Minhas pernas enfraqueceram. Jade queria estar ali. E eu não podia pensar em um bom motivo para entregar o pescoço aos inimigos sem um bom motivo.
— Ele sabia que jamais conseguiria algo sozinho, — Eron prosseguiu, a irritação ainda vertendo por suas palavras — e ainda assim ele veio, e não apresentou resistência quanto a ser preso. Não vê isso? Ele está aqui porque precisa estar aqui, e não existe uma forma de arrancar a resposta dele ou arrancar qualquer outra informação sobre sua mãe. Eu sei com o que estamos lidando, Eve. Ele é meu irmão.
Eu ainda estava digerindo as informações enquanto sentia meu coração se apertar. Por um segundo, estivesse perto de Havana, e agora, havia sido arremessada para longe de novo. As lágrimas arderem em meus olhos, mas não deixei que caíssem. Ao invés disso, passei as mãos pelo rosto, precisando desesperadamente clarear a mente.
— Preciso ser desbloqueada.
— Não quero que você tome medidas precipitadas sobre isso. E é exatamente por isso que eu não estava á favor que você soubesse sobre Jade em Miriad.
— Você não entende! — eu quase gritei — Não é sua mãe que está presa em algum lugar sombrio enlouquecendo um pouco mais a cada dia, é?
Eron não disse nada, mas sua mandíbula travada era um claro sinal de su a raiva sobre o comentário. Por um momento, não acreditei. Céus... estávamos realmente brigando sobre isso. Um longo segundo de silêncio se passou, e Eron desviou novamente os olhos, o dourado se acentuando em suas íris da mesma forma em que as palavras se acentuaram em sua boca:
— Ele quer você.
Por um momento, eu não soube como reagir. Mas no próximo, em me deixei cair sobre o balcão da pia.
— É claro que ele quer. Porque ele não iria querer uma Natural Elementar? Até onde sei, eu poderia lhe dar inúmeras vantagens sobre a facção da Luz.
— Você me entendeu. Ele não á quer desse jeito.
— Da última vez em que nos encontramos, ele meio que tentou me m***r.
— eu lembrei-o, para o caso dele haver se esquecido — Sabe, no mesmo dia em que você botou fogo no escritório do treinador Preston.
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Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C.
Eron retraiu os ombros, enfiando as mãos nos bolsos e prosseguindo no seu tom extremamente irritado.
— Parece que foi um encontro o suficientemente longo para que ele gostasse de você.
— Isso é loucura! Você não está tentando supor que poderia... cogitar a possibilidade de... ah, eu não sei... poder querê -lo também!?
Os olhos de Eron voltaram a me encontrar, e dessa vez, ele não desviou o olhar.
— Eu o quebraria em dois antes disso.
Eu arfei.
— Tudo bem... — eu cedi de repente, me desprendendo do balcão — Escute, não vou tomar nenhuma decisão precipitada, se é com isso que você está preocupado, está bem? Mas não vou dizer que não estou completamente maluca com isso tudo. Hoje. — eu decidi — Hoje, de algum jeito, preciso encontrar uma forma de começar a procurar por Havana. O Punho já foi coroado, e eu vou fazer isso sem ou com o consentimento dele. Havana e Layan vão voltar, e não importa se para isso eu preciso encontrar uma forma de ser desbloqueada.
Ainda em silêncio, Eron apenas assentiu, e depois que ele se foi, na promessa de voltar mais tarde, me vi perdida em meio à cozinha bagunçada, observando todas as coisas que eu teria que arrumar antes que tia Peg chegasse.
Eu não tinha nada de inteligente a dizer para ela sobre as cortinas, toalhas e lâmpadas queimadas, ou sobre a bonita jarra em cacos no chão. Eu só esperava que ela não desse falta daquele item decorativo, se não, as coisas ficariam meio interessantes.
Eu havia acabado de arrumar o que achava que precisava ser arrumado para que não delatassem a presença de Eron quando duas batidas soaram na porta.
Ajeitando os cabelos e passando as mãos pela camiseta amassada, me direcionei a ela, surpresa com o que encontrei sobre a varanda. Duas malas cor de rosa, e entre elas, um pato gordo e branco me encarava com ar curioso.
Franzi o cenho.
— Hãm... Herman? Que diabos você faz aqui? E com essas... malas?
Sem mais, outra figura apareceu em meu campo de visão, e juro por Deus, meu coração totalmente parou.
— Oh, obrigada por ensinar o caminho até aqui, patinho fofo!
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Caminho das Estrelas II ESFERA Christyenne A.C.
Sentido os olhos saltarem das órbitas, senti meus braços caindo ao lado do corpo ao detectar a presença daquele ser aparentemente ressurgido das profundezas mais obscuras do inferno. Meus lábios se secaram, e toda força que me sobrou foi concentrada em fazer com que minhas pernas permanecessem firmes em baixo do corpo.
— Mas... que diabos você está fazendo aqui???
Hanna Winchester se aprumou em cima dos saltos de oncinha, botando as mãos na cintura e levantando as sobrancelhas em tom inquisitivo. Os cabelos loiros descendo lisos até a cintura e sendo jogados ao lado do rosto pelo vento.
— Como é que é, irmãzinha? Onde diabos está minha mãe, afinal de contas?