Julia
Eu não sei se sair de perto do Alessandro foi um alívio ou um caos. Tá, é a primeira opção, mas agora eu tô totalmente ferrada.
Não tenho onde ficar, tô na maior favela do Rio de Janeiro, e ainda por cima enfrentei um bandido.
Eu não tava com medo dele, mas vai que ele puxava uma glock na minha cara.
RY - Ih, mina, cê ainda tá por aqui?
Julia - Tá falando comigo? Não sei quem é você.
RV - Pode me chamar de RV, sou vapor daqui do morro, fiz parte do assalto teu.
Julia - Ah, então foi você? Verdade, eu ainda tô por aqui.
RV - Fé então, qualquer coisa só acionar.
Julia - Eu hein, não vou acionar ninguém. – falo pra mim mesma.
Tô morrendo de fome, e como tenho alguns trocados ainda, resolvo ir no mercado. Eu não sei onde é o mercado, mas vou descobrir.
O céu, tô parecendo mendiga, mas pelo menos tô livre daquele filho da p**a. Encontro um mercadinho e entro; compro uma coca e uma bolacha, e acabo esbarrando em uma moça e derrubo as coisas dela no chão.
Julia - Meu Deus, me desculpa, moça. – falo pegando as coisas dela do chão.
Maria - Não tem problema, querida. – Ela olha pro meu rosto. – Nossa, como você é linda, é filha de quem?
Julia - Muito obrigada. Acho que a senhora não deve conhecer minha mãe — ela morreu há muito tempo.
Maria - Sinto muito, querida. Quer ir lá em casa almoçar? Hoje vou fazer lasanha.
Julia - Imagina, eu me viro por aqui. – Dou um sorriso simpático.
Maria - Que nada, bora logo comigo. Gostei de você; é bom que eu tenho uma companhia feminina naquela casa. – Ela fala indo pro caixa.
Eu que não vou reclamar, né? Tô morrendo de fome e ela parece ser bem legal — e eu gostei dela.
Espero muito que o Alessandro não venha atrás de mim; embora a Rocinha seja longe, vai saber do que aquele velho é capaz. Eu que não pago pra ver, viu.
Maria - Ainda não me falou seu nome, minha linda. – Ela fala pegando as sacolas.
Julia - Meu nome é Julia, muito prazer. E a senhora é Maria, né? Vi o homem do caixa falando. – Pergunto, e ela assente.
Ajudei dona Maria com as sacolas, e paramos em frente a uma mansão enorme. Era lindo, meu Deus.
Maria - Pode ficar à vontade, querida. Vou pra cozinha preparar o almoço; hoje os meninos vêm comer aqui. – Que meninos?
Julia - Eu posso ajudar a senhora se quiser. – Falo indo atrás dela.
Maria - Imagina, só quero ajuda pra montar a mesa; o resto eu me viro. – Ela fala, e eu assinto.