TRÊS: Você é Quem Diz Meu Preço

3732 Palavras
Quando Jeonghan desceu pela garganta o último gole da cerveja, sentiu o chão afundar sob seus pés, a mesa parecia curvar-se em um buraco, sabia que já era hora de abandonar a mesa, Taeyong sempre detestou que os filhos chegassem bêbados em casa, já ouvira seu pai dizer que isso fazia o omma da família lembrar de um episódio de quando ainda não eram casados e ele chegou em casa bêbado de um aniversário. Ainda faltavam dois anos para que Jeonghan saísse de casa, mas o loiro precisava confessar que pretendia sair antes de chegar a famosa “fase adulta” dos alfas. Nunca entendera o motivo de esperarem até os 30 anos, sendo que até mesmo os ômegas se casavam e saíam de casa antes disso, as pessoas costumavam dizer que ômegas amadureciam mais cedo, que poderiam se considerar adultos aos 20 anos e já prontos para assumirem compromissos sérios. Alfas demoravam mais para pensar em uma união, se casavam com o dobro da idade dos ômegas. Mas ainda haviam os que contraíam união mais cedo, pois não se davam muito bem com a questão de terem que se virar sozinhos. Alfas normalmente só sabiam cozinhar o básico, o que se resumia em assar coisas em uma fogueira, que não ficavam muito apetitosas. Alfas normalmente eram desorganizados com suas próprias coisas, viviam se machucando e mesmo que não admitissem em voz alta eles precisavam dos ômegas, se matariam caso vivessem apenas entre alfas. Ômegas traziam paz e ordem na bagunça que os alfas eram. Jeonghan pensava em se casar cedo, em ter dez filhos e uma casa bem grande, seu omma, Taeyong, sempre dizia que alfas só desejavam muitos filhos porque nunca foram eles o que pariam. Jeonghan tinha mais quatro irmãos, cresceu em uma casa cheia e queria que seu futuro fosse da mesma forma, com uma casa lotada de crianças correndo por toda parte e o chamando de pai. — Calma, irmãozinho, pega leve com a cerveja, seus adoradores podem não gostar do bafo de bebida. — Mingyu, seu irmão mais velho, batera com pouca força em seus ombros, mas o suficiente para o balançar. — Eu não tenho adoradores. — o alfa loiro se desprendera do meio abraço do irmão, não gostava da forma grudenta que Mingyu ficava quando bebia, não precisava nem que o mesmo ficasse bêbado, Mingyu ficava grudento no primeiro gole, era como quebrar uma pequena trava que havia dentro do futuro líder da alcateia — Pare de me abraçar, Mingyu. — Você gostava dos meus abraços quando éramos garotos. O mais novo olhou para o lado e ignorou qualquer outro comentário que fosse, nem sempre era bom relembrar o passado, nem toda juventude é composta por coisas das quais as pessoas se orgulhavam. Jeonghan gostava de beber com os amigos, mesmo que a maioria só parasse quando o chão e o sono os abrigavam. Um beta que servia as mesas passou pelos mesmos, enchendo o copo vazio de Seokmin, que era provavelmente o m****o do grupo que mais demorava a ficar bêbado, mesmo que bebesse mais rápido que qualquer um, as pessoas costumavam dizer que Seokmin era um alcoólatra profissional que nunca perdia completamente os sentidos, ele próprio dissera que nem toda a bebida do bar o deixaria inconsciente. Quando beta em questão se afastou da mesa, um dos braços do alfa lúpus o segurou e sussurrou coisas para ele, ambos viram quando o rapaz pareceu se envergonhar, mas assentiu com a cabeça e saiu. — Pensei que estivesse apaixonado. — Mingyu comentou assim que o beta sumiu no meio das demais pessoas. — Paixão nunca encheu a barriga de ninguém. — o Wu respondeu com um sorriso sacana em seu rosto, ainda procurava com os olhos para onde o beta bonito havia ido — Quer dizer, no máximo enche com um bebê. — Precisamos ouvir a voz da razão! — o futuro líder ergueu sua caneca, um tanto animado demais, ou apenas debochando da tal paixão que sequer passava de um interesse na beleza alheia — Seokmin, voz da razão, sempre disse que meu amigo é um homem sábio! — Mingyu, você está bêbado. — Jeonghan comentara, mas já se sentia tão tonto ou até mais que o irmão. — Estou apenas brincando, Jeonghan, você sempre foi o mais chato da família, eu devia ter chamado o Baek Ho. — Baek Ho tem 15 anos, se lhe desse bebida omma te mataria. Jun Hui estava em um canto da mesa, até então não dissera nada, parecia pensar, coisa que qualquer um estranharia, o Wu não era do tipo que tirava tempo para refletir. Recebia empurrões hora ou outra de seu irmão, que queria que o mesmo voltasse a soltar as piadas que tanto os divertia. Era provável que o segundo filho de Wu YukHei já estivesse bêbado demais para notar que estava em silêncio. Avistara um homem entrar no bar e sentar-se em uma mesa mais ao canto, acompanhado de um alfa loiro, seus olhos se fixaram no mesmo, ele sempre exalava raiva quando o avistava, mesmo que sequer pudesse julgar seu motivo como algo válido, pois seu próprio noivo havia dito isto antes “Você não tem o direito”. — Ainda não superou isso, irmão? — Seokmin perguntara assim que notou a forma como Jun Hui encarava o rapaz. O mais novo bebera mais um pouco, inquieto. — O que? Eu não me importo. Mas era mentira, todos sabiam que importava e muito. Jun Hui tentava negar o quanto o envolvimento de MingHao com Kim Youngmin mexeu com ele. Em dias normais o xingaria, mas evitava fazer isso na frente de Mingyu ou Jeonghan, em vista de que os mesmos eram primos.  Há alguns anos Youngmin jurou amor a MingHao, mas a marca de Jun Hui não quebrou e os dois foram obrigados a se separarem. Ainda havia mais alguma coisa ali, algo que o alfa Wu nunca soube o quê, mas ele sabia que o motivo de MingHao o odiar tanto, ia bem além da marca. Ele também sabia que seu noivo não era mais puro, ele havia se entregado a Youngmin e mesmo que tenha sido algo sofrido para o ômega, ele havia jurado para Jun Hui que não deixaria que o Wu tomasse de si sua pureza, que isso seria algo que pertenceria para sempre ao homem que amava. Isso só fez com que Jun Hui odiasse ainda mais Youngmin. — Já deu a minha hora. — Mingyu se ergueu da mesa, estava meio tonto, mas ainda poderia dizer seu nome e seu endereço, não era como se estivesse realmente caindo de bêbado, precisaria de muito mais para perder a noção de seus próprios atos. Poderia se dizer apenas que o Kim estava alegre e provavelmente carente. — Ainda é tão cedo, nem passamos do terceiro barril. — Jeonghan, que não seguira com o plano de parar, tinha sua caneca enchida novamente. — Algumas pessoas trabalham cedo amanhã. — o mais velho dos Kim respondeu, bagunçando os cabelos longos do alfa loiro — Inclusive você, sem atrasos, irmãozinho. O filho mais velho dos Kim deixou o bar, a noite estava terrivelmente quente, especialmente para os alfas, donos de peles mais grossas, mas o clima daquela noite poderia ser considerado elevado demais até mesmo os ômegas com as peles mais finas. A bebida sempre o deixava mais carente, necessitado da presença de um ômega ou beta bem quente, há tempos não se relacionava com mais ninguém, seu lobo se sentia sozinho e necessitado de um carinho mais íntimo. Já era tarde e seu cheiro estava forte pela bebida, se batesse na janela de qualquer um que tenha sido seu amante, facilmente seria notado pelo pai do mesmo. Se dirigira até as ruas mais escuras, aliás, propositalmente escuras, onde metade das tochas permaneciam apagadas, sabia muito bem o que poderia encontrar ali. Haviam muitos ômegas e betas espalhados por aí, a maioria coberto com mantos escuros para esconder seus rostos, alfas costumavam escolher pelo cheiro. Um cheiro em especial chamou sua atenção, era doce e ao mesmo tempo carregado por um sentimento de ansiedade e insegurança, a tal fragilidade que os alfas gostavam de sentir em seus parceiros ômegas, Mingyu não era do tipo que procurava um parceiro fraco, mas cheiro de fragilidade indicava ômegas que poucos haviam tocado e alfas carregavam aquele pensamento e******o de querer parceiros que não tenham se relacionado com muitos. Parou ao seu lado, havia uma cabeça de diferença em ambas as alturas, mais que isso, inclusive. — Quanto você cobra? — perguntou parado ao seu lado. O ômega ergueu os olhos, revelando partes de seu rosto, o pouco que vira era claramente belo. — Fique comigo e diga o senhor o quanto vali para ti. Usara de pouca delicadeza quando ergueu o queixo do menor para poder olhar seu rosto, era belo, extremamente belo e estranhamente familiar. Aqueles olhos escuros pela noite pareciam já ter os encarado antes, aquele mesmo cheiro parecia já ter passado por suas narinas. O conhecia, mas não lembrava de onde. — Venha comigo. O ômega ajeitou a capa sobre sua cabeça e o acompanhou. A cabana em que Mingyu vivia era um pouco longe, mas ninguém falou nada pelo caminho. Lee Wonwoo exalava seu medo do que estava acontecendo, ele não queria ter que estar passando por aquilo, mas era preciso, ele precisava pagar um médico para seu irmão ou ele acabaria morrendo e Wonwoo não saberia viver sem Jihoon, precisava cuidar de seu irmão, era a sua vez de fazer isto, mesmo que custasse a única coisa que a miséria ainda não tinha tirado, sua dignidade. — Me espere no quarto. O alfa apontou para uma porta em questão assim que entraram na casa, o Lee o obedeceu e seguiu caminho até o cômodo. Não ficou para ver o que o alfa estava fazendo, mas Mingyu foi para a cozinha e lavou o rosto, tentando se manter completamente acordado, impedindo que a bebida mexesse com sua cabeça, repetiu seu nome e o nome de seus irmãos em sua cabeça, ele ainda estava sóbrio. Já dentro do quarto encontrou o ômega da mesma maneira que havia entrado, estranhou, normalmente os ômegas já despiam enquanto esperavam. Se aproximou do mesmo, puxando o laço da parte de cima de suas roupas, deixando frouxo para que pudesse ser tirado. Desceu sua mão até a cintura do mesmo, o nariz do alfa percorria o pescoço alvo do menor. — Seu cheiro é bom. — ele disse — Cheiro frágil, afoito, está com medo de mim, ômega? — sussurrou rente a pele do mesmo, as palavras eram quentes e faziam com que se arrepiasse. Mas Wonwoo não respondeu — Relaxe, eu não vou te machucar.   O mais alto se afastou apenas para tirar a própria camisa, ela cheirava a bebida, havia derramado um pouco em si mesmo mais cedo. O corpo de Kim Mingyu era bonito, forte como normalmente o corpo dos alfas eram, enfeitado por cicatrizes causadas por brigas ou caçadas, algumas pelas brincadeiras perigosas que os alfas faziam com o intuito de se divertir, mas que nem sempre acabavam bem. Bonito, de fato, um alfa bonito. Com os dedos o mais alto puxava a roupa do ômega, deixando a pele de suas coxas exposta. Ele era alvo e sem nenhuma mancha. Conseguiu o que queria, tirar a túnica que o menor vestia o deixando completamente da forma em que veio ao mundo, em épocas quentes ninguém usava roupas de baixo. Empurrou o Lee, ao qual sequer perguntara o nome, sobre a cama, o mesmo parecia envergonhado e não o olhava nos olhos, coisa que incomodava. Mingyu abriu sua calça, que era justa ao corpo e moldava bem o m****o e******o do mesmo, a imagem daquele ômega despido o deixava assim, o corpo de Wonwoo era bonito, sinais pequenos pepinavam sua pele na parte do tórax, era charmoso, Mingyu poderia dizer. O alfa puxava sua calça para que a mesma pudesse ser retirava, era um pouco difícil, apertada demais, precisava perder essa mania de se vestir assim, atrapalhava muito. Seu corpo se estendeu sobre o do ômega, que se arrastava para o meio da cama, as pessoas costumavam dizer que a cama era o objeto comprado com mais cuidado pelos alfas, eles a usavam muito. A cama de Mingyu era grande, poderia caber facilmente três ou quatro pessoas ali. A boca do alfa se moldara em seu pescoço, sentindo o gosto salgado de sua pele, o ômega sentia vontade de ronronar com aquele toque, fechava seus olhos aproveitando a sensação. Mingyu o tocava sem brutalidade, parecia calmo, aquilo não estava sendo tão r**m quanto achou que seria. As mãos grandes do Kim desciam por seu tórax, finalmente afastara o rosto de seu pescoço, o olhando, mas Wonwoo desviava o olhar a toda hora, as bochechas vermelhas indicavam vergonha. Mas Mingyu segurou seu rosto o obrigando a olha-lo, então o alfa o beijou, enfiando sua língua dentro da boca do menor, o beijo de Mingyu tinha gosto de bebida, era amargo, mas não era r**m. Não, não era r**m, o fazia se sentir arrepiado e suas boas não se desgrudaram mesmo quando o alfa passou a se mexer, se enfiando entre suas pernas. Não segurava mais seu rosto, mas Wonwoo não tentou se desviar, continuava a trocar os sabores das bocas com o alfa, que agora o apertava pela cintura. Soltou um gemido abafado quando sentiu-se sento tocado nas nádegas, as mãos do Kim se enfiavam por baixo de seu corpo e apertavam seu bumbum, amassando sua pele. Suas bocas se soltaram e o mais alto lambeu seu pescoço mais uma vez, como se estivesse necessitado em sentir mais uma vez o gosto da pele. — Meu nome é Mingyu, ômega, chame por ele. — sussurrou. — Mingyu. — o ômega disse. — Faça melhor. — Mingyu... — veio em um sussurro arrastado, quase um gemido. A lubrificação do ômega escorria pela cama, ele estava e******o, coisa que assustava até mesmo o menor, que não entendia como seu corpo poderia se sentir tão confortável e à vontade com aquele alfa. Aquele nome, aqueles olhos, eles já se conheciam, ainda era muito pequeno, mas lembrava de ter conhecido um alfa chamado Mingyu na infância, todavia, não tinha certeza se era mesmo aquele. — Relaxe, ômega. O alfa se ajeitara entre as pernas, as deixando mais abertas, o menor se envergonhou e olhou para o lado. — Olhe para mim, ômega. Mesmo a contragosto, o olhou. Wonwoo assistia as feições cheias de prazer vindas de Mingyu enquanto o mesmo o invadia de um jeito nem tão lento, era apertado, coisa que agradava ao alfa. Doeu um pouco, já fazia algum tempo que não tinha contato tão íntimo. Isso era segredo seu e de mais ninguém, Jihoon nunca soube que seu amado irmãozinho já havia sido deflorado por alguém, mas há algumas luas Wonwoo se deitou com uma alfa, mas a mesma desapareceu pouco tempo depois, após descobrir que o ômega não havia concebido. Wonwoo acabou descobrindo por meio de fofocas que aquela alfa era estéril e inconformada com a sua secura, se deitava com vários ômegas tentando de todas as formas ter um filho e provar para si mesma que não era vazia. Quando o alfa o atingiu em um ponto gostoso, o ômega gemeu manhoso sem perceber. No fim das contas estava sendo bom, seu corpo já se encontrava entorpecido pelo cheiro de Mingyu e a atração e desejo que exalava entre os dois, o atrito entre os seus corpos levantava o cheiro de ambos misturados, era bom de sentir a única coisa que poderia embriagar o alfa. — Mingyu... — repetira mais uma vez, arrastado, como o alfa gostava, queria agrada-lo, queria valer mais. Quando o Kim ia mais forte seus corpos provocavam um som gostoso de se ouvir, que se misturava com o rangido da cama, que ainda era nova, aguentava muita coisa. E mais uma vez a língua do alfa explorava o sabor de sua pele, o mordiscava como se quisesse levar um pedaço para si. — Mingyu... — o chamou, clamava na verdade. As mãos do alfa marcavam sua pele, seu corpo era jogado para frente e para trás com força, com velocidade. Logo já se encaixava de outra maneira, agora estando por cima do alfa, que o segurava pelos pulsos enquanto o menor subia e descia pela extremidade de seu m****o. O p*u de Wonwoo pingava e latejava, o tocou e o ômega arfou surpreso, mas era uma surpresa. Ainda o ouviu chamar seu nome outras vezes, cada vez mais rouco. — Olhe para mim, ômega. — ele dizia mais uma vez e já não era tão difícil para que obedecesse, se perguntasse para Wonwoo qual era seu nome naquele momento, ele sequer saberia dizer, só existia um nome que circulava sua mente. — Mingyu... E numa explosão de prazer, o ômega atingiu seu limite e se derramou na mão do alfa, sujando ambos os corpos, em seu íntimo sentia necessidade de se desculpar, mas não conhecia uma só palavra naquele momento, seu corpo estava sensível, entregue, jamais imaginaria que o alfa fosse deixa-lo assim, nem em um milhão de anos. Estava ainda mais apertado depois que gozara, fazendo o alfa chegar mais perto de seu limite. Mas antes que pudesse, o Kim o empurrou para que saísse de cima e indo para a ponta da cama, o mesmo derramou sua semente no chão. A mente de Wonwoo estava anuviada, mas logo ele chegaria a conclusão de que o alfa havia feito aquilo para impedir-se de engravida-lo. Mingyu se sentou na cama, abaixou-se para procurar algo em meio às suas roupas. Wonwoo voltava ao normal, passando a se sentir nervoso assim que todo o t***o se foi, os olhos do alfa mudaram, estavam sérios agora. O Lee passou a se vestir em silêncio, ouvindo o barulho das moedas. Seria assim, Mingyu o pagaria e não mais o veria por um bom tempo, isto é, apenas se o alfa quisesse repetir a dose. Vestiu por completo e colocou a capa sobre seus ombros, logo cobriria também sua cabeça. Viu quando o alfa parou de contar, ele parecia pensar, mas logo enfiou tudo entre de um pequeno saco de tecido vermelho, o estendendo na direção do ômega. — Aqui está o quanto esses minutos valeram para mim. O ômega segurou o dinheiro entre as mãos, se virando para ir embora. Uma tristeza enorme o acomodou, finalmente se dando conta de tudo o que havia feito, ele havia mesmo se vendido, pior, pensava em continuar desta maneira, se sentindo sem saída e com medo de morrer de fome. Seus olhos lacrimejavam e seus passos pareciam ter paralisado, ele estava quase na porta do quarto quando a primeira lágrima rolou por seus olhos. — Está chorando? — ouviu quando o alfa perguntou. — Não. — tentou disfarçar a voz embargada, o nó na garganta apertava. Tentava pensar em Jihoon, estava fazendo isso por ele e por mais ninguém, precisava salvar a vida de seu irmão e aquele era o único jeito. A bolsa com o dinheiro estava pesada, aparentemente ele valia bem mais do que pensou que valesse. Precisava continuar, poderia viver bem assim. Alfas não comentavam sobre os prostitutos com quem dormiam, ninguém iria ficar sabendo. — Então olhe para mim. Mas Wonwoo não olhou. Ficou parado na porta pensando no que faria, deu mais um passo para ir embora, mas antes que pudesse o alfa já estava em suas costas, sentiu quando o mesmo o puxou e o fez se virar, quando o encarou esperou pela raiva, mas o mais alto parecia... preocupado. — Por que choras, ômega? — ele perguntou — Por acaso eu o machuquei? — Não, de maneira nenhuma. — se apressou em responder, queria fugir, mas Mingyu o segurava. — Então me diz, o que está havendo? — os olhos negros repousaram sobre ele, no fundo havia uma tempestades dentro daquelas orbes negras, mas Mingyu não demonstrava violência, ele parecia se importar em saber o que havia de errado — Você não é um garoto de programa, não é? Está aqui por algum motivo, não quer ter que viver assim. Wonwoo não sabia de onde Mingyu tirava essas conclusões, mas aquilo o assustava. Nunca viu um alfa o olhar daquela maneira, como se quisesse resolver seus olhos. As lágrimas desciam grossas e naquele momento Wonwoo se sentiu frágil e fraco, mais do que já se sentira em toda a sua vida. — Eu não queria isso, mas meu irmão está doente, nós não temos mais ninguém, preciso pagar um médico para ele, é a única maneira de salva-lo. — entregou, tremia — Eu o agradeço por ter me tratado tão bem, mas, por favor, me deixe ir embora. O alfa pareceu pensar, estava inquieto, mordeu a própria língua várias vezes, os olhos de Wonwoo o encavam afoitos, o ômega parecia querer sair correndo e por isso o Kim o segurava pela cintura o obrigando a ficar. Houve silêncio por alguns instantes. — Me senti bem com você, me sinto satisfeito. — o alfa cheirou seu pescoço mais uma vez, fazendo com que o Lee tremesse ainda mais — Tenho uma proposta pra você, preciso de um ômega, mas não tenho tempo para procurar casamento. Wonwoo não entendia. — Faça para mim os serviços de um ômega, cozinhe para mim e limpe minha case, lave minhas roupas e o mais importante, — passou — Se deite comigo, apenas comigo, não precisa se vender para mais ninguém, pagarei bem por isso. — Mas isso é... — Será um segredo só nosso, para as pessoas direi apenas que tem me feito trabalho de serviçal, se sentir mais confortável, posso jura-lo que jamais levantarei minha mão contra você. Aquilo tudo parecia assustador, fazer o papel de esposo sem estar casado, era assustador. Mingyu o olhava calmo, mas falava sério, já recebera propostas parecidas, mas sempre vinham de alfas mais velhos e em sua maioria asquerosos, ouvir aquilo de um alfa jovem lhe parecia surpreendente. Mingyu era bonito, não parecia violento e era jovem. Alfas tinham o direito de não querer compromisso e ao mesmo tempo ansiarem conforto. Era sua chance de ter uma vida melhor sem perder sua dignidade e foi por isso que Wonwoo deu sua resposta: — Eu aceito.
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