CAPÍTULO 16

1111 Palavras
Quem diria que um erro mudaria minha vida para sempre? Volto um passo, depois outro, outro, até não estar mais lá. Como eu posso, eu contenho os soluços, mas eu não faço nada contra as lágrimas que caem livremente dos meus olhos e nublam minha visão. Eu não quero mais sentir, é inútil. Eu ando por não sei quanto tempo, eu só sei que estou longe de casa e perdida. Chego a uma das rodovias, os carros passam em alta velocidade e o momento está lá. "Não vai doer, faça, eu acho." Eu passo em frente com a intenção de deixar ir, no entanto, os braços se fecham contra mim como pinças e me abraçam contra um peito musculoso. — Eu me deixe, Helena —diz essa voz profunda. — Você deixou. — Reivindico-o entre soluços — Você foi embora. — Eu sei, fiz errado e isso não foi certo. Ele não pede desculpas. Samuel não pede perdão. Por que eu faria? Ele não me deve nada. — Deixe-me ir. — Nunca. Eu viro os braços dele e finalmente deixo tudo sair. Entre soluços e afirmações sem sentido, eu me livrei do peso que carreguei todo esse tempo. E deixo fazer sem fazer queixas. A liberação é tão esmagadora que minhas pernas perdem força e, se não fosse Bruno me segurar, eu teria caído no chão. — Vamos. — diz. Ele me leva para o carro dele e dirige de volta para a cidade. Quero perguntar como me encontrou, onde esteve este tempo, por que não deixou um bilhete ou me ligou? No entanto, estou cansada demais para abrir a boca, então me deito no assento e fico olhando a paisagem. Eu me livrei dele, o que me ajuda a perceber o quanto eu sentia falta dele. — Você não se cuidou, Helena —me repreende — Se eu soubesse que isso aconteceria, eu não teria ido embora. Parece tão zangado que sorrio. Ele se importa comigo, o que é surpreendente. O sorriso desaparece quando percebo o que acontece com as pessoas que me amam. O medo me invade e com ele vem a náusea. — Pare o carro — aviso. Assim que ele para, eu tropeço e me inclino para vomitar o pouco que comi hoje. Quando eu terminar, estou tão exausto que nem consigo me levantar, então Bruno me carrega de volta para o carro. Sou tão fraca que entro e saio de um estado de inconsciência. Ouço vozes a falar, do Bruno e de outra pessoa. As luzes são tão brilhantes que deslumbram os meus olhos, fazendo-me mantê-los fechados. Logo sou capaz de sentir o cheiro de antisséptico. Estou no hospital? Quero levantar, não gosto deste lugar. No entanto, uma mão me empurra de volta para a cama fofa e depois acaricia meu cabelo. Deixei fazer, é tão bom. O sentimento de ser cuidada, amada, não tem comparação. Eu fico lá, relaxada, embora sem dormir completamente. Não quero deixar de sentir aquela carícia no meu cabelo, receio de que não volte a acontecer. — Helena —me chama — Abra os olhos. — Bruno — eu o vejo. Senti muita falta dele, se isso faz sentido. Sua mão continua no meu cabelo, ele não parou de acariciá-lo. — O médico está aqui, ele tem notícias importantes. Inevitavelmente, eu fico tensa. As memórias daquele dia se aproximam de mim com tanta força que temo o colapso. Hora da morte... — Helena —Bruno me chama novamente, me tirando daquele lugar escuro em minha mente. — Olá, Helena. Eu sou o Dr. Moura, o seu médico —cumprimenta o homem mais velho — Você foi admitido por um grau grave de desidratação e um quadro leve de desnutrição. Colocamos soro e algumas vitaminas e minerais para ajudá-la em sua recuperação. No entanto, você deve se alimentar melhor e beber água. — Eu vomito o que como —eu digo. — Temos uma explicação para isso. O obstetra virá para verificá-los e prescrever algo para náuseas. — Obstetra? Verificar-nos? — Está grávida, Helena. — Não, não posso, não... O médico diz outra coisa, mas já não ouço. Memórias daquela noite com Leonardo me invadem; tem sido o único. A minha vida poderia ser pior? — Helena... — Não — eu pergunto. Eu viro as costas para ele para não o ver. Como posso olhá-lo nos olhos? Eu sou uma vergonha, uma mulher fácil que dormiu com um homem que ela m*l conhecia e que agora está esperando um filho dela. Estou grávida. Há um bebê dentro de mim, uma vida. — Helena... — Vai embora, Bruno! E não volte. Eu o ouço soltando um suspiro, seu corpo pesado se levanta da cadeira e fecha a porta atrás dele. O primeiro soluço sai quando eu ouço o clique da fechadura, e depois que outros seguem, que não param até que eu esteja vazio, olhando do nada. Minha vida foi completamente arruinada. E agora eu carrego o peso de outra vida dentro de mim. Eu não vou ser capaz de fazer isso, não é justo para ele ou ela ter-me como mãe. Não estou dizendo de ter uma vida paterna, não após ter tirado um filho de uma mãe. "Ao descobrir a minha gravidez, tentei equilibrar o caos dentro de mim, procurando controlar o incontrolável, mas nada parecia colocar tudo no seu lugar." Helena. Continuo com o olhar fixo na janela voltada para o exterior, observando as gotas de chuva caírem com força no meio da noite. Estou no escuro, e não estou falando apenas da falta de luz na sala, mas também da minha vida e do que devo fazer agora. Passaram-se algumas horas desde que o médico veio, deu-me a notícia e saiu. A obstetra não veio, e dado o tempo, duvido que ela venha. Não sei nada sobre Bruno, mas não ficaria surpreendido se ele se fosse embora. Quero dizer, expulsei-o. O desejo de colocar a mão na barriga é forte e aumenta com o passar dos minutos. Ser mãe era um sonho que eu tinha antes da morte de Kevin, e agora que foi realizado, parece errado. Estar grávida nunca deve parecer um erro; deve ser uma escolha. O som da a******a da porta me alerta. Eu me viro para ver que ela é uma mulher com um dispositivo que eu reconheço como a máquina de ultrassom, e atrás dela, a figura imponente do meu vizinho, que acende a luz. "Ele não foi, acho que com alívio." — Boa noite, Helena, lamento o atraso. Eu sou a Dr. Lívia—a mulher — aparece. Este homem gentil disse que é teu companheiro, quer que ele fique para o controle?
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