Fome

1895 Palavras
— Basicamente? O que sempre acontece. Você terá de se acostumar á isso, Eve. Miriad é um alvo. É normal que os Portões sejam atacados com insistência, 60 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. mesmo que o único episódio em que isso tenha dado certo tenha sido durante a Grande Revolta. — seus lábios se comprimiram ao relembrar o acontecido. Eron geralmente se fechava sobre o assunto, que também costumava me render grande repulsa. No mesmo dia em que seu pai marchara até Miriad, para aniquilar toda a facção da Luz pela suposta morte de Eron, minha verdadeira mãe abriu os portões de Miriad para ele, porque ela era uma espiã. Por que ela era das Trevas. Suspirei, receando o rumo que a conversa havia tomado. Nenhum de nós estava pronto para ela. — Eu sei, é só que... você não precisa tentar me proteger de tudo. — torci os tornozelos, baixando os olhos para as mãos — Foi... decididamente r**m ficar pensando no que poderia estar acontecendo ontem. O sorriso malicioso se abriu suavemente em seu rosto novamente. — Você está querendo dizer que estava preocupada comigo? — Você é um i****a. Ele me seguiu. — E você está terrivelmente e obcecadamente apaixonada por mim. Vamos lá, você já pode dizer. Eu grunhi. — Vai sonhando... eu nunca vou dizer isso. — Não me faça provar que você está errada. Depois de alguns corredores e um lance de escadas, finalmente estávamos na cozinha. A cozinha de minha casa Terrena, era toda metálica, e um enorme balcão de granito a cortava ao meio, onde banquetas se alinhavam disciplinadamente ao longo das duas pontas. Mas ali, a cozinha era de uma madeira fosca e reluzente, aderida ás paredes cinzentas pelos três cantos das paredes, e uma longa e bonita mesa de mogno entalhado se estendia pelo centro do piso polido, onde uma longa toalha de crochê recriando pétalas de crisântemos se encontrava estendida. Uma jarra de suco de plástico estava posta sobre ela, e as sementes de laranja nadavam no fundo. As lamparinas no teto eram redondas, semelhante á bolhas amareladas, como as luminárias da Academia. O ar era acolhedor, lustrado e familiar. De algum modo, eu sentia como se tivesse passado minha vida toda ali. 61 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. Droga, pelo que bem sabia, eu havia nascido ali. A lembrança só me fez recolher todos os sentimentos abstratos de conforto para um lugar recolhido e esquecido dentro de meu peito. Eron se esparramou em uma das cadeiras da grande mesa enquanto em me sentia perdida em meio á grande cozinha. Ele atraiu um de seus tornozelos por cima do joelho da outra perna e descansou um dos braços musculosos ao longo do tampo recoberto com a toalha de crochê. Ele não combinava muito com toda a simplicidade do lugar. Se algum dia alguém me dissesse que eu teria um cara daqueles na minha cozinha... bem, acho que eu teria convulsionado de tanto rir. Lancei meus olhos sobre as portas de madeira brilhantes. — Hãm... você está com fome? Seus olhos desceram por toda a extensão de meu corpo, e um brilho familiar e faminto lampejou por entre as íris verde -douradas. — Morrendo. Minhas bochechas voltaram á corar. Okay. Eu tinha novas pernas bem legais. Tudo bem por mim se ele queria jogar um pouco. A velha Eve teria saído correndo para o quarto e trocado o velho shorts curto demais por alguma calça jeans, mas pelos céus... eu havia assassinado uma grande vaca sem escrúpulos que usava seus poderes para torturar pessoas. Estava na hora de crescer. Mordendo o lábio inferior, ousei dar alguns passos em sua direção, jamais deixando seus olhos. Excitada pela ousadia do que eu estava prestes a fazer, senti meu pulso ecoando em todos os lugares de meu corpo. — Bem, então, acho que nós temos que dar um jeito nisso. — eu disse, torcendo para ter soado sexy o suficiente. O que deve ter surtido efeito. O arrepio quente percorreu cada espaço de pele amostra quando os olhos de Eron brilharam num relance dourado, sua mandíbula se travando ao mesmo tempo em que seus olhos se paralisavam em mim. Era quase desorientador ter consciência do efeito que eu mesma mantinha sobre ele, esquecendo-se de que talvez, eu não fosse a única que ficava tonta quando estávamos tão próximos. Continuei estendendo os passos até ele, e seu peito se inflou perigosamente quando parei à sua frente, me inclinando sobre sua figura estática e estendendo o braço para a jarra de suco. 62 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. — Eu vou preparar um suco para você. — eu disse, os lábios próximos á sua boca. Seus olhos se voltaram tenebrosamente calorosos em direção a eles, para depois subirem á meu olhar. — Garotas malvadas precisam ser disciplinadas, Ev. Você não está favorecendo sua posição. O riso tenso moveu meus lábios, anestesiada pelo calor de sua proximidade. — Eu só pensei em marcar alguns pontos. — Eu nunca disse que você não marcou. Voltei a endireitar a coluna, trazendo a jarra comigo e sentindo o formigamento na sola dos pés se alastrar por todas as partes de meu corpo. — Ótimo! — eu disse me virando sobre os calcanhares, jogando os cabelos por cima do ombro direito e voltando para a pia novamente. Pousei a jarra á minha frente. — O que você vai querer? Bacon com ovos? Sanduíche com pasta de amendoim, pretzels de frango ou panquecas? O calor em minha espinha subiu alguns graus, e meu braço deslizou desequilibrando para o lado, acertando a jarra e a derrubando no chão, ao mesmo tempo em que o hálito quente soprava na pele arrepiada do lado esquerdo de meu pescoço, fazendo ligação com as duas mãos fortes que se apertaram em minha cintura. — Você. — Eron respondeu, me virando para ele. Não funciona assim, Ev... você n******e simplesmente começar isso e depois me dar as costas... As ondas elétricas de calor ressoaram por meus tendões quando Eron me empurrou contra a veirada da pia, o coração pulsando em lugar próximo aos ouvidos quando uma de suas mãos deslizou por minha mandíbula, seus dedos encontrando lugar por entre os cabelos de minha nuca enquanto ele me puxava para ele de todas as formas possíveis. E no próximo segundo, sem hesitar por nenhum momento, uma boca estava na outra, faminta, esfomeada. Sedenta. Eu senti meu pulso, pulando contra todas as minhas veias, e agarrei sua regata com meus punhos, repuxando o tecido de uma forma desastrosa enquanto o puxava para mim, deslizando sobre ele para ter um melhor acesso á sua boca. 63 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. Eron fez um som atrás de sua garganta, e depois de um rosnado profundo que escapou de seus pulmões, as duas mãos desceram febris por meus quadris, a surpresa inundando meu cérebro quando seus dedos se prenderam em minhas coxas, puxando minhas pernas para cima e me prendendo ao redor de seu quadril. Um segundo depois, eu já estava sentada sobre o que achava ser o tampo da pia, e minha razão fugiu para algum lugar que deixou de fazer importância. Mais alguma coisa deve ter caído, por que meus ouvidos registraram o som do vidro se partindo no chão. Mas naquele momento, não havia nada a não ser ele. Suas mãos me puxando em sua direção, e seus lábios devorando os meus como se nunca pudessem ter o suficiente. O choque que seus dedos causaram ao se encravarem na pele nua de minhas pernas, subindo por minhas costas e me puxando para ele, ao tempo em que sua boca descia por meu queixo, traçando uma trilha de fogo por meu pescoço e me obrigando a me contorcer sobre ele, arqueando minha coluna de maneira quase indecente. O tipo de beijo que resumia em partes nada graciosas nossa necessidade um do outro, fazendo com que pontadas de prazer ressoassem numa única melodia por todas as partes mais reclusas de meu peito e do resto de meu corpo. Que me fazia crer que o mundo estava vindo a baixo ou que um incêndio conflagrado nos cercava de todos os lados. As mãos de Eron subiram por baixo de minha camiseta, e reprimi um grunhido interativo quando seus lábios voltaram aos meus, mordiscando -os como se ele estivesse me saboreando aos poucos, bebendo água depois de uma sede terrível. Apertei minhas pernas ao seu redor, e Eron gemeu meu nome, me empurrando até que minhas costas encontrassem a porta que guardava os pratos. Uma lâmpada estourou em algum lugar, e o cheiro de queimado inundou minhas narinas, assim como o som de algo semelhante a um curto circuito invadindo o zum alucinante em meus ouvidos. Oh, Deus... aquilo realmente estava acontecendo. Eron afastou um pouco o rosto, e nossos olhos se puxaram na mesma direção. A ponta inferior da cortina que recobria a janela da cozinha estava chamuscada, e o cheiro persistente de tecido queimado chegava oscilante até nós. Eron expulsou o ar dos pulmões, retirando as mãos de debaixo de minha camiseta e pousando a testa na minha. Retrai a espinha, relaxando meus 64 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. membros e tentando controlar a respiração novamente. Aquilo nunca havia acontecido antes. Pelo menos... não nas duas outras vezes em que havíamos nos atacado feito dois búfalos desse jeito. — Eu... eu não sei o que foi isso. — ele disse de repente, a voz profunda e levemente grave, rouca e inquebrável. — Oh, Deus... eu realmente preciso tirar minhas mãos de você agora se não quiser acabar incendiando a casa toda... Arfei, golfando ar para dentro como nunca. — Eu não sei sobre isso. Desde quando você incendeia as coisas ao seu redor dessa forma tão... inconveniente? — Desde quando você apareceu, eu acho. Oh não, espere. Acho que foi desde quando aprendia a sentir a necessidade estranha de estar com minhas mãos em você o tempo todo. Ou quando descobri o quanto o resultado era bom... Bem, que inferno. Eu meio que queria beijá-lo de novo. Mas ainda assim, não pude deixar de perceber que ele queria exatamente que eu ignorasse isso. E a propósito, ele totalmente estava conseguindo. — Eron... — eu espalmei as mãos sobre seu peito anguloso, cheio de depressões interessantes e extremamente quente, a nota de advertência colorindo meu tom ao mesmo tempo em que eu me arrependia de botar minhas mãos sobre ele. E, Santo Deus... ele realmente estava descendo as mãos pelas minhas pernas. Mordi os lábios, numa tentativa frustrada de me concentrar. Era como tentar ignorar o pavor diante de um ciclone — Não tente mudar meu foco, seu... Oh! Pela deusa... A ponta de seu nariz estava em meu pescoço, desenhando qualquer coisa que deixou de fazer importância quando o mesmo desceu de forma provocante em direção a meu colo, quando fui puxada de todo para a ponta do móvel, de encontro ao seu quadril. Golpe baixo. — Eron... Pare com isso! Temos que... Ah! Conversar... — a última palavra saiu como se estivesse se diluindo dentro de um recipiente cheio de solução ácida, porque, no inferno! Sua mão estava por baixo de minha camiseta de novo, a ponta dos dedos perigosamente próximas ao fecho do s***ã nas costas. Ele grunhiu ao alcançar a peça.
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