Visitas Pela Manhã

1070 Palavras
Juntei as roupas sujas de Zoe que estavam amontoadas em uma cadeira no canto oposto da escrivaninha e sai do quarto, procurando qualquer coisa que fosse mais parecida com uma lavanderia. Era estranho o modo como muitas das coisas em Miriad se pareciam com coisas Terrenas. Geralmente, os móveis eram 57 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. sempre mais requintados e luxuosos, mas não exatamente diferentes. Claro, fora o fato de que tudo era adaptado para formas de vida que controlavam elementos entre outras coisas. Eu me perguntava se quando eu fosse desbloqueada, eu iria poder lavar roupas sem precisar de uma máquina ou estourar pipoca sem precisar de um micro-ondas. Toda a minha parte Falange estava bloqueada por algum código vodu que ninguém conseguia decifrar, mas alguns dos sentidos que eu deveria ter já se mostravam mais sensíveis desde meu primeiro toque real com a Esfera , no Julgamento. Por exemplo, eu podia jurar que naquele exato momento, alguma coisa estava me dizendo que deveriam ser umas dez ou onze horas d a manhã, e que aquela porta estranha no fim do corredor deveria levar a algum lugar úmido o suficiente para comportar alguma máquina de lavar roupas. O que se provou correto. E o que fez meus cabelos se arrepiarem. Okay, nada para surtar. Poderosa como a Liga da Justiça, lembra? Assimilar primeiro, ter um colapso mental depois. Claro que isso não era preocupante. Eu era o tipo de garota que vivia tropeçando nos próprios cadarços. Qual o m*l em de repente ter o controle sobre os quatro elementos? Nenhum, realmente. O espaço não era apertado, como o de minha casa no rio. Tinha um leve cheiro composto de pinho e pêssego, e era clareado por duas enormes janelas de vidro moldadas sobre a pedra polida na parede leste. Meus olhos encontraram a paisagem rasteira esverdeada por de trás do vidro transparente, e a sensação estranha de conexão me dominou. O bosque parecia ter sido pintado em tons de aquarela, e as árvores grossas com troncos atrofiados tinham ramos extensos, que criavam um teto folhead o sobre a casa. As folhas verdes balançavam no ar em sintonia com o vento, e um sussurro calma da natureza fluía musicalmente até mim, cobrindo me como um manto e me fazendo sentir mais leve que uma pluma sendo levada por uma ventania de verão. A sensação foi substituída por uma onda quente subindo como a ponta de um dedo indicador pela minha espinha, pontuando arrepios por meu pescoço e se detendo nos cabelos da nuca, ao mesmo tempo em que o cheiro de madeira quente e couro subia a minhas narinas. 58 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. Ressabiada e petrificada, logo senti o toque gentil em minha cintura, que me obrigou a arquear o tronco de forma pitoresca. — Você parece muito concentrada em alguma coisa. Estava pensando em mim? Oh, por todas as mães de bebês. Ele realmente estava ali. Seu hálito fresco e quente empurrou alguns fios de cabelo para meu rosto, e meu coração se debateu dentro do peito, como se não houvesse espaço suficiente dentro de minha caixa toráxia. Um silvo fino escapou por meus lábios, e fechei os olhos por um in stante, visando acalmar a maré de sensações que se acentuaram a boca de meu estômago mediante a presença de Eron. — Por favor, me diga que você está usando camisa hoje. Pude sentir o riso inesperado chacoalhando seu peito. — Que tal dar uma boa olhada? — C-como você entrou aqui? — a b****a de repente gaguejante perguntou. — A porta estava aberta. Eu meio que... me convidei. Eu quase ri. Teria rido, se não houvesse uma mão infernalmente quente em minha cintura. — Oh, sim. Tia Peg realmente me deixaria sozinha em casa com a porta dianteira aberta. — Oh, você estava falando sobre a dianteira? Eu estava falando sobre essa porta aqui. O riso escalpou de meu peito. Maldito Eron. Joguei as roupas em cima da máquina, rapidamente me livrando do pensamento de devolver as roupas naquele dia e me virando para ele. Um toque de ressentimento misturado á uma sensação de alívio correu por minha garganta ao reparar que ele não estava sem camisa. A regata branca e familiar cobria seu peito cor de caramelo, deixando as três garras no pescoço e o tribal escuro que descia pelo braço direito á mostra. E, Oh, querida deusa. Aquela maldita calça escura que se ajeitava em todos os malditos lugares completamente errados de se olhar. 59 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. Seus olhos verdes como luzes num pinheiro de natal eram elétricos, como costumavam ser a maior parte do tempo, e algumas mechas do cabelo preto como a meia-noite caíam sobre os cílios longos e escuros. Ele meio que se parecia com... um pedaço de chocolate. O último do mundo todo. Um pedaço ambulante de chocolate com pernas completamente comestível. Absurdamente namorável. — Sabe, eu gosto da forma como você me olha. — ele disse de repente, completamente ciente de meu olhar três dimensões sobre cada parte sua — Como se estivesse me saboreando com os olhos e estivesse gostando muito do gosto. Meus olhos se puxaram para o seus, e um calor incandescente se alojou em minhas bochechas. — Hum. Também é delicioso ver você corar. Você fica completamente beijável. Entortei minha sobrancelha para ele. — Isso tudo é uma tentativa de tornar o “me desculpe por ontem á noite” mais aceitável? Ele cruzou os braços, se recostando no batente da porta. E eu quase vacilei pela forma como os seus músculos se inflaram com o movimento. Manobra evasiva! Olhe para qualquer outro ponto. Rápido! — O quê? Eu fiz algo que lhe desagradou ontem á noite? Para falar a verdade, minha intenção era fazer completamente o contrário disso. — Você sabe sobre o que estou falando. Você... se desconectou. Fechou sua mente. Porque não me queria lá? Eron desviou os olhos. E eu realmente vacilei. Eron não era do tipo de desviava os olhos. — Você não precisa ter sua mente traumatizada por batalhas agora, Eve. Garanto que você terá muito tempo para se familiarizar com elas depois. Sua noite foi o suficientemente agradável, e eu não precisava que ela fosse ainda mais arruinada por acontecimentos chateantes. Eu engoli em seco. Ele tinha um ponto. — E você vai me contar o que aconteceu?
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