Doença Terrível

940 Palavras
Capítulo três ZAYA Ao entrar no quarto do Oliver, ficamos abismadas. Isso é totalmente diferente de tudo que vimos no restante da casa. Aqui é um verdadeiro chiqueiro: muita bagunça, roupas e objetos espalhados. Era tanta coisa espalhada que nem consegui prestar atenção no que a dona Benedithi estava falando. Lara — Então quer dizer que não podemos arrumar esse quarto? Oliver — Façam isso e serão dispensadas na mesma hora. Ele disse, entrando no quarto novamente. Ele é muito bonito, alto e musculoso. Lara — Sim, senhor. Benedithi — Meu filho, você já deveria ter ido. Oliver — Estou indo agora. Ele disse, me olhando de cima a baixo. Benedithi — Pois vá logo. Oliver — Estou indo. Ele disse, pegando o carregador em cima do criado-mudo e saindo logo em seguida. Benedithi — Então é isso... o que vocês devem fazer aqui é pegar as roupas sujas e colocar para lavar, recolher os lixos dos cestos e só. — Certo. Benedithi — Vamos para o terceiro andar. Seguimos para o terceiro andar, onde ficam a sala de jogos e o cinema. Lara — Meu Deus! Um cinema de verdade. Benedithi — Sim. Esse cinema é mais de enfeite, mas é sempre bom manter limpo para não atrair insetos. — Verdade. Elena Álvaro — É a primeira vez que vocês veem um cinema? Ela disse, se aproximando com um sorriso no rosto. Lara — Sim. Elena Álvaro — Percebi. Benedithi — Precisa de alguma coisa? Elena — Sim, quero que me acompanhem na consulta. Benedithi — Essa consulta não é para mim, é? Elena — Não, imagina. Benedithi — Eu vou me trocar e já vamos. Descemos para a dispensa para pegar os materiais de limpeza. Vamos nos separar e arrumar os quartos, que a dona Benedithi disse que é a nossa prioridade. Lara — Você fica com o chiqueiro e eu com o quarto da frente. Ela disse e saiu na minha frente. — b***a, você não ouviu a dona Benedithi? Ela disse que não precisa arrumar o quarto dele, apenas tirar o lixo e trocar as roupas da cama. Lara - vamos trocar? -De jeito nenhum Eu disse, entrando no chiqueiro. Oliver Fui o caminho todo pensando na desculpa que iria inventar quando meu pai me perguntasse o porquê do atraso. Eu sei que ele nem vai conseguir falar comigo direito por causa do Allan, que não vai deixar. Em poucos minutos cheguei ao escritório da empresa, empresa a qual meu pai usa para lavar dinheiro, já que os negócios dele são vender drogas e armas. Entro no elevador, indo direto para a sala do meu pai. — Bom dia! Disse entrando. Na sala estavam meu pai, Allan e a secretária. Fernando — Que bom que chegou, filhão. Sente-se. Esperava qualquer coisa, menos isso. Me sentei na poltrona ao lado do Allan. Ele nem se deu ao trabalho de olhar para a minha cara. Fernando — Dalila, daqui a pouco te chamo novamente para alinharmos tudo. Agora vá. Dalila — Tá certo, com licença. Ela piscou para mim e saiu. Fernando — Bom, como eu estava falando com o Allan, eu recebi uma proposta de uma aliança com o Dom Santiago. Allan — Eu não vou me casar. Ele disse com raiva. Fernando — Você sabe que não tem escolha. Allan — Como não, pai? O senhor ainda é novo. Não tem necessidade de que eu assuma o seu lugar. Além do mais, o senhor sempre disse que eu não iria assumir tão cedo assim. Fernando — Tem sim. Esse assunto de casamento... — Pai, eu tenho algumas coisas para resolver. Já que o assunto é com o Allan, não tem problema se eu não participar. Ele respira fundo e nos encara. De repente, os olhos dele se enchem de lágrimas. Fernando — Eu queria muito poder poupar vocês disso, mas não dá. Allan — Pode sim. É só segurar as pontas mais um pouco. Eu sei que sou seu herdeiro, futuro Don, mas o senhor sempre disse que eu só iria assumir quando estivesse pronto, e eu não estou pronto. Fernando — Eu não estou falando disso. — O que está acontecendo? Fernando — A mãe de vocês foi diagnosticada com uma doença terrível. — Que doença? Fernando — Esclerose Lateral Amiotrófica. Allan — Não é possível. Ele disse, se levantando. — Que doença é essa? Allan — Ela já fez os exames? Fernando — Sim. Ela descobriu faz uns dois meses. Allan — Por que não nos contou? Fernando — Ela não quer que ninguém saiba. Não queria nem que eu soubesse. — Vocês podem me dizer que doença é essa? Eu já estava ficando agoniado. Fernando — Depois. Agora eu preciso conversar com vocês. Eles se sentaram novamente. Fernando — Allan, realmente não estava nos meus planos passar o meu lugar para você agora, mas a sua mãe precisa de mim e eu não abro mão de estar com ela. Allan — Pode marcar o casamento. Se quiser, pode se afastar até lá. Ele disse, se levantando e saindo. Ele fez isso para que não víssemos ele chorando. O Allan é um chorão, ele sempre se esconde para chorar. Eu, como sempre, fico no pé dele. Nunca gostei de ver ele assim. — Cara, que doença é essa? Disse assim que entrei na sala dele. Allan — A Esclerose Lateral Amiotrófica é uma doença neurodegenerativa progressiva e irreversível que destrói os neurônios motores, paralisando os músculos voluntários. Ele viu que eu não entendi e continuou. Allan — A vovó morreu por causa dessa doença. Senti meu peito apertar. O ar ficou pesado. Choramos desesperadamente.
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