Capítulo 16

1111 Palavras
Etienne voltou da sua viagem, naquela noite. E fizemos amor, até amanhecer. Ele não parava de falar aquela palavra bonita: Je t’aime. Era tão lindo que eu não sabia o que pensar. Mas tinha algo importante a dizer, por isso, no dia seguinte, fiz ele sentar no sofá da sala. Sentei a sua frente, segurando suas mãos.                 - Etienne, preciso lhe dizer algo importante – eu digo – E vou entender se você quiser partir – Não, não ia, mas deveria ser racional. Ele não podia ficar forçado comigo.                 - O que foi meu amor? – ele pergunta, preocupado – Seu pai está bem? – eu assinto. E realmente ele estava. Abracei ele no dia anterior e fiquei lendo para ele – E sua mãe? – assenti – E você? – eu n**o – O que foi, meu amor? Aconteceu algo? – ele toca meu rosto, com carinho.                 Sinto as lágrimas despontarem dos meus olhos. Ele toca meu rosto, beijando meus lábios.                 - Não faz assim...o que está havendo? – ele pergunta.                 - Etienne...eu estou grávida – eu murmuro, sem olha-lo.                 Ele respira fundo, mas não tira as mãos das minhas. Mas, sinto que está tenso.                 - Nossa, isso...bem – ele balbucia – Eu não esperava por isso...é uma notícia boa, pelo menos – ele ri, de bom humor – Mas, vamos precisar cuidar de você, agora, amor. Não precisa chorar. Eu estou com você.                 Ele me beija, nos lábios. Eu o afasto.                 - O que foi? Não quer ter esse bebe comigo? – ele pergunta, inseguro – Eu sei que não sou tão maduro, mas podemos aprender juntos...                 - Etienne, para de falar – eu peço. Ele me fita, assustado – Não é isso. Eu adoraria ter uma família com você. Seria um sonho...mas, esse bebe não é seu.                 Seu semblante fecha e ele solta minha mão. Passa as mãos pelos cabelos. E posso sentir sua dor. Ele parece perturbado.                 - Você...de quem é? – ele pergunta, soturno.                 - Do Paulo – respondo.                 Ele assente, apertando os punhos.                 - O Paulo...- ele diz – Ele sempre fica com tudo...                 Ele se levanta.                 - Onde você vai? – pergunto.                 - Pegar uma água – ele responde, com o tom duro.                 Ele toma a água e coloca as mãos sobre o balcão. Seu olhar a distante e frio.                 - Você estava apenas brincando comigo? – ele pergunta.                 - O que...eu...claro que não! – eu engasgo com as palavras e sinto a indignação subir. Era difícil ver Etienne assim.                 Ele suspira.                 - Eu não sei se consigo acreditar – ele diz, sem me olhar – Há quanto tempo vem escondendo isso?                 - Hum..desde que disse que precisava ir no médico.                 Ele ri, sem humor.                 - Eu pedi para você ser sincera, aquele dia...por que não me contou?  - ele pergunta, irado – Eu não sei se consigo confiar em você...Como posso confiar?                 Ele estava sendo duro demais. Talvez, nosso sonho tenha acabado.                 - Eu não pedi para você confiar. Eu sei que nunca lhe enganei, mas se você não acredita, pode ir embora – eu vocifero, irritada. E sinto uma tontura tomar conta do meu corpo.                 Ele parece perceber isso e se agacha, tomando minha mão.                 - Desculpa, Laura...é...- ele tenta dizer.                 - Não precisa se explicar – eu digo, respirando com dificuldade – Só vai embora.                 Ele se levanta e anda de um lado para o outro. Parece um animal enjaulado.                 - Vai precisar contar para ele, sabe? – ele diz, nervoso – E Paulo...há algo que não disse para você...e peço desculpas...Ele é meu primo.                 Apenas assinto, pois nós dois mentimos. Eu não poderia cobrar nada dele.                 - Eu não vou contar para ele, Etienne – digo – Quero criar essa criança sozinha.                 Ele n**a com a cabeça.                 - Laura, isso não é justo – ele argumenta – Paulo pode ser irresponsável, mulherengo, mas ele gostaria de saber que tem um filho. E não precisa fazer isso sozinha...                 - Ah, não? Mas é o que vou precisar fazer – eu retruco, com sarcasmo.                 - Laura, pare de ser teimoso – ele diz, irritado – Não pode fazer isso...não pode excluir ele disso. Eu não desejaria isso para ninguém.                 Eu n**o com a cabeça. Não iria envolver Paulo nisso. Eu nem ao menos sentia algo por ele. Talvez, amizade, eu não sabia.                 - Laura – ele diz, agachando e tomando minha mão – Como seu amigo, eu peço que reconsidere. Não faça tudo sozinha. O nome dele poderá lhe oferecer p******o e esse filho terá todo o apoio. Inclusive meu.                 - Mas, eu não terei seu amor, não é? – eu pergunto, sentindo minha garganta fechar.                 Ele me fita e parece sofrer em silêncio.                 - Eu não sei se posso ficar assim – ele diz, com pesar – Paulo já me tirou alguém uma vez...e isso não foi fácil de digerir. E dessa vez, fui eu que tirei você dele...                 Espera o quê?                 - Espera, você se envolver comigo por interesse? – vocifero.                 - Não, não Laura. Eu não soube me expressar...-ele tenta dizer, mas eu levanto e me afasto.                 - Como pode, Etienne? – eu exclamo, irada – Eu não acredito que fez isso de propósito. Eu não me importava que nossa relação seria segredo, ou que eu não soubesse de você totalmente. E não me importo de saber que Paulo é seu primo, mas me usar desse modo, para feri-lo...isso é c***l.                 Ele anda de um lado para o outro, apertando os punhos.                 - Eu não me aproximei de você por isso, Laura – ele justifica, olhando para mim, de forma sério – Não sou assim...mas, era como se fosse? Entende. Era como se pudesse me vingar pelo que ele me fez...Mas, o que sinto por você não tem relação com isso.                 Eu apenas fecho os olhos. Eu não sei se poderia confiar nele. Se ele não confia em mim, eu não poderia.                 - Etienne, acho que quero ficar sozinha – eu murmuro – Pode ir embora?                 Ele assente, pegando sua mochila. E sai. Eu sento no chão, sentindo meus sonhos se esvaírem. E achei que mudaria a minha vida ao lado Etienne, assim como quando conheci Paulo. Mas, talvez não fosse assim. E lembrei do que meu pai disse, uma vez: "Quando você sonha com algo ou alguém que está além do seu alcance e quer que sua vida mude, Laura, talvez é você que precise ser a mudança. Não sonhe que alguém posso mudar sua vida. Apenas seja mudança em sua vida, minha filha".  Sequei minhas lágrimas, lembrando do que ele me disse. Ele tinha razão. E eu precisava seguir adiante e ser a mudança que desejava.
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