Eduardo Guimarães...
— Ninguém entra neste quarto, somente eu e você. Vou falar com o Dr. Almeida sobre isso também. Mande o carro dela para peritos e mande alguém investigar na casa da serra se os freios foram mexidos lá. Vasculhe todas as câmeras de vigilância das estradas, das casas vizinhas e da nossa casa também. Quero saber também o que a Aline foi fazer lá.
— Sim senhor! Vou começar agora mesmo!
— Só mais uma coisa. Mantenha sigilo sobre isso, não deixe ninguém saber do acidente e se perguntarem sobre ela, diga que viajou para o exterior para estudar por alguns meses. A minha avó não deve saber, a sua saúde está debilitada, falarei com ela no momento certo.
— Certo senhor! Temos que contratar enfermeiras confiáveis, porque se querem eliminar a senhora, com certeza tentarão aqui também.
— Já pensei sobre isso, vou conversar com o Dr. Almeida e com o obstetra.
Na tarde daquele mesmo dia o chefe da obstetrícia, um renomado obstetra, foi convocado pelo Dr. Almeida e ambos encontraram o Eduardo no consultório dele.
— Boa tarde sr. Guimarães! Sente-se, por favor! Sou o dr. Humberto Magalhães, chefe da obstetrícia.
— Boa tarde dr. Humberto! Creio que o dr. Almeida já deve ter passado o quadro da minha esposa para o senhor!
— Sim, já estou ciente do ocorrido.
— O que o senhor acha? Podemos manter a gravidez da minha esposa, mesmo ela estando em coma?
— Sim, é possível manter uma gestação numa mulher em coma, desde que:... A gestante esteja em estado de coma não terminal, que é o caso dela. A gestação esteja em estágio inicial, até 20 semanas no máximo, pelo que o meu colega me passou, ela está no início, e que não haja riscos significativos para a saúde da mãe. Pelo que li, o problema dela foi todo esterno, tirando a clavícula quebrada.
— Alguns medicamentos já foram administrados nela, pode afetar o bebê?
— Dr. Almeida, me passará o prontuário da paciente, me dedicarei a este caso em especial. Creio que se optarmos pelo aborto, a mãe desistirá de viver, esta criança a está mantendo viva. ... Após alguns segundos em silêncio o Dr. Humberto prosseguiu. ... — Os procedimentos médicos que adotarei são: Monitoramento constante da saúde materna e fetal, controle da pressão arterial e glicemia, prevenção de trombose e infecções, nutrição adequada via parental ou enteral, controle de convulsões, se necessário. Temos que agir dentro da lei Sr. Eduardo.
— Como assim Dr. Humberto?
— No seu caso, não será preciso entrar na justiça, porque o senhor é o representante legal da paciente, sendo o marido dela e quer manter o bebê. Então temos apenas que formalizar a papelada. Os custos para este tipo de procedimento são altos, pelo que vi, o senhor tem condições. Quero que saiba também que pode acontecer, não é certo, alguma complicação.
— Qual Complicação?
— Risco de complicações maternas e fetais, neste caso, teremos que optar por tentar manter os dois vivos ou manter somente a sua esposa.
— Dr. Humberto, caso tenhamos que escolher, de antemão digo que, quero que salve a minha esposa. Mais tarde poderemos ter outro filho. Quero os dois sãos e salvos, mas se eu tiver que escolher, escolho ela.
— Entendi! Deixe esta decisão por escrito e assinado, caso tenhamos uma emergência, e o senhor não esteja por perto, tomaremos a atitude conforme a sua vontade.
— Por favor, Dr. providencie para mim o que o senhor acha que deva ter na declaração, estarei no quarto da minha esposa, peça que me entreguem lá, que assinarei de imediato.
— Pode deixar Sr. Eduardo, Faremos o possível e o impossível para salvar os dois.
— Obrigado! Dr. Almeida e Dr. Humberto, antes de sair, quero discutir algo sério com os dois, peço sigilo absoluto.
Os dois médicos se olharam e balançando a cabeça afirmativamente, fixaram os seus olhos no homem sentado à sua frente, aguardando para que falasse o que o preocupava.
— Tenho suspeitas de que alguém tentou ma*ar a minha esposa. No delírio dela mais cedo ela gritou que os freios não estavam funcionando. Mandei o meu assistente investigar. Ela é muito cautelosa na direção, sei que este acidente não teria acontecido, se os freios não tivessem sido sabotados. Ainda mais sabendo que está gravida.
— Tem certeza disso Sr. Eduardo?
— Ainda não tenho provas Dr. Humberto, mas em breve poderei dizer com clareza o que aconteceu. Peço ao senhor, Dr. Almeida que providencie enfermeiras confiáveis para cuidarem dela no período em que eu não estiver aqui. Quero que elas assinem um termo de sigilo e de responsabilidade, caso aconteça alguma coisa com a minha esposa e o meu filho no horário de cuidados delas, arcarão com as consequências e a mais branda será a cadeia. Colocarei seguranças vinte e quatro horas na porta do quarto dela, somente os senhores, as enfermeiras, meu assistente e eu, temos permissão para entrar, ninguém mais. Mesmo se houver ameaças, ligue-me imediatamente. Em breve trarei a minha avó, minha esposa a ama muito e sei que se ouvir a voz dela, se sentirá bem, neste mundo onde ela se encontra agora.
— Providenciarei essas profissionais, sei quais poderei colocar a sua disposição, são pessoas discretas e não se deixam subornar.
— É isso o que quero. Quem estiver tentando contra a vida da Aline, se souber que ela sobreviveu ao acidente, com certeza, tentará algo enquanto ela está vulnerável, sem poder se defender. Quero saber dos senhores se posso colocar câmeras de vigilância na ala da minha esposa? Quero estar seguro quando precisar me ausentar a trabalho, quando não tiver reuniões, estarei aqui.
— Vou providenciar a declaração de consentimento, para que não haja m*us entendidos futuramente. Pelo que está nos dizendo, teremos que observar atentamente a sua esposa.
— Sim, quero que as pessoas que entrarem na ala dela não estejam de máscara e nem de touca só colocarão após passarem pelos seguranças, colocarei uma câmera logo na entrada. Assim poderemos monitorar melhor. Colocarei um pequeno armário na entrada com as luvas e as toucas descartáveis. As medicações que ela for usar, serão preparadas dentro da ala dela. Diga-me quais são que providenciarei imediatamente.
— Estaremos atentos, pode contar conosco para o que precisar!
— Dr. Humberto, pode providenciar o que for necessário para a minha esposa. Fisioterapeuta, Nutricionista, os medicamentos, os exames, enfim, tudo, tudo mesmo o que for preciso, para que ela saia do coma e volte para casa com o nosso bebê.
— Daremos o nosso melhor por ela Sr. Eduardo. Eu e o dr. Almeida somos amigos desde a faculdade. Escolhemos áreas diferentes na medicina, mas sempre mantivemos contato. E nos encontramos aqui. Eu chefe da obstetrícia e ele chefe do CTI. Levamos a sério as nossas profissões, pode ter certeza, de que o que a medicina puder proporcionar para salvarmos a Sra. Guimarães, não relutaremos em usar.
— Obrigado aos dois! Caso haja alguma coisa, estarei na ala da Aline. Até quinta-feira não terei reuniões, então, estarei ao lado dela, vou trabalhar daqui. Não preciso ir até o meu escritório para resolver algumas pendências. Posso me ausentar por alguns dias.
— Providenciarei uma cama sobressalente para pôr no quarto, assim poderá descansar um pouco durante a noite, ainda não sabemos quanto tempo ela permanecerá no coma.
— Agradeço desde já o apoio de vocês. Voltarei agora para o quarto dela. Se houver alguma mudança, avisarei aos senhores. Com licença!
Enquanto caminhava para a ala VIP onde estava a Aline, Eduardo perdeu-se em pensamentos, tentava assimilar o que ouviu da sua esposa mais cedo. Será que era verdade, não era apenas delírio dela? Será que ele protegeu a pessoa errada por mais de um ano? Como isto seria possível! Se realmente a Aline foi quem o salvou, ele teria que desmascarar aquela que se apresentou como a sua salvadora.
Chegou em frente à porta, parou por um instante, respirou fundo antes de entrar. Foi direto para perto da cama e olhou para a figura que naquele momento não tinha indícios da vitalidade e da beleza que chamavam a atenção daqueles que a conhecia.
Ele sabia que alguma coisa havia mudado no seu íntimo. Não sabia dizer o quê, mas sabia que depois do que ouviu, nada mais seria igual. Segurou a mão fria da esposa com a sua que estava quente, olhou para o seu ventre e sentiu uma emoção que nem sabia que existia.
Ele Seria pai! Eduardo sentiu o seu coração aquecer. Olhou para a mulher que estava praticamente sem vida e não tinha mais as reservas e nem indiferença, não era amor, porém, não sabia o que sentia realmente.
— Prometo a você que descobrirei o que aconteceu com o seu carro e o que realmente aconteceu há treze anos. Tentarei me redimir pelos dois anos em que te ignorei e fui indiferente. Protegerei você e ao nosso filho. O que eu puder fazer para que ele nasça, pode ter certeza que farei!
CONTINUA!...