ITÁLIA

1215 Palavras
Capítulo oito OLIVER — Allan, Oliver, acorda. Ele disse me cutucando. — Hã? — Já chegamos. Abro os olhos e vejo que finalmente chegamos à Itália. — Vamos. Disse meu pai. Meu pai estava com o rosto inchado de tanto chorar. Imagino o porquê. Na maioria das vezes que ele viaja, a minha mãe sempre vem junto, e hoje ela não pode vir. Do lado de fora do nosso jatinho já havia alguns carros blindados nos aguardando. O caminho do aeroporto até a casa do Dom Santiago foi rápido, cerca de 30 minutos. Assim que chegamos, fomos recebidos por uma funcionária. Fomos conduzidos até a sala de estar e, alguns minutos depois, o Dom Santiago chegou. Eu esperava que ele fosse um homem mais novo, porém ele já deveria ter uns 55 anos ou mais. — Dom Fernando, é um prazer receber vocês. — Obrigado. — Sentem-se. O jantar já será servido. Nós nos cumprimentamos e continuamos conversando enquanto bebíamos. — Esse vinho é um dos melhores que eu já provei. Não sou um grande apreciador, assim como o Allan, mas esse aqui é ótimo. Disse meu pai. — Esse eu comprei em Dubai. Disse Santiago, estendendo a garrafa para Allan para que ele pudesse encher o copo. — Obrigado. Cadê a sua filha? Perguntou Allan. Só então eu percebi o quanto Allan estava impaciente. — Ela já está vindo. Você sabe como são as mulheres. — Sim, entendemos. Respondeu meu pai. — Allan, eu preciso falar com você sobre a minha filha. — Sim, pode falar. — Com licença, boa noite. Uma senhora muito elegante entrou na sala. — Venha, querida. Cadê a nossa princesa? Perguntou Santiago. — Ela já está vindo. Eu só preciso que você me acompanhe um minuto. — Ok. Ele se levantou e saiu acompanhando a mulher. — Que droga. Disse Allan, afrouxando a gravata. — Se acalme. Disse meu pai. — Eu pensei que seria só chegar aqui, jantar com a família do Dom, conhecer a filha dele, marcar o noivado e pronto. — Tem que ver se você vai gostar da moça. — Eu já disse, eu não tenho escolha. — Para com isso. Você tem sim. — Qual o problema com ela? Quando ele ia me responder, o senhor Santiago retornou, pediu desculpas e se sentou, dizendo que a filha dele já estava vindo. Francamente, eu estou com vontade de ir lá buscá-la. A curiosidade está me corroendo por dentro. — Ela está aí. Disse Santiago. Me virei para a porta e vi a senhora Ágatha juntamente com uma mini moça. Isso mesmo, uma moça anã. Ela veio se aproximando de cabeça baixa e, quando chegou perto, deu boa noite. Olhei para a cara do Allan e vi que ele estava com um sorriso de lado. Duvido muito que ele queira casar com ela. Se bem que ela é gata, mas é muito baixa. — Essa é a minha princesa, Ema. Disse Santiago. — É um prazer conhecê-la, senhorita Ema. Disse Allan. Nós nos cumprimentamos e, em seguida, fomos conduzidos para a sala de jantar. EMA Como assim meu pai ofereceu a minha mão para outro homem? Ele não cansa? Não entende que ninguém me quer? Nenhum homem jamais se submeteria a algo assim. Quem teria coragem de casar com uma mulher que tem 1,40 de altura? Ninguém nunca vai me querer. Nenhum homem vai me desejar. Eu já estou mais do que conformada com isso… menos o meu pai. — Há quanto tempo vocês estavam planejando isso? Perguntei à minha mãe quando ela entrou no meu quarto para saber se eu já estava pronta. — Um mês. Respondeu Ágatha. — Um mês? Um mês me escondendo isso? Ágatha— A ideia de te casar não foi minha, e sim do seu pai. Mas a de esconder isso foi minha. — Claro… como sempre escondendo as coisas de mim. — Eu só não quero que você sofra de novo. Disse ela, chorando. — Me deixe sozinha. Ágatha— Eles chegaram. Você tem que descer. — Me dê uns cinco minutos. Disse tentando segurar o choro para não borrar a maquiagem que a maquiadora levou uma hora e meia para fazer. Me olhei no espelho. Gostei do que vi. — Filha. Disse meu pai ao entrar. — Já estou indo. Respondi sem olhar para ele. — Não fique com raiva de mim. Você sabe que tudo que eu faço é pensando em você. Ele deu um beijo no topo da minha cabeça e saiu. Do lado de fora do quarto, minha mãe estava segurando o choro. Não sei por que eles inventam isso. Quando eu recebo alguma rejeição, eles sofrem mais do que eu. Imagine a minha mãe, uma dama da alta sociedade, que nunca conseguiu casar a filha porque ela possui nanismo. E o meu pai, um empresário de sucesso e Dom da máfia italiana, cuja única filha é anã e ninguém quer. — Queria tanto que as pessoas te vissem como eu te vejo. Disse minha mãe. As palavras dela me doeram. Ágatha— Eu só queria que você soubesse que não está sozinha. — Tudo bem. Agora vamos terminar logo com isso. Estou com sono. Hoje eu tive que acordar cedo para ir me arrumar. Minha mãe já tinha deixado meu horário agendado no SPA. Não sei para quê isso. Eu sei que posso estar banhada de ouro que nenhum homem vai olhar para mim. Cheguei de cabeça baixa na sala de estar. Não quero ver o olhar de desprezo nos olhos das pessoas, olhares que são os meus pesadelos diários. Três homens. O pai e seus dois filhos gêmeos. Allan é o nome do rapaz com quem meu pai acha que vai me casar. Olhei para ele quando ele me cumprimentou. Ele é muito alto. Eu sei que todo mundo é alto para mim, mas ele é fora do normal. Entre todos que eu já conheci, esse, sem sombra de dúvidas, é o mais lindo. Os cabelos bem pretos fazendo contraste com a pouca barba lhe caem bem. Os olhos bem escuros e brilhantes. A mão dele dá duas da minha. Allan— É um prazer conhecê-la, senhorita Ema. — O prazer é meu. — Vamos para a sala de jantar. Disse meu pai. — Claro. Respondeu Dom Fernando. O jantar foi em total silêncio, exceto pelo som dos talheres. Fernando— Senhora Ágatha, devo lhe parabenizar. O jantar está uma delícia. Disse Oliver. Ágatha— Que bom que gostou. Preparamos com muito carinho. Depois do jantar, eles comeram a sobremesa. Fiquei aguardando a desculpa que eles dariam para ir embora logo, mas essa desculpa não veio. Allan— Bom, senhorita Ema, eu gostaria de conversar com você. Acho que os nossos pais têm algumas coisas para conversar enquanto isso. Disse Allan. Conversar comigo? Isso é novo para mim. Nunca cheguei nessa parte. O que eu faço agora? Santiago— Claro. Vamos para o meu escritório. Venha também, Oliver. Disse meu pai. Eles se levantaram e saíram. Agatha— Filha, leve o Allan para dar uma volta no jardim. Disse minha mãe. Ema— Sim, vamos. Eu disse me levantando e indo na frente. Antes que eu abrisse a porta, ele abriu. Se passaram alguns segundos enquanto meus olhos iam de encontro aos dele.
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