Capítulo três
ZAYA
Ao entrar no quarto do Oliver, ficamos abismadas. Isso é totalmente diferente de tudo que vimos no restante da casa. Aqui é um verdadeiro chiqueiro: muita bagunça, roupas e objetos espalhados. Era tanta coisa espalhada que nem consegui prestar atenção no que a dona Benedithi estava falando.
Lara — Então quer dizer que não podemos arrumar esse quarto?
Oliver — Façam isso e serão dispensadas na mesma hora.
Ele disse, entrando no quarto novamente. Ele é muito bonito, alto e musculoso.
Lara — Sim, senhor.
Benedithi — Meu filho, você já deveria ter ido.
Oliver — Estou indo agora.
Ele disse, me olhando de cima a baixo.
Benedithi — Pois vá logo.
Oliver — Estou indo.
Ele disse, pegando o carregador em cima do criado-mudo e saindo logo em seguida.
Benedithi — Então é isso... o que vocês devem fazer aqui é pegar as roupas sujas e colocar para lavar, recolher os lixos dos cestos e só.
— Certo.
Benedithi — Vamos para o terceiro andar.
Seguimos para o terceiro andar, onde ficam a sala de jogos e o cinema.
Lara — Meu Deus! Um cinema de verdade.
Benedithi — Sim. Esse cinema é mais de enfeite, mas é sempre bom manter limpo para não atrair insetos.
— Verdade.
Elena Álvaro — É a primeira vez que vocês veem um cinema?
Ela disse, se aproximando com um sorriso no rosto.
Lara — Sim.
Elena Álvaro — Percebi.
Benedithi — Precisa de alguma coisa?
Elena — Sim, quero que me acompanhem na consulta.
Benedithi — Essa consulta não é para mim, é?
Elena — Não, imagina.
Benedithi — Eu vou me trocar e já vamos.
Descemos para a dispensa para pegar os materiais de limpeza. Vamos nos separar e arrumar os quartos, que a dona Benedithi disse que é a nossa prioridade.
Lara — Você fica com o chiqueiro e eu com o quarto da frente.
Ela disse e saiu na minha frente.
— b***a, você não ouviu a dona Benedithi? Ela disse que não precisa arrumar o quarto dele, apenas tirar o lixo e trocar as roupas da cama.
Lara - vamos trocar?
-De jeito nenhum
Eu disse, entrando no chiqueiro.
Oliver
Fui o caminho todo pensando na desculpa que iria inventar quando meu pai me perguntasse o porquê do atraso. Eu sei que ele nem vai conseguir falar comigo direito por causa do Allan, que não vai deixar.
Em poucos minutos cheguei ao escritório da empresa, empresa a qual meu pai usa para lavar dinheiro, já que os negócios dele são vender drogas e armas. Entro no elevador, indo direto para a sala do meu pai.
— Bom dia!
Disse entrando. Na sala estavam meu pai, Allan e a secretária.
Fernando — Que bom que chegou, filhão. Sente-se.
Esperava qualquer coisa, menos isso. Me sentei na poltrona ao lado do Allan. Ele nem se deu ao trabalho de olhar para a minha cara.
Fernando — Dalila, daqui a pouco te chamo novamente para alinharmos tudo. Agora vá.
Dalila — Tá certo, com licença.
Ela piscou para mim e saiu.
Fernando — Bom, como eu estava falando com o Allan, eu recebi uma proposta de uma aliança com o Dom Santiago.
Allan — Eu não vou me casar.
Ele disse com raiva.
Fernando — Você sabe que não tem escolha.
Allan — Como não, pai? O senhor ainda é novo. Não tem necessidade de que eu assuma o seu lugar. Além do mais, o senhor sempre disse que eu não iria assumir tão cedo assim.
Fernando — Tem sim.
Esse assunto de casamento...
— Pai, eu tenho algumas coisas para resolver. Já que o assunto é com o Allan, não tem problema se eu não participar.
Ele respira fundo e nos encara. De repente, os olhos dele se enchem de lágrimas.
Fernando — Eu queria muito poder poupar vocês disso, mas não dá.
Allan — Pode sim. É só segurar as pontas mais um pouco. Eu sei que sou seu herdeiro, futuro Don, mas o senhor sempre disse que eu só iria assumir quando estivesse pronto, e eu não estou pronto.
Fernando — Eu não estou falando disso.
— O que está acontecendo?
Fernando — A mãe de vocês foi diagnosticada com uma doença terrível.
— Que doença?
Fernando — Esclerose Lateral Amiotrófica.
Allan — Não é possível.
Ele disse, se levantando.
— Que doença é essa?
Allan — Ela já fez os exames?
Fernando — Sim. Ela descobriu faz uns dois meses.
Allan — Por que não nos contou?
Fernando — Ela não quer que ninguém saiba. Não queria nem que eu soubesse.
— Vocês podem me dizer que doença é essa?
Eu já estava ficando agoniado.
Fernando — Depois. Agora eu preciso conversar com vocês.
Eles se sentaram novamente.
Fernando — Allan, realmente não estava nos meus planos passar o meu lugar para você agora, mas a sua mãe precisa de mim e eu não abro mão de estar com ela.
Allan — Pode marcar o casamento. Se quiser, pode se afastar até lá.
Ele disse, se levantando e saindo. Ele fez isso para que não víssemos ele chorando. O Allan é um chorão, ele sempre se esconde para chorar.
Eu, como sempre, fico no pé dele. Nunca gostei de ver ele assim.
— Cara, que doença é essa?
Disse assim que entrei na sala dele.
Allan — A Esclerose Lateral Amiotrófica é uma doença neurodegenerativa progressiva e irreversível que destrói os neurônios motores, paralisando os músculos voluntários.
Ele viu que eu não entendi e continuou.
Allan — A vovó morreu por causa dessa doença.
Senti meu peito apertar. O ar ficou pesado.
Choramos desesperadamente.