Capítulo X

2408 Palavras
                 Ambos os garotos e a dama loira no bar olharam atentamente para o portal que acabava de se formar em sua frente; Dabi cruzava seus braços enquanto Toga mantinha seu olhar sujo e impuro em Midoriya, provavelmente pensando em todas as formas que poderia utilizar para molestar seu futuro marido. Shigaraki estava se deleitando com a angustia de Midoriya, uma vez que o garoto realmente parecia desconfortado ao estar algemado e com uma bela coleira em seu pescoço, que era puxada continuamente por Shigaraki ao atravessarem o portal.                  A sensação ainda era engraçada e enjoativa para Midoriya, mas aos poucos, ele estava começando a se acostumar. Uma vez do outro lado da ‘porta’ eles encontravam um grande corredor, sua paleta de cores eram cinza e marrom, semelhante ao do bar. Com um tom mais sério os intrigantes da liga começavam a ‘escoltar’ o garoto sardento pelos corredores, afinal de constas ele ia conhecer os integrantes oficias da Liga agora.                  -.... - Dabi lançava um olhar rígido a Midoriya e por um momento uma luz acendia em sua cabeça. -Você e masoquista, não é? - Ele perguntou com um tom de inocência, mas seus olhos estavam cheios de pura maliciosa e seu sorriso era um tanto assustador.                  -Que? - Perguntaram Toga e Shigaraki ao mesmo tempo, Midoriya deu uma leve desviava de olhar, quase imperceptível com a pergunta, mas logo mandou o seu próprio -que?!- para acompanhar a confusão de ambos.                  -p**a m***a! Você é! - Afirmou Dabi ao notar a leve desfiada de olhar de Midoriya, agora as coisas faziam muito sentido.                  -Dabi.... Se você não parar com essa palhaçada eu realmente vou te m***r. - Sibilou Midoriya, estreitando seu olhar enquanto o encarrava.                  -Agora que você mencionou.... Ele realmente gosta de ser chamado de inútil. (Deku)- Afirmou Toga, uma faca atingiu as costas de Midoriya, não literalmente. -Ele vive mexendo com pessoas que podem realmente machucar ele e ele sempre se diverte com isso. - Uma segunda facada atingia o ego do garoto que agora rosnava e mostrava suas presas, como se realmente fosse um cachorro. -E seu desconforto com a coleira faz total sentido... p**a m***a! Você realmente e masoquista! - Berrou Toga, Shigaraki apenas parou de andar e olhou para trás com uma cara de nojo.                  -Eu não sou masoquista! - Birrou o esverdeado, sua postura estava parecendo de uma fora e pela forma que a guia de sua coleira estava esticada os garotos tinham certeza que se Shigaraki não tivesse a segurando o sardento já teria pulado em cima dos dois.                  -Mas parece. - Bufou Dabi enquanto sorria. Finalmente o trio achou algo para atormentar Midoriya.                  Era uma vitória interna, meses sendo atormentados por um garoto sardento que não tinha amor nenhum a sua própria vida finalmente começou a valer a pena, Midoriya aparentava ser sensível a esse tipo de coisa e com toda certeza Dabi e Toga iriam utilizar isso com frequência.                  -Então por que você está e******o? - Falou Toga com seu sorriso aberto, apontando para baixo. Midoriya olhou para baixo e logo voltou seu olhar para Toga, que encarrava fixamente Dabi antes de voltarem a olhar para Midoriya. -Você e masoquista! Se não fosse não teria checado! - Concluiu.                  Midoriya rosnou, mas antes que pudesse se defender Shigaraki o puxava pela coleira, o garoto chegava a engasgar com a própria saliva com o movimento repentino e logo olhava para o cinco contra um, seus olhos estavam cheios de raiva e com toda certeza Midoriya mataria o primeiro que visse se não fosse sua contenção.                  -Apenas seja um bom cachorrinho e pare de latir. - A ironia na voz de Shigaraki vez a turma de trás soltar umas boas gargalhadas e com um sorriso um pouco levado ele levava a mão até os cabelos do garoto e o acariciava igual um cachorro. -Não quero ter que colocar uma focinheira em você em seu primeiro dia. -                  Midoriya bufou e apenas mostrou os dentes antes de ser levado pelo resto do corredor. A triste realidade do garoto vinha à tona, ele não podia fazer nada enquanto permanecesse nessa situação que gloria a Deus não deveria demorar muito... Ele não poderia deixar Midoriya o dia todo algemado, certo? Certo?!                  Entrando numa sala em que todas as paredes eram pretas, com exceção dos rodapés, que eram brancos e do chão acinzentado, o grupo encarrava fixamente o garoto sardento, parecendo um animal irritado a ponto de explodir, era a primeira vez que todos naquela sala via Midoriya sem um sorriso no rosto ou com um humor infantilizado, era uma cena assustadora e interessante. Antes que alguém pudesse perguntar algo Shigaraki puxava Midoriya para mais perto e o colocava em sua frente.                  -Liga... Esse e Izuku Midoriya. - Falou Tomura. Claro, para pessoas não-NPC o garoto falava de bom grato, sempre era necessário discurso. -Também conhecido como Deku, mas enfim, a partir de hoje ele faz parte da liga e também virou meu cachorrinho. - A última parte poderia ter sido uma piada, mas o olhar e a tonalidade de voz de Shigaraki diziam que não. -Não quero que toquem, falem ou pensem nele enquanto sua estadia estiver aqui. Novamente, ele e meu cachorro. - Reforçou finalmente desintegrando as algemas de Midoriya.                  Por força do habito Midoriya levava suas mãos para frente e a alisava seus pulsos suavemente, uma vez que os mesmos estavam bem avermelhados de tanto puxar e lutar contra elas. Ele não pode deixar de se aliviar e lançando um olhar de canto para Dabi e Toga um sinistro sorriso aparecia em seu rosto. A sala podia dizer que o Deku voltou ao normal, mas a intenção assassina dele estava bem visível no momento, algo que ele nunca permitia.                  -Enfim, não quero apresentações. - Falou Midoriya de forma alegre e contagiante. -Já conheço cada um de vocês.  E como vocês podem perceber eu virei o cachorrinho de Shigaraki, não sei por quanto tempo, mas também não ligo muito. Vocês também já me conhecem. - Terminou seu discurso virando para o maior que segurava sua guia. (Referindo a guia da coleira). -Satisfeito? -                  -Muito. - Falou o maior feliz finalmente largando Midoriya, o garoto suspirou de alivio -Dabi, por favor, leve Midoriya de volta para o bar e mostre a ele o quarto. O sensei vai querer conversar com ele mais tarde. -                                      -m***a- Bufou Aizawa novamente, se virando drasticamente para a porta enquanto alisava calmamente sua testa. Seus nervosos estavam a mil no momento, ele deixou Midoriya escapar não apenas uma vez, mas duas vezes! Ele estava fazendo toda a força policial de i****a, junto a ele.                  -Aizawa, você precisa se acalmar- Falou suavemente o Present Mic. Depositando suas mãos sobre o ombro de seu marido enquanto tentava o relaxar. Shouto apenas bufou enquanto respirava fundo.                                -O que devemos fazer agora? - Perguntou Aizawa. Seu cansaço havia sumido após a fuga de Midoriya com aquele portal. O homem além de parecer mais irritado e assustador que o normal estava realmente empolgado... Isso o tornava ainda pior nesses aspectos.                  -Coletiva de imprensa! - Respondeu Nezu ao pegar seu telefone. -Em aproximadamente duas horas. Vão para a casa e descansem. - Ordenou sem pestanejar -Vou transformar esse pequeno garoto na pessoa mais procurada do continente! Vou usar toda essa popularidade que ele criou agora com a mídia para rastrear e achar ele. - Disse Nezu saindo batendo o pé. Sua calda enrolava e esticava, o rato realmente estava irritado.                  All Might soltou um longo suspiro enquanto seguia Nezu em sua forma esquelética. Essa bagunça parecia estar longe de acabar, para falar a verdade, parecia que tudo aquilo estava apenas começando. Com um pouco de sorte, não, esperança o garoto problemático finalmente iria tirar alguns dias de folga... Isso se seu plano era causar um distúrbio na U.A.                  Sendo arrastado pelos fundos por Present Mic o insone era levado para dentro de um carro conversível e sem dizer uma palavra ele colocava seu cinto e esperava seu marido entrar e ligar o carro. Ambos permaneceram em silêncio até sua levada até em casa.                  Aizawa foi o primeiro a entrar e logo se jogou no sofá, expulsando um de seus gatos a sair de lá para abrir espaço para ele. Mic gargalhou enquanto se diria para a geladeira.                  -Whisky? - Perguntou o herói da voz ao pegar dois copos. Ele sempre mantinha bebidas em casa, principalmente por trabalhar numa escola, obviamente ele não bebia antes de trabalhar, ele só enchia a cara quando sua paciência com um dos alunos acabava ou quando ele tinha que corrigir trabalhos.                  -Sim- murmurou abafado, uma vez que se recusava a levantar a cabeça para cima do sofá.                  Mic riu de forma baixa, por mais incrível que pareça, enquanto andava até seu marido lhe dando um copo com um canudo vermelho, repleto de círculos para a liquido passar antes de atingir a boca. Segurando a ponta do canudo ele o guiava até a boca do insone e logo se sentou ao seu lado.                  -Pais? - Perguntou a voz familiar de seu filho, nenhum dos dois estava surpreso por Hiroshi permanecer acordado. Tal pai tal filho. -Poderiam me explicar o que diabos está acontecendo? A internet simplesmente não para de falar de Izuku Midoriya…- Falou de forma seca, quase que culpando seus pais por alguma coisa. Era justo.                   Shinsou Hitoshi foi adotado por Aizawa e Yamada a alguns anos atrás, seu antigo lar adotivo não era um lugar muito bom para crianças e ao saber que o garoto era maltratado, eles acabaram por acolher o garoto, que antes mesmo de conhecer Aizawa já tinha um péssimo habito de tomar café e tinhas olheiras que rivalizavam com o herói apagador.                  -Vamos conversar sobre isso amanhã... Já está tarde. Os dois cama. - Ordenou Mic, obviamente mudando de assunto.                  Shouto já estava se sentido culpado demais e sobrecarregado, tanto por Izuku Midoriya quanto por sua consciência ao ter feito aquele garoto quebrar ao ponto de cometer assassinatos para se sentir seguro novamente, claro, isso não justifica que o que ele está executando agora e correto, mas poderia ter sido evitado se ele fosse um pouco melhor.                  Mic se levantou, deixando seu copo sobre a mesinha e logo foi andando junto ao seu filho para seu quarto. Aizawa bufou. Se ergueu e andou em direção ao banheiro, um banho gelado poderia o alegrar, mesmo que apenas um pouco.                                     De contra partida. A Academia U.A em plena madrugada estava com o caos espalhado. Havia repórteres em todos os lugares, entrada, vagando pelos campuses, mesmo sendo arrastado de volta para a área que era permitida e gravações e berros. Mesmo distantes do prédio principal os alunos estavam olhando pela janela.                  A sensação que eles tinham foi sumindo aos poucos, mas mesmo assim, suas mentes se sentiam culpados, Izuku estava tão indefeso na gravação que vazou e na reportagem, mas o que realmente mexeu com eles foi o desespero do Midoriya ao ser arrastado para dentro do portal. Não tinha como fingir aquilo.                  Bakugou havia se cansado daquela m***a toda e decidiu apenas ir dormir, ele já havia perdido pelo menos duas bolas ante estresse. Para ele e seu terapeuta, que infelizmente concordavam que aquilo era uma tentativa inútil de conter sua raiva. Não demorava um ou dois dias para ele perder outra, tinha dias que ele estourava varias. Todo seu dinheiro, pode se dizer, era convertido nessas bolinhas de apertar.                  Do lado de fora, reunido com todos os alunos da turma A e B, discutiam calmamente sobre o que estava acontecendo com a U.A e o que eles iriam fazer. A escola estava se afundando lentamente e conhecendo Nezu como ele é, agora isso virou assunto pessoal.                   Ao longo dos anos de estudos, todos os alunos perceberam que o roedor(?) começava a ser mais agressivo com os humanos, não de forma direta, mas indireta. Ele vivia mudando o interior da U.A ao decorrer dos anos, obviamente, para fazer os humanos se sentirem num labirinto e a principal característica que marcou todos os alunos da 3-A e 3-B foi que se mexer com essa escola, Nezu, irá retalhar, de uma forma ou de outra. O roedor(?) realmente ficara possesso com isso.                  -Abelhas...? - Sussurrou Jirou ao começar a ouvir um zumbido. Discretamente a garota levou seus fones de ouvido para cima e ouviu suavemente o Zumbindo ficando cada vez mais alto, não era apenas uma abelha, eram várias abelhas.                  -Jirou? -  Perguntou Momo se virando para ela.                  Jirou não precisou responder, todos os alunos ao virar já encontravam um enxame considerável de abelhas voando pelas redondezas dos dormitórios, elas iam de um lado para o outro, flutuando e girando em torno de janelas e portas, era estranho essa quantidade absurda de abelhas.                  -O que elas estão fazendo? - Perguntou Monema ao tentar se aproximar de uma delas, a abelha simplesmente subiu e voltou sua atenção para o prédio. -Estão à procura de mel? -                  Koda se aproximava de uma das abelhas e tentava conversar com elas, para entender a situação, sem antes fazer um sinal para os demais estudantes recuarem, caso as abelhas tentassem atacar. Sussurrando e murmurando ele nunca obteve uma resposta. Suspirando-o apenas decidiu se afastar.                  Com algumas pequenas faíscas cada abelha começou a explodir, uma atrás da outra. Barulhos ensurdecedores começaram a ecoar pelo lado de fora enquanto os dormitórios, um a um, entravam em chamas e surgiam grandes buracos, que aos poucos, começavam a desmoronar, indo lentamente para o chão. As abelhas continuavam a explodir ao ponto de uma enorme fumaça cinza tomar os céus daquela noite, uma sirene logo começou a tocar e o silêncio entre os estudantes era grande, Todoroki tomando a dianteira na situação congelou ambos os prédios, mas o estrago já estava feito.                  -Bakugou ainda está dentro! - Berrou Kirishima, seguido novamente de uma grande explosão que arremessava o loiro para fora, seus olhos estavam vermelho de puro ódio enquanto seus cabelos amarelados estavam acinzentados. O gelo começou a se partir e novamente as abelhas que voltavam a chegar partiam o gelo em novas explosões.                   -QUE p***a TA ACONTECENDO? - Berrou Bakugou olhando as explosões.                  Antes que todos pudessem argumentar, o enxame de repórteres começou a correr naquela direção, os professores desesperados viam na frente para entender a situação e com aquilo, as abelhas que sobraram começavam a voar para longe. Sirenes davam para se ouvir aos fundos. U.A entraria em todas as emissoras negativamente pela terceira vez naquela noite.
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