Capítulo 19

2241 Palavras
Hey, don't write yourself off yet It's only in your head, you feel left out (Feel left out) Or looked down on Just do your best (Just do your best) Do everything you can (Do everything you can) And don't you worry what their bitter hearts (Bitter hearts) Are gonna say It just takes some time Little girl, you're in the middle of the ride Everything, everything will be just fine Everything, everything will be all right, all right It just takes some time Little girl, you're in the middle of the ride Everything, everything will be just fine Everything, everything will be all right Jimmy Eat World - The Middle                   E eu escutava Jimmy Eat World, no máximo. Terminei meu trabalho em tempo recorde e sai cedo. Aquele dia iria fazer o ultrassom. Fazia cinco meses que estava grávida. E seria um momento importante para mim. Millie me acompanhou, pois queria saber do s**o da criança e queria ser madrinha. É claro que ela seria. E o mais irônico que Paulo conseguiu a confiança dela. Traidora. Mas, tudo bem. Ele era o pai, mas não significava que iria me casar com ele. Por mais que ele tentasse me fazer mudar de ideia. Mas, se eu estava ficando com ele? Mais ou menos. Ele tentava me beijar eu acabava cedendo. Se eu esqueci Etienne? Um pouco, mas seu sorriso ainda estava guardado na minha memória. Se eu perguntei para Paulo dele? Tentei, mas me calava sempre na hora. Não queria sofrer e não queria magoar Paulo.                     E ele parou com sua SUV em frente a empresa. Parecia que todos queriam saber o que Paulo fazia andando comigo e Millie, sempre que podia. Mas, nós apenas desconversávamos. Dizíamos que nos conhecemos do bar do seu Jorge. O que não era mentira. E bem, que m*l faria ser amiga dele? Ninguém poderia me demitir por causa disso.                           - Pronta para o grande dia? – ele perguntou, sorrindo – Millie, tira o pé do banco, por favor.                 Ela revirou os olhos. Sim ela fazia isso, colocava os pés em cima do banco. Ela estava sentada com os pés em cima do estofado. E retira, com um cara de poucos amigos.                 - Obrigado – Paulo diz – Então, Laura, está preparada?                 - Estou, Paulo...não precisava pagar pelo ultrassom, sabe, eu tenho plano de saúde – eu digo, com um pouco de indignação.                 - Se ele quer pagar, deixa ele, Laura. Afinal, vai ser o pai – Millie diz, olhando para seu celular.                 Quero mata-la agora!                 - Por favor, aceite esse presente. É o mínimo que posso fazer – ele diz, sorrindo para mim e toma minha mão.                 Eu afasto, fazendo uma careta para ele.                 - Não seja difícil, Laura – ele pede, dando partida no carro – Eu sei que você me ama.                 Reviro os olhos.                 - Não, não amo – eu n**o, irritada – E pare de dizer isso.                 Ele ri. E continua dirigindo. Chegamos em vinte minutos do consultório do doutor Marcelo. Entramos e somos atendidos. Marcelo é gentil e conversa comigo.                 - Está fazendo o pré-natal, Laura? – ele pergunta – É importante se cuidar.                 Eu assinto.                 - E já decidiu onde vai fazer seu parto, em qual hospital? – ele pergunta.                 - Acho que vou fazer tudo plano. O hospital é no centro...                 - Não tem que se preocupar, Laura – interrompe Paulo – Eu cuido de tudo para você. Podemos fazer aqui mesmo, nesse hospital. Conheço o doutor Marcelo e ele pode cuidar do seu parto.                 - Mas...- eu fico sem reação.                 - Por favor – ele pede, segurando minha mão.                 E me olha com algo que não sei dizer, esperança? Se ele quer se redimir, bem, não custa deixar que ele decidisse, então. Com tanto que eu fosse bem tratada.                 - Tá bom, Paulo – eu aceito.                 - Vamos cuidar bem de você, Laura – Marcelo garante.                 E fazemos o ultrassom. Na tela, que fica perto da maca, podemos ver a cabecinha do bebê e ele se mexendo. E já sentia meu filho chutar em minha barriga. Gostava daquela sensação. Até Millie parecia emocionada, deixando algumas lágrimas escaparem.                 - Paulo, Laura, vocês consegue ver aqui? – Marcelo aponta na imagem – É um menino.                 Eu nem imaginava ter filhos, mas era bom saber daquela notícia. Fiquei tão feliz, era como se aquela criança já fizesse parte da minha vida. E realmente, fazia. Mudou tudo, de cabeça para baixo. Eu não era mais como antes. Até mesmo estava sendo mais responsável, me cuidando, fazendo exercícios e comendo melhor. Até no trabalho havia reduzido. Queria meu filho fosse feliz. E para isso, precisava ficar calma. Coisa que não era. Eu sempre estava estressada com algo. Mas, eu faria de tudo para me acalmar, somente por meu filho.                 - Isso é uma noticia maravilhosa – diz Paulo, beijando minha testa – Vamos escolher os nomes?                 - Eu nem sei o que pensar – digo, emocionada – É tão pequena essa criança...eu nem sei...                 - Claro, vamos esperar um pouco para escolher – diz Paulo, compreensível. Ele segura minha mão e beija.                 - Ahhh, é tão lindo, Laura – Millie diz, feliz – Poderia ser Leonardo? O que acham?                 Faço uma careta.                 - Não, que tal Pedro? – sugere Paulo.                 Que nome estranho.                 - Não, nenhum dos dois – eu n**o.                 Doutor Marcelo nos olha, com humor.                 - Não querendo ser intrometido, mas acho que quem deve escolher é a mãe – ele diz. Claro, estava querendo me agradar, o bonitão. Tinha olhos azuis mais lindos, que nunca vi na minha vida. E Millie já só faltava babar por ele – Ela que irá carregar essa criança.                 - Isso, alguém me entende – eu digo.                 - Está muito certo, doutor – Millie diz, com uma voz rouca – Laurinha vai ter muito trabalho.                 Doutor Marcelo encerrou o exame e prometeu enviar por e-mail o ultrassom. Millie e Paulo não paravam de discutir os nomes, até que ela disse que ia ao banheiro e já nos encontraria. Paulo passou o braço por meus ombros, beijando meus cabelos e disse:                 - Eu estou feliz Laura...esse é o melhor presente que poderia ter recebido na minha vida.                 - Isso é ótimo, Paulo – eu respondo, sem graça – Assim nosso filho vai se sentir amado...e é tudo que importa.                 Ele para no corredor e me fita nos olhos.                 - Laura, eu só quero que nós possamos ser felizes – ele diz – Começamos tudo errado...mas, percebe que essa criança nos unira? Eu realmente quero que isso dê certo. Quero ser um bom pai – ele coloca a mão na minha barriga, que já estava um pouco volumosa – E quero você comigo, Laura. Eu amo você. Eu não sei como isso surgiu, mas realmente quero cuidar de você. Quero construir uma vida ao seu lado.                 Eu não sabia se queria escutar aquilo. Estava muito vulnerável.                 - Paulo, talvez nós devêssemos apenas nos preocupar com a criança...não precisamos estar juntos, de fato. Ok? – eu digo. Ele parece desanimado com minhas palavras – Não fica triste, eu só não quero pensar em me casar agora, tá bom? Quero apenas cuidar do meu filho.                 Ele assente.                 - Mas, pensa com carinho...em me dar um chance – ele pede. Seus olhos castanhos me fitam com pesar – Quero você Laura. Quero estar contigo, acordar ao seu lado...Eu nunca senti isso por ninguém.                 - Paulo, é só passageiro esse seu sentimento – eu tento racionalizar – Você vai me agradecer por não aceitar ficar contigo. Um casamento não é brincadeira.                 Ele suspira.                 - Eu sei que não é, Laura. Posso ver isso por meus pais – ele diz, acariciando meu rosto – Então, deixa eu te amar, nem que seja um pouco...-ele se aproxima e beija meus lábios. Sou pega de surpresa e não sei se é pela carência emocional, mas retribuo. Sinto o mesmo toque dos seus lábios, da primeira vez que ficamos juntos. E isso era bom. Ele se afasta, colocando a testa na minha – Laura...você sente o mesmo que eu...seu coração está acelerado...eu sei que você sente algo por mim – ele toca meu peito, enquanto fala. E realmente estou com o coração acelerado.                 - Paulo...eu não sei o que pensar – eu digo, sincera – Só não força a barra, tá legal?                 - Eu não vou conseguir resistir em não te beijar, Laura...isso eu não consigo...mas não vou fazer nada que não queira...- ele me beija de novo e eu cedo.                 Nos afastamos e ele me leva até o carro. E ele não para de me beijar, como se precisasse me sentir. Tocava meus braços, minha barriga, meus s***s, meus cabelos. Tudo. E eu não conseguia para-lo. Até que alguém bate no vidro do carro.                 - Oh, casal...Não vão fazer nada impróprio ai – diz Millie, rindo – Dá pra ver vocês aqui de fora.                 Eu me afasto e Paulo ri. Estou morrendo de vergonha.                 - Entra Millie – ele diz, destravando a porta -  Agora me diz, sua amiga gosta de mim, não gosta, Millie?                 - Olha, para ela estar quase engolindo você, provavelmente – ela zomba – Poxa, Laura. Nunca vi esse seu lado não, heim.                 - Para vocês dois – eu digo, entre dentes.                 Eles dão risada.                 - Ah, peguei o telefone do gatinho – Millie diz, mostrando um papel – Eu vou sair com aquele deus.                 - Espera, e o Lucca? – pergunto.                 - A fila anda, bem...ele me deu o fora e eu estou partindo pra outra – ela respondeu, dando de ombros.                 - Mas, Millie, achei que fosse sério.                 - E era, mas ele não queria nada...deixa pra lá, Laura – Millie diz, voltando a olhar o celular.                 E Paulo dá a partida no carro e segura minha mão. E passamos a viagem escolhendo os nomes. Millie olha na internet e diz vários nomes. Até que um me interessa mais: Lorenzo.                 - Lorenzo? – Millie faz uma careta.                 - Parece bom – Paulo diz – E eu gostei. Acho que todo mundo vai gostar, até meu pai. Mas, isso quem decide é você, tudo bem? Se ele tentar dizer qual o nome, seja firme.                  - Eu vou ter que conhecer ele, Paulo? – pergunto – Eu não quero...ele vai me chamar de golpista.                 - Meu pai não faz esse tipo de coisa, Laura. Ele pode não demonstrar o que sente, é o mais provável – ele tenta me acalmar – Fique tranquila. E você se recusa a se casar comigo. Quem iria pensar que você é isso? Eu sei que não é vou cuidar de você. Eu prometo.                 Bem, eu só queria ficar em paz. Mas, ele insistia em fazer aquela visita aos pais dele. Por que fui contar que ele era o pai? Poderia dizer que era algum qualquer...mas o sonho que tive com ele me fez refletir e ver que Paulo tinha o direito de saber, pelo menos. Eu só não imaginava que ele iria querer tudo. E parei para refletir, enquanto subia as escadas para meu setor, que ele era bem controlador. Não estava gostando disso.                 - Como foi, Laura? – perguntou Ana – Como está nossa bebe?                 Ela estava dizendo isso o tempo todo. Nosso bebe. O mascote do Marketing. Todo mundo parecia me tratar muito bem por causa disso.                 - Muito bem. É um menino – eu respondo.                 - Ai, que maravilhoso – ela diz, contente.                 - Parabéns Laura – diz Marina, sorridente, colocando a mão na minha barriga – E o nome?                 - Podia ser Victor – sugere Ana – Seria tão incrível. Vic-tor – ela diz, de forma pausada – Não é demais?                 Reviro os olhos.                 - Parabéns Laura – alguns dos meus colegas dizem, incluso, Diego. Que logo puxou sua cadeira para perto de mim – Laura, não escuta a Ana. Coloca o Ian. Vai ficar bem melhor.                 - Aff, parem já com isso – eu protesto – Já tem nome e é Lorenzo.                 - Ai, que tudo – diz Ana.                 Era seu novo jargão. Ai que tudo. Para tudo, também era outro dos seus jargões. As vezes Ana era estressante. Diego ri do meu estresse.                 - Posso ser padrinho? – ele pergunta, com a voz dengosa – Vai Laura.                 - Não, a Millie já é madrinha – eu recuso.                 - É, não rouba meu afilhado não, filhote de cruz credo – ela diz, da sua mesa.                 - Eu, filhote de cuz credo? E você, seu piolho – ele revida.                 - Piolho? Quê? Vou m***r você! – ela ameaça, se levantando.                 Ultimamente era assim no setor. Diego e Millie se bicavam o tempo todo. E Diego era bonito. Tinha olhos castanhos, tinha uma pele morena e cabelos encaracolados. Mas, Millie não lhe dava qualquer atenção. Desde o instante que ele nunca olhou para ela, sempre a ignorando.                 - Sem brigas, pessoal – Ana interveio – De volta ao trabalho. Vamos.                 E voltamos a trabalhar. E me perguntava, onde estava Etienne, que nunca mais vi na empresa. Mas, não havia o que fazer. Ele havia seguido seu caminho e até mesmo deixou sua camisa na minha casa, nunca mais voltando a manter contato. Aquilo me doía muito, feria de verdade. E quando deu meu horário, eu dispensei ir ao bar da Enseada. Até porque, precisava descansar. Meu bebê não precisava de agito. E desci antes que todo mundo. E quem eu vejo na escada, me assustada de verdade.                 - Etienne? – gaguejo.
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