Descontrole

1416 Palavras
— Conversar é decididamente uma das últimas coisas que quero fazer agora. Eu me movi, no intuito puramente inocente de me desprender dele para poder pensar com coesão. Oh-oh. Não foi uma boa ideia, considerando que apenas me encaixei de forma indecente a todas as partes inadequadas de seu corpo e puramente erradas nas quais se encaixar. E, oh caramba... um corpo de 1,90 completamente funcional e ativo no momento. Eron balbuciou alguma coisa, e no próximo segundo, estávamos grudados novamente, uma língua procurando a outra num desespero súbito e indomável carregado de luxúria e irracionalidade. Seus dedos se encravando novamente em meus quadris enquanto sua boca se encaixava de forma irrepreensível na minha. Completamente injusto. Um gemido inconsciente escapou de minha garganta. E a linda toalha em cima da mesa passou a ter todas as suas pontas chamuscadas. Engasgada, completamente sem fôlego e sentindo o abraço da surpresa alcançando meus tendões, me desprendi dele, usando meus dois joelhos para mantê-lo afastado, os quais ele prontamente separou para tombar sobre mim, meu tronco de repente empurrando-se contra o tampo frio da pia um pouco mais a esquerda, o qual passou a ficar desagradavelmente quente. Deti seu rosto com as mãos. Os olhos de Eron pararam em mim, completamente dourados. — Não tente me impedir, Eve... oh, céus... realmente não tente... — O que está havendo com você? — lutei para recuperar o fôlego. — Fora o fato de eu estar realmente, realmente maluco para beijar você? Ele malditamente tinha um bom ponto para desviar do assunto. Eu podia afirmar que aquilo era algo a ser discutido. — Você sabe do que eu estou falando. A sua coisa toda do fogo. — Eu sou um cataclista, Eve. Só para o caso de você ter se esquecido. Eu meio que domino o fogo... — Você sempre foi um cataclista e nunca botou fogo nas coisas ao seu redor quando... nos beijamos. Pelo menos, não depois que desenvolvi uma Barreira. 66 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. Ele estava perigosamente pendido acima de mim. A pedra escura de seu colar repousada sobre a curva de meios s***s. E sua atenção totalmente pres a ali. Eu estava pronta a dizer algo sobre isso quando sua próxima resposta veio. — Até esse ponto eu não conhecia a sensação de descobrir como as coisas eram por baixo de sua camiseta. Oh, ele realmente disse isso. Deus... se tia Peg chegasse agora e nos pegasse naquela posição comprometedora eu morreria e iria para o céu das Eve’s antes que pudesse inventar alguma desculpa convincente o suficiente sobre o fato de estar deitada sobre o tampo da pia com um cataclista em cima de mim. Não que eu pudesse não estar gostando, mas parecia haver algo ali que eu conclusivamente não estava conseguindo pegar. De verdade. E algo me dizia que isso que isso não tinha muito haver com minhas pernas enrodilhadas em sua cintura, porque os efeitos disso eram completamente opostos de ambas as partes. Meus punhos foram atraídos para cima de minha cabeça enquanto ele os mantinha bem presos ali, empurrando seu corpo contra o meu e me impedindo de soltar a próxima resposta pronta na ponta da língua. — Deus... — ele anuiu em um resmungo prazeroso — Eu sabia que você seria perfeita desde o momento em que a vi daquelas escadarias. Naquele momento, a única coisa que eu quis fazer foi correr atrás de você e descobrir quem era aquela garota assustada que falou a coisa mais estranha do mundo na minha mente. Por um momento, as recordações desse dia me inundaram, junto com a curiosidade sobre o assunto. — O que, exatamente, eu falei na sua mente aquele dia? — “Fique o mais longe possível”... — ele sorriu, e meu peito se apertou. Eu me lembrava de ter pensado algo como aquilo. — Espere... você não acha isso estranho? A forma como nos comunicamos mentalmente pela primeira vez apenas na primeira vez em que eu te vi? Se temos uma ligação, porque não pude falar coisas em sua mente antes? Ou você na minha? Ele deu de ombros, e o resultado do movimento apenas o empurrou mais em direção a mim, e eu reprimi o ofego. Ah, por todos os cataclistas da história da humanidade... 67 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. — Talvez já estivéssemos na mente um do outro... — ele desceu novamente a boca para meu pescoço, e eu realmente desejaria que ele não tivesse feito isso — Apenas não soubéssemos disso. Eu senti isso, Eve... senti que havia encontrado... alguma coisa quando vi você. Alguma coisa que eu iria querer conhecer melhor. E eu definitivamente quis você desse momento em diante. Minhas costas se arquearam para ele enquanto sua boca brincava de despertar sensações interessantes em meu pescoço e colo, mas ainda assim, as perguntas rodopiavam feito prismas em minha mente igualmente tomada pela adrenalina. — Por que eu ainda não lembrei de nada? —a pergunta saiu de repente, e sua boca imediatamente parou — Eu achei que quando a Esfera fosse invocada, eu fosse me lembrar daquela noite do parque, onde fui marcada e onde perdi a consciência. Eu gostaria de saber o que aconteceu ali. Eron levantou o rosto, e seus olhos examinaram meu rosto. Ele suspirou, levantando o tronco e me puxando para cima com ele. — Eu achei que você tivesse se lembrado. — Bom, isso não aconteceu em nenhum momento. Me sinto mais como uma Falange agora, depois da possessão da Esfera, por mais que minha maior parte ainda esteja bloqueada, mas... ainda encontro minha mente vazia em todas as vezes em que tento me recordar daquela noite. Ele pousou suas mãos sobre minhas pernas, pensando sobre o assunto e arqueando as sobrancelhas. — Isso definitivamente não soa algo bom. Isso é tão r**m quanto você ainda estar vestida. Bom... talvez não tão r**m quanto isso... Rolei os olhos, o empurrando e não conseguindo nada como resultado. Era como tentar empurrar uma parede de pedra. — Eu estou falando sério. Sinto que enquanto não obtiver minhas lembranças novamente, sempre vou estar um passo atrás em desvantagem. Quase sinto como isso estivesse ligado em algo com a facção das Trevas. Por um momento, a surpresa genuína inundou os olhos dourados de Eron, e ele se arqueou levemente enquanto sua mente parecia se distanciar para outro lugar, o murmúrio inconsciente escapando de seus lábios entreabertos. — Oh... deve ser por isso que ele veio... Meus cabelos se arrepiaram. 68 Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C. — Espere... o quê? Como se tivesse voltado si, ele aprumou os ombros, desviando os olhos para algum lugar. Eron desviando os olhos novamente. Aquilo decididamente não era bom. — Ninguém. — Eron! — a irritação deslizou pelas notas de seu nome. — Quem veio? Tem algo a ver com o ataque aos Portões de ontem? Ele sugou o ar para dentro, se afastando sem nenhuma palavra. — Eron! — eu voltei a pedir, descendo do tampo da pia e o observando firmar as mãos sobre o tampo da mesa, de costas. — Quem veio? E porque você está me escondendo isso? Me fale agora ou eu saio por essa porta agora mesmo para descobrir isso por conta própria! Ele soltou o ar devagar, completamente irritado agora. E era assim que seu humor geralmente no início. — Jade. Foi Jade quem atacou os Portões. Surpresa desceu por meus ombros, o pavor colorindo cada célula enquanto o nome ecoava em minha mente. E depois disso, outro nome se sobrepondo á ele ao mesmo tempo em que minhas pernas se moviam inconscientemente em direção as portas. — Havanna... — Viu só porque eu não te contei? Por Deus, Eve! Você parece não entender como as coisas funcionam! Eu o empurrei. — Onde ele está? É você que não entende! Não vê que ele é a única pessoa num raio de sabe-se lá quantos quilômetros que pode saber alguma coisa sobre Havana? — Esse é exatamente o problema. — ele devolveu no mesmo tom — Jade não veio atacar os portões na esperança de conseguir isso. Não com uma tropa ou algo parecido. Ele veio sozinho. Por um momento, não entendi o que aquilo poderia significar. — Não entendo o que isso tem haver com minha mãe. — Isso não tem haver com ela, mas com você. Será que você não vê o obvio em tudo isso? Ele queria estar aqui, Eve.
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