Capítulo XIV

2429 Palavras
                 -SEU DESGRAÇADO, VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO! - Berrou o garoto de cabelos amarelados. Seus olhos estavam escarlates e dava para ver os rastros saindo de suas laterais quase como riscas vermelhas. O garoto estava completamente tomado pela raiva e pelo ódio.                  -Katsuki Bakugou. Para a sua segurança e a segurança de todos você vai continuar em confinamento- Falou Aizawa enquanto se virava de costas. -Volto daqui algumas horas, espero que até lá você consiga se manter calmo. -                  O garoto berrou e socou a parede com força, seus punhos fizeram um baixo barulho enquanto um pouco de sangue escorria pelo lugar que ele socava. Ele puxou seu pulso para trás e olhou seu punho machucado antes de segura-lo. Ele estava amaldiçoando tudo e todos ao seu redor. All Might, Aizawa, Nezu, Deku.... Todos. Sem nenhum tipo de preconceito com isso. O garoto estava completamente fora de si.                  Bakugou foi levado exatamente para o centro da Academia U.A. Com a ajuda de Cimentos eles construíram uma cela semelhante à de uma solitária e colocaram Bakugou lá para esfriar a cabeça. O garoto poderia explodir a qualquer instante e isso era literalmente. Para evitar mais problemas eles injetaram supressores de individualidade no garoto, portanto ele não conseguiria criar explosões com a mão.                  Seus gritos e berros ecoavam pelos corredores vazios e escuros da escola. Os professores que estavam andando pelas passagens apenas ficavam em silêncio e continuavam suas rondas. Bakugou nesse momento era um alvo frágil e, portanto, eles deveriam o proteger caso houvesse uma invasão, algo que eles não estavam querendo.                  Nesta mesma noite sem deixar tempo para U.A se recuperar um novo vídeo chegou nas mãos dos repórteres. O vídeo mostrava toda a gravação de vilões invadindo a casa segura onde Momo estava escondida e eles atravessaram cada dormitório e cada cômodo até encontrarem seu alvo e a sequestrarem. As câmeras escondidas do lado de dentro da casa foram facilmente hackeadas e enviadas para os jornais que logo publicaram. Os abutres estavam adorando cada momento e a audiência nunca parava de crescer. Essa era a manchete do século.                  A primeira rachadura que U.A recebeu também foi naquela noite. Em menos de uma hora após a postagem do vídeo três carros pretos com o símbolo do governo pararam na porta da Academia U.A. No carro central uma senhorita já na terceira idade e muito bem conservada saia do carro. Seus cabelos eram amarelados e tinham a altura de seu ombro, penteados para trás e acompanhavam um esbelto terno formal preto junto de um colar que parecia ser de prata. Ao seu lado havia o herói profissional Hawks e um senhor que parecia estar cansado até os ossos. Seus cabelos eram castanhos e estavam uma bagunça. O mesmo também usava o terno. Esse treino de pessoas entrou acompanhados de pessoas genéricas do governo.                  Uma vez dentro da instituição e quando os professores a viam eles rapidamente abriam passagem e desviavam seu olhar, as vezes até se escondiam dentro de armários e salas. O salto da mulher batia com força sobre o chão cada passo que ela dava até chegar na sala do diretor que ela abria sem nem pensar em bater.                  -Boa Noite, Diretor Nezu. - Afirmou a mulher -Não tão boa, assim, na verdade. - Corrigiu-se enquanto entrava na sala. As pessoas que a acompanhavam ficaram do lado de fora em total silêncio.                  -Bom Dia, Senhora Presidenta- Disse Nezu colocando sua xícara de chá sobre a mesa e encarrando a doce senhora. -O que lhe traz aqui nessa noite tão agradável? -                  -O ser mais esperto do Japão, se não do mundo, não sabe por que estou aqui? - A mulher ergueu a sobrancelha enquanto começava a andar ao redor da sala. -Talvez isso explique muita coisa do que está acontecendo essa noite. Gostaria de se explicar, Diretor Nezu? -                  -Apenas contratempos. - Falou o rato sem rodeos. -Estamos com tudo sobre controle. - Afirmou.                  -Controle. - A mulher respirou fundo enquanto segurava um quadro da parede do Diretor. -E o ato ou efeito de controlar. Exercer ação restritiva sobre; Conter; Regular- A mulher voltou a olhar o ser a sua frente. -Você usa essa palavra, mas eu tenho dúvidas se sabe o real significado delas. - Explicou.                  -Como eu disse, Senhora Presidenta estamos com tudo sobre controle. Apenas com um pouco de dificuldades, nada para a Senhorita se preocupar. Que tal se sentar, vou preparar o chá de flores douradas para a senhora- Nezu jogou seu melhor sorriso enquanto se levantava, pegando sua chaleira onipresente na sala.                  -Então me diga, Diretor Nezu. Ter dois alunos assassinados a sangue frio e mais dois alunos sequestrados e estar sobre controle? E um desses alunos, pelo o que eu andei revisando, e considerado um sem graça e isso tudo não acaba por aí. Esse Aluno foi acusado e preso injustamente por sua incompetência em julgar se era ou não era necessário se aprofundar no caso... Por que ao meu ver e nos relatórios de dois anos atrás, não existia nada concreto para a prisão de Izuku Midoriya. - Disse a mulher enquanto cerrava calmamente seus olhos. -Então, indo para a pergunta, como isso e estar sobre controle? -                  Nezu engoliu em seco antes de se virar para a mulher, junto com as xícaras que ele colocava sobre a mesa. A senhorita se recusava a se sentar, ela estava em pé com as mãos em suas costas, encarrando fixamente o roedor comedor de m***a de cima para baixo, como se ela fosse uma predadora e ele fosse apenas um inseto insignificante para ela comer. -Izuku Midoriya não e o que parece ser, ele está perturbado e agindo por impulso. Sua mente está fragmentada e ele é imprevisível. Ele assassinou os dois alunos e o sequestrado possui um rastreador e questão de tempo até invadirmos onde eles estão. Como eu disse, tudo sobre controle. Izuku Midoriya vai ir para um manicômio quando for pego e tudo voltara ao normal. Acidentes são inevitáveis. -                  -Oh... Agora entendo...- Começou a mulher de forma calma. -Mas eu acho que você ainda não entendeu a situação. Izuku Midoriya pode ser considerado o que quiser, vilão, herói, instável, mentalmente quebrado. Use a definição que desejar. Para os meus olhos e para os olhos dos civis ele não passa de uma criança assustada da qual foi presa injustamente e torturada a caminho da delegacia e na tentativa de encobrir toda a m***a que a SUA academia vez, vocês, estão o acusando desses crimes. - A mulher mudou seu tom de voz para algo mais rígido quase como se fosse a ordem de um marechal do exército. -Você prender ele e fazer qualquer coisa com ele, mandar para um hospício, mudaria drasticamente tudo ao nosso redor. Os heróis seriam intitulados de vilões e as pessoas parariam de acreditar neles. Afinal, os heróis não são capazes de proteger uma criança indefesa e inocente.                  -Eu não acho que esse seja o ponto. Esse e o pior dos cenários. - Disse Nezu calmamente enquanto despejava o chá, já quente, sobre as xícaras. Quando ele tentou abrir a boca novamente a mulher o interrompeu.                  -As aparências e o que mais importa em nosso mundo moderno. Você entende isso muito bem. Não importa o que você faça com a criança eles o enxergaram como culpado. Pegue-o com vida que a Comissão do Herói irá resolver as coisas com ele pessoalmente. - A senhorita levou a mão até o chá e o assoprou antes de bebe-lo lentamente. -A Academia U.A a partir de hoje está oficialmente suspensa de todas as suas atividades. Você possui uma semana para remanejar todos os estudantes. - Ela colocou a xícara sobre o pires. -Muito obrigado pelo chá, Diretor.                  -Você não pode fazer isso. - O rato disse mostrando seus dentes afiados por um momento, o que ele dava tanto trabalho para esconder. -Não temos como remanejar tantos alunos. Esse e apenas um incidente isolado que estamos cuidando com toda a nossa atenção e foco.                  -A decisão já está tomada, Diretor. Se você se recusa a seguir as ordens da Comissão iremos ir atrás de você, não de sua escola na próxima vez. Se isso lhe faz sentir feliz, quando toda a situação estiver resolvida poderemos reabrir as portas.                  A mulher abriu a porta do escritório e ao sair ela a bateu. Nezu fechou os olhos por um instante e a xícara na qual ele segurava com sua pata se quebrava com seu aperto. O chá quente queimava sua mão e alguns pedaços de vidros perfuravam sua pata. O rato não se importou, mas apenas rosnou de dor.                                      Izuku Midoriya acordou lentamente de sua cama. Sua cabeça latejava e parecia que todo e qualquer movimento era uma dor em seu corpo. Ele abriu os seus olhos apenas para ser cegado pela claridade que a luz solar causava naquele quarto. O sardento demoro alguns bons segundos, talvez minutos, para se acostumar com a luz. Puxando calmamente a coberta para baixo o garoto tentava se sentar na cama, quase tombando para trás com o movimento rápido. Sua cabeça doeu ainda mais. Era uma dor aguda que parecia cutucar seu cérebro e atrás de seus olhos.                  Apoiando seu pé descalço sobre o chão, tendo certeza que estava com sapato, o garoto se sentia confuso e perdido. Ele se levantou ainda grogue de sono e pela bebida e teve que se apoiar na escrivaninha perto da cama para não cair sobre o chão. Sua visão periférica observava um cartão com uma embalagem de remédios com um copo de água do lado. Ainda mais curioso ele levava sua mão até o cartão e jurando que estava vendo duplicado ele lia. -Deixei aspirinas para você. Tome. - Ele amassou o papel e o jogou em sua cesta, obviamente a errado, antes de pegar o que julgou ser dois comprimidos e os virar em sua boca, acompanhando de um gole de água.                  Quando ele finalmente havia conseguido abrir a porta de seu quarto sem se apoiar muito na parede ele era repreendido por Toga, que carregava um café da manhã. O mero sussurro dela vazia sua cabeça latejar. Midoriya se arrependeu fortemente de ter pedido uma bebida que o deixaria em coma. Se ele soubesse que iria acordar tão m*l ele nunca haveria bebido aquela desgraça.                  Toga colocou a bandeja no chão antes de segurar a cintura do garoto e o guiar até a cama novamente para ele se sentar. Kurogiri o havia dado a mistura de bebida mais forte que tinha, três copos era mais que suficiente para deixar uma pessoa muito mais que alterada. Midoriya havia bebido quase que dez copos, ele não deveria se levantar da cama ainda, isso tanto Kurogiri quanto Shigaraki concordaram. All For One quase gargalhou em sua sala ao saber que o garoto tentou entrar em coma alcoólico daquela forma.                  Somente quanto Midoriya se sentava na cama ele percebia que estava sem calças, mas o mais importante, era que alguém o estava tocando nesse momento. Quando ele se deu conta Toga já havia saído do quarto. Seus reflexos não estavam funcionando muito bem com ele. O garoto só queria dormir novamente, fechar seus olhos e voltar para a cama quentinha e aconchegante para ele.                  -Zuku- Sussurrou Toga, recebendo um grunhido de resposta. -Temos um presente para você. Nós te trouxemos a momo- Ela continuou falando baixo, mesmo sua voz estando querendo gritar o mais alto. O garoto agradeceu a boa intenção dela.                  -Que? - Ele falou num tom muito elevado e logo levou sua mão para sua cabeça, grunhindo de dor. Sua resistência a dor parecia nem ao menos sutil efeito. Ele iria realmente conversar com Kurogiri para nunca mais lhe dar aquela bebida.                  -Nós a sequestramos ontem à noite para você. - Disse a Loira ao se sentar ao lado do esverdeado na cama, deixando a bandeja entre eles. Toga não pode deixar de roubar um morango enquanto balançava suas pernas no ar. Midoriya havia batido seu recorde de conversa com ela. Ela estava feliz por isso.                  -Vocês são estrupidos...? - Ele disse. Sua voz estava baixa, a garota tinha total certeza que se Midoriya pudesse gritar ele estaria fazendo isso. -Ela deve ter algum rastreador... Detector... Sei lá.... U.A não é burra de tirar seus alunos dos dormitórios sem rastreados para saber onde exatamente eles estão e se não estão com um louco que os persegue. - Sibilou o garoto enquanto se deixava cair para trás. Ele voltou a fechar seus olhos. Isso seria um problema para Midoriya do futuro. Midoriya do presente só quer voltar a dormir.                  -.... - Toga parou um minuto para raciocinar e quanto percebeu que tudo que ele havia falado era logico a garota correu desesperadamente para o bar para avisar o pessoal sobre o suposto rastreador.                  Aprendendo a lição que da última vez havia dado m***a. Quando tentaram levar Bakugou para seu lado e All For One foi preso por conta disso, eles aprenderam a usar repetidores de sinal, para fazer qualquer rastreador parar de funcionar. Toga se sentiu aliviada e por via das dúvidas ela foi instruída a procurar o rastreador e ao encontrar, no peito da mulher, ela foi tele portada para uma antiga sede abandonada e o deixou lá, antes de voltar para o bar e se sentar no bar.                  -Ele acordou e estava se movendo. Ele está tontinho. - Disse Toga cutucando seus dedos que tocaram o garoto novamente. Tocaram aquele macia e desejada, que ela tanto queria marcar de vermelho.                  -Ele se moveu? - Kurogiri falou um pouco surpreso. -Talvez eu tenha subestimado o fígado do garoto. - Falou o homem. -Da próxima vez vou tentar arrumar algo mais forte para deixa-lo em coma, como ele ordenou. - Parecia uma brincadeira, mas sua voz seria dava a entender outra coisa.                  -Então... Você leu os cadernos dele, certo? - Falou Dabi se espreguiçando. -O que ele quer com a Senhorita momo?                  -Ele vai usa-la como uma fábrica. Ela pode criar praticamente qualquer coisa. Ela vale muito para seu plano, então ele não vai m***r ela. Provavelmente torturar, mas não m***r. - Disse Toga enquanto sorria. -Mas agora eu tenho uma dúvida muito peculiar sobre minha individualidade. Se eu pedir para Twice fazer um clone meu e eu o transformar no Midoriya e t*****r com ele... Eu engravidaria? Seria considerado s**o ou masturbação...? Eu seria lesbica por isso? -                  -.... - Dabi pegou uma garrava de qualquer m***a atrás do balcão e rapidamente se virou para ir para o quarto. -Eu me recuso a acreditar que estou ouvindo essa m***a.
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