Adelie
Me despedi de Alba com um abraço apertado. Ela ficou visivelmente chateada, mas não havia muito do que eu poderia fazer. Infelizmente, Lev não parecia nada interessado em me “namorar” e eu decidi não me humilhar e nem rastejar por sua atenção.
Decidi me dar o devido valor, e faria uma viagem para outro lugar ao invés de ir para casa. Avisei minha mãe que iria conhecer um país vizinho, o México, e ela me deu o aval que eu precisava. Tio Túlio mora no México e é um dos governantes da máfia do lugar, juntamente com sua esposa, e estamos perto do dia dos mortos, época em que o país entra em festa e é lindo.
Uma das pistas que Max descobriu durante a madrugada nos levaria até um dos inúmeros bares da capital, mas este bar em especial não está na jurisdição de ninguém. É o que chamamos de área neutra, onde alguns mafiosos ou gangster se encontram para fazer acordos ou declarar guerra. Sei que estarei segura, mesmo se tratando de um puteiro.
_ Vai ser legal! _ Disse Max me provocando.
_ Vai perder a virgindade, Max? _ Ele me olhou com raiva, e eu sabia o que estava prestes a vir.
_ Eu não sou virgem, sua desbocada! _ Ele ficou realmente muito bravo, e percebi que nossa i********e estava cada dia mais forte.
Na minha despedida, Lev nem sequer me deu um beijo no rosto ou na cabeça, como fazia. Ele apenas acenou ao lado do pai, e não demonstrou o que estava sentindo naquele momento.
Isso me parte o coração, mas por um lado é bom, pois me ajuda a ficar firme e mais dura do que nunca.
Não sinto vontade de me vingar, até porque ele está fazendo o que acha ser melhor para mim, mesmo não sendo.
_ Max, quero que coloque um espião dentro da propriedade do meu sogro. Você consegue? _ Ele me olhou com uma sobrancelha arqueada.
_ Seria uma péssima ideia, Adelie!
_ Eu acho que a arquiteta está afim do Lev, sei lá, estou com essa sensação. _ murmurei.
_ E daí? Ele só tem olhos para você!
Olhei para ele com repreensão, e Max disse que tentaria conseguir alguém de confiança para ficar de olho em Lev e na tal arquiteta que andava visitando a propriedade com frequência.
Respirei fundo, entregando-me a um sono profundo no banco do avião.
Queria mesmo era estar nos braços dele, sentindo seu calor, seu cheiro, mas já que eu e Lev não tínhamos os mesmos objetivos por ora, decidi me contentar com o meu próprio cheiro.
(...)
_ Os preparativos já estão a todo vapor, olha que lindo! _ Apontei para uma estátua de decoração que estava na rua.
_ Verdade. Esse lugar é muito bonito! _ Murmurou ele.
Voltamos a andar pelas ruas, como dois turistas.
Um homem em uma barraquinha ofereceu flores para Max, para que ele presenteasse sua namorada. Ele riu e dispensou.
_ Parecemos um casal. _ Falei ao agarrar o braço de Max.
Ele riu desconfortável, então me afastei.
Assim que chegamos no bar fomos barrados na entrada.
_ Identidade! _ Disse o segurança de quase dois metros.
Outros três apareceram em questão de segundos.
_ Adelie Cortez. _ Falei em um tom arrogante.
Eles se olharam.
_ Não pode passar!
_ Por que? Sabe quem eu sou? _ Max colocou a mão em meu ombro para que meu tom diminuísse.
_ Sabemos muito bem quem é você, e por isso não pode entrar! _ Disse o outro.
Olhei para Max, pronta para arrumar uma briga, mas uma voz com um sotaque carregado impediu.
_ Ela está comigo, senhores. _ Olhei para trás e me surpreendi ao ver o mesmo homem que vi na Italia, no bar com roupa de filhinho de papai.
Ia abrir minha boca para dizer algo, mas os homens na porta abriram passagem e decidi aproveitar a deixa.
Assim que entramos, virei para ele encarando-o.
_ Quem é você? _ Perguntei com uma desconfiança surreal.
Ele estendeu a mão e sorriu daquele jeito horroroso de predador.
_ Carlos, senhorita Adelie. É um prazer revê-la. _ Apertei sua mão e ele retribuiu.
_ O que faz aqui?
_ Sou um empresário. Tenho duas empresas na Itália, três empresas aqui no México, uma na Colômbia e duas no Brasil._ Disse ele inflando o peito.
Olhei ao meu redor, e com certeza esse estabelecimento está cheio de mafiosos e gangsters.
_ Você tem alguma noção de onde está se enfiando... _ olhei para ele, que se veste como um verdadeiro mimadinho, com o cabelo lambido para trás. _ ... esse lugar é perigoso para você!
Ele sorriu novamente, e senti meu estomago embrulhar. Esse cara é muito estranho!
_ É só eu não me enfiar em confusão. Trate de se cuidar também senhorita Adelie, a senhorita é muito pequena e parece bem... _ Ele me olhou dos pés a cabeça. _ Frágil..
_ Eu vou te mostrar quem é frágil aqui seu... _ Max segurou meus braços enquanto o homem ria da minha cara.
_ Vamos Adelie, aproveite a oportunidade e se concentre no objetivo! _ Disse Max no meu ouvido.
Respirei fundo e dei as costas a ele. Max ficou sem entender o motivo da minha irritação. E honestamente, nem eu sei direito o que estou sentindo.
Começamos a caminhar pelo estabelecimento. Haviam muitas mulheres nuas, e notei que Max estava tentando se manter concentrado, mas com mulheres de s***s tão granes e bonitos estava difícil até pra mim, e olha que eu gosto mesmo é de p*u.
_ Caramba, onde esse desgraçado está... _ Murmurei. _ ali!
Sinalizei para Max. Ele foi na frente e eu logo atrás. Sentei em uma poltrona de frente para um homem alto e loiro que estava fumando um cigarro que exalava um cheiro forte. Em seu colo, uma bela loira com um cabelo sedoso e brilhoso.
Ele me viu e sorriu. Não falei nada, apenas continuei olhando seriamente para ele, pensando que talvez ele fosse parar o que estava fazendo, mas ele estava pouco se fodendo para a minha presença. Quando a mulher tocou o m****o do homem, por cima da calça, engoli seco. E para piorar, ela abriu o zíper do desgraçado.
Max se enfiou na minha frente, e ficou de costas para o homem.
_ Não sou criança, Max! _ Tentei me manter firme.
_ Não vou permitir que assista um show de s**o ao vivo, Adelie. Não estou fazendo isso porque é minha chefe, e sim porque me importo com você. _ Ele pegou minha mão e me puxou, fazendo-me ficar em pé e encostar a cabeça em seu peito. _ Vamos para o outro sofá.
Max praticamente me arrastou até um canto onde eu não conseguia ver nada do que estava acontecendo.
Preciso ser sincera: fiquei curiosa.
Tá aí uma coisa que eu nunca vi na minha vida, e se depender dos homens que me rodeiam, nunca vou ver.
_ Está curiosa? _ Perguntou Max rindo.
_ Sim, e você também! _ Murmurei.
Ele fez uma careta.
_ Se eu quiser ver p*u, me olho no espelho ou olho pra baixo.
Começamos a rir e o clima ficou mais leve.
_ Caramba, será que é silicone? _ Perguntei me referindo a uma mulher somente de calcinha que passou por nós.
_ Se for, que silicone bom! _ Disse Max quase babando.
_ Quem me dera ter um terço daqueles p****s! _ Murmurei pensativa.
Será que minha mãe me deixa colocar silicone?
_ Você já tem! _ Pontuou Max.
Olhei para ele e comecei a rir. Ele percebeu o que falou e começou a corar. Dei um cutucão dele, que riu também.
_ Fique de olho no cara. A hora que ele esconder o p*u a gente ataca!
Max apenas concordou. Ele olhou umas duas vezes para o homem no canto da sala, e fez uma careta.
_ Nossa, que demora! _ Murmurei irritada.
_ Só se passou dez minutos.
_ Mas dura tanto tempo assim? _ Perguntei curiosa.
_ Depende do homem! _ Disse ele dando de ombros.
Max fez sinal e me levantei. Assim que nos aproximamos do homem ele parecia bem relaxado, e a loira havia sumido.
_ Podemos conversar agora ou você vai colocar essa coisa f**a pra fora de novo? _ Minha paciência estava volátil.
_ Fala logo pirralha, tem mais algumas bocetas por aqui que eu quero traçar antes de ir embora. _ Ele tragou o cigarro novamente.
_ Eu quero saber qual a ligação da sua empresa com os albaneses!
_ E por que eu deveria te falar? _ Ele riu com escarnio. _ Você é só uma pirralha metida a braba, e anda com esse baixinho ai que só tem pose de homem, mas aposto que é um frouxo.
Max riu e eu também.
_ Você vai falar, Clayton, porque a informação que você tem me interessa. E se você não falar, eu vou pegar esse cigarro fedorento de quinta categoria que está fumando, e enfiar dentro dessa sua b***a suada, e a b****a da loira vai ser a última que você vai ter comido em toda sua vida!
Ele ficou sério, me encarando com um olhar gélido.