"VIROSE"

813 Palavras
Capítulo sete ZAYA Acabei de voltar para a casa da dona Elena. Antes que eu subisse, o seu Fernando me chamou para conversar. Conversamos bastante, perdi a conta de quantas vezes ele me pediu para que, caso acontecesse alguma coisa, eu ligasse para ele. Ele me explicou sobre essa doença. Fiquei muito triste, confesso que preferia não saber os detalhes. Fernando - Bom, é isso. Você não vai precisar fazer nada, apenas ficar ao lado da Elena. -Certo. Fernando - Vamos. Subimos. Confesso que fiquei o tempo todo olhando para os lados para ver se via o Oliver, mas não vi. Ao entrar no quarto da dona Elena, ela me pediu para que eu me sentasse ao lado dela na cama. Ficamos encostadas na cabeceira enquanto procurávamos algo para assistir. Elena - Você pode me ajudar a beber água? -Sim. Disse me levantando. Peguei a garrafa de água no frigobar, coloquei no copo e ajudei ela a beber. Como ela não está conseguindo levantar os braços, eu tive que dar na boca dela. Estava de frente para ela e de costas para a porta quando o Oliver chegou. Sei que era ele por causa do perfume. Percebi que a dona Elena ficou tensa com a presença dele. Logo em seguida o Allan também chegou. Eu quis sair para deixá-los à vontade, mas a dona Elena pediu para que eu ficasse. Ficar perto do Oliver é sufocante. Não conseguia parar de olhar para ele. Tudo nele me chama atenção. OLIVER Sem chão. É assim que eu estou me sentindo. É a primeira vez na vida que eu não sei o que fazer. Esse sentimento de impotência é terrível. Se ao menos existisse uma forma de livrar a minha mãe dessa doença terrível. Allan - Oliver! Que é? Entra. Allan - O que você está fazendo? Arrumando minha mala. Allan - Você chama isso de arrumar? -Sim. Disse jogando algumas roupas dentro da mala. Ele revirou os olhos e riu. O que é que você quer? Allan - Queria saber o que está acontecendo com a Benedithi. Ah, sim. A mamãe contou para ela sobre a doença. A Benedithi não aguentou e começou a passar m*l, por isso passou o dia todo deitada. Allan - Não era para ela saber. Uma hora ou outra ela iria ter que saber. Allan - A mamãe não pode saber que nós já sabemos, ok? - Eu sei. Allan - Vou ver a Benedithi. -Tá. Malas prontas. Agora chegou o momento que eu mais temia: ir falar com a minha mãe. Não sei bem o motivo, mas eu estava evitando ela. Acho que não tenho forças para estar na frente dela sabendo que ela tem pouco tempo de vida. Respirei fundo e bati na porta. Em seguida coloquei minha cabeça para dentro. A cena que eu vi foi da funcionária sentada na cama da minha mãe com o copo de água na boca dela. Como se tivesse sentido a minha presença, a funcionária olhou para onde eu estava. Os olhos dela vieram de encontro aos meus de uma forma que prende. Elena - Oliver. Ela disse, roubando a minha atenção para ela. Como a senhora está? Elena - Estou bem, é só uma virose. Como eu queria que fosse apenas uma “virose”, mamãe. Funcionária - Licença. Ela disse se levantando da cama. Elena - Fique, Zaya. Ela voltou a se sentar na cama. Allan - Licença. Ele disse entrando. Elena - Meus meninos, eu não vou poder ir. Ainda estou muito m*l. -Tudo bem, mamãe. A senhora precisa descansar. Allan - Sim, vai ser rápido. No domingo estaremos aqui. Ele disse indo abraçá-la. Percebi que ela não conseguiu retribuir o abraço. Não chore, mãe. Elena - Tudo bem... eu só queria estar com você lá. Ela disse para o Allan. Allan - Não esquenta com isso. Vamos só alinhar os preparativos para o noivado. Elena - Mesmo assim. E eu não quero que você rejeite a Heloise. Você tem direito de querer ou não casar com ela, mas nada de tratar ela com indiferença. Tá me ouvindo? Allan - Sim, mãe. Enquanto eles conversavam sentados na cama, a funcionária ficava fazendo jogos de olhares comigo. Toda vez que eu olhava para ela, ela olhava para o chão. Não sei qual é a dela. Fernando - Vamos. Ele disse indo para perto da minha mãe. Elena - Vão lá, meus amores. Se cuidem. Eu percebi, desde a hora em que entrei no quarto, que ela não está confortável. Acho que está com medo de que eu perceba que ela não está bem. -Pode deixar. Disse dando um beijo e um abraço nela, e de fato ela não está conseguindo retribuir o abraço. Nós nos despedimos e, antes que eu saísse do quarto, me virei para a funcionária e disse: -Cuide dela. Ela apenas confirmou com a cabeça.
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