar. Lara — Que droga! Ela disse, levantando-se com raiva. — Para de drama. Lara — Ahh, nós precisamos mesmo desse emprego? — O que você acha? Lara — Quatro horas da manhã, nem as galinhas acordaram ainda. Ela disse, indo para o banheiro. Deixei ela resmungando e fui acordar o Artur. Tentei acordá-lo, mas ele nem se mexeu. Fui para o meu banheiro, tomei um banho bem rápido, vesti minha roupa, conferi se não tinha nada ligado na tomada, peguei o Artur no colo e o deixei na casa da nossa avó, que mora no andar de baixo. Lara — Meu Deus! O sol ainda está nascendo. — Para de coisa, Lara. Daqui a uns dias você se acostuma. Ficamos alguns minutos no ponto de ônibus, até que ele chegou. Graças a Deus estava vazio, isso é sinal de que vamos poder ir sentadas até lá. Lara — Não sei pra que essa felicidade toda. Ela disse, encostando a cabeça na janela do ônibus. Eu e Lara somos irmãs de criação e temos apenas um ano de diferença de idade. Ela tem 18 e eu, 19. Meu falecido pai era padrasto dela, e a mãe dela, minha madrasta. Eles faleceram há cinco anos em um acidente de carro. Desde então, a vida não tem sido fácil. Não conseguimos ingressar na faculdade. Eu me dediquei apenas a trabalhar; enquanto eu era babá, Lara era diarista. E hoje conseguimos um emprego de empregada doméstica em uma casa muito chique. Vamos ganhar bem e, quem sabe, conseguir realizar nossos sonhos. Quero muito dar uma condição de vida melhor para meu irmãozinho e minha avó. Assim que chegamos ao endereço indicado, ficamos desconfiadas. Só tinha mato, não vimos casa nenhuma. Lara — Essa não, chegamos no lugar errado. — Isso não pode ser. Lara — Tá indo pra onde? — Vamos ver um pouco mais à frente. Lara — Tá maluca? Entrar nessas ruas desertas e cheias de mato? — Vamos só até ali, no final da rua. Lara — Vá você, eu vou ficar aqui te olhando. Deixei ela falando sozinha e rapidamente cheguei ao fim da rua. Consegui ver que, um pouco mais à frente, havia uma casa. Fiz sinal para Lara vir, e ela veio correndo. Ao chegar perto do muro, o porteiro pediu nossa identificação e depois nos liberou. Assim que passamos pelo portão, ficamos impressionadas. A casa ficava bem distante do portão, atrás de algumas árvores. Lara — Tá surda? Vem! Ela disse me cutucando. O jardineiro nos chamou para ir no carrinho tipo “tuk-tuk”. Jardineiro — Bom, meninas, aqui é o lago, o criadouro de peixes do seu Fernando. Essa parte desse lado é a estufa da senhora Elena, e ali está a academia. Lara — E aquele galpão? Jardineiro — Ali é o salão de festas. — Nossa! — falamos juntas. No subsolo da casa ficava a garagem. Tinha muitos carros de luxo. Lara — Desculpa a pergunta, mas quantas pessoas moram aqui? Jardineiro — A família Álvaro tem quatro pessoas. Geralmente, a propriedade conta com uma equipe de 30 funcionários. Lara — Demais! Jardineiro — Agora venham. Esse elevador dos funcionários está interditado, então estamos usando este outro mesmo. Entramos no elevador. Era a primeira vez que andávamos em um. Conseguimos conter a empolgação até entrar na luxuosa casa. Lara — Meu Deus! — Fala baixo, está louca? Jardineiro — Bom, essa é a Benedithi, a governanta. Ele disse, referindo-se à senhorinha que vinha se aproximando. Benedithi — Bom dia! — Bom dia! Benedithi — Lara e Zaya, né? É isso? — Sim. Benedithi — Me acompanhem, por favor. Seguimos ela. A todo momento eu cutucava a Lara para que ela parasse de ficar reparando demais nas coisas. Chegamos ao escritório da dona Elena Álvaro. Eu estava tremendo, parecia uma vara verde. Minhas mãos estavam suando muito. Ficamos aguardando por alguns minutos, até que dona Elena chegou. Luxuosa, com um perfume de tirar o fôlego, cabelos presos em um coque super elegante. Difícil de acreditar que ela é mãe de dois rapazes. Acho que ela percebeu que estávamos nervosas, porque toda hora nos oferecia água ou chá. Gostei dela. Achei que, no final, iria nos dispensar, mas não. Por incrível que pareça, fomos contratadas. Ela acertou nosso pagamento: três vezes mais do que a gente ganhava antes. Agora estamos indo com a Benedithi nos trocar. Lara — Que uniforme lindo! — Perfeito, eu amei. Lara — Que desânimo é esse? — Não sei se essa mulher vai querer mesmo a gente aqui. Lara — Para de ser b***a. Você não viu que ela gostou da gente? — Será? Benedithi — Meninas? — Estamos indo! Benedithi nos levou para conhecer a casa. Só o primeiro andar já foi mais do que cansativo. Agora estamos subindo as escadas para o segundo andar, onde ficam os quartos. Benedithi — Bom, aqui fica o quarto do casal. Os lençóis e as colchas precisam ser trocados a cada dois dias. Aspirem os tapetes. No closet, não entrem em hipótese nenhuma. Lara — Sim, senhora. Benedithi — Venham. Andamos mais um pouco até chegar ao fim do corredor. Benedithi — Aqui é o quarto do Allan, e esse outro é o do Oliver. É um de frente para o outro. Benedithi — Entre todos os cômodos, este é o que dá mais trabalho. Como vocês podem ver, o Allan gosta das coisas bem organizadas, e ele tem muitos itens de coleção: carros, livros, bonecos, entre outras bugigangas. Saindo do enorme quarto do tal Allan, fomos para o quarto do Oliver.
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