Adelie
Odiei a forma como Lev me chamou. Eu não sou uma pirralha, eu sou quase uma mulher. Já vivi muito mais do que qualquer garota na minha idade, e odeio quando ele me trata como criança.
Assim que Lev estacionou o carro em frente a uma grande construção, pulei para fora do carro. O vento frio me fez bater os dentes novamente.
Lev não me esperou, apenas pulou para dentro da casa, que tem portas enormes. Assim que entrei ele fechou, e acendeu as luzes.
Meu queixo quase caiu assim que meus olhos fizeram uma rápida análise do hall de entrada da mansão.
_ Uau… _ Murmurei.
_ Gostou? _ Perguntou ansioso.
Minha mãe nunca foi uma mulher ligada ao luxo, e acabei herdando isso de dona Olivia. Eu sempre me contentei com coisas simples, por mais que meu pai sempre me desse jóias de aniversário ou em datas comemorativas qualquer.
Honestamente, eu gosto de simplicidade, e pensei que o lance de “cortinas com fios de ouro” fosse apenas um mito, balela.
Agora, me deparo com uma sala ainda em reforma, mas que já exala um luxo e riqueza.
No teto, um lustre enorme de cristal, que está coberto com uma tela de p******o. Ainda não há móveis, nem tapetes ou cortinas, mas a lareira gigante, bonita e com um material que parece muito caro já deixam o ambiente preenchido.
Dei alguns passos em direção a sala, e olhei para o lado, deparando-me com uma escadaria, que ainda está no bruto. O corrimão está coberto com uma espécie de manta protetora.
Com curiosidade, arredei um pouquinho a manta, observando a cor dourada do corrimão.
Engoli seco, notando que Lev não economizou um centavo sequer para a construção da casa.
Caminhei mais um pouco, o suficiente para aquecer meu corpo, e vi a cozinha enorme que estava sendo montada. Bonita e espaçosa.
_ Essa é a cozinha, e ali é a sala de jantar. _ Apontou Lev.
Próximo da cozinha, como de costume havia um espaço grande, suficiente para colocar umas duas mesas para dez pessoas.
_ É enorme… _ Murmurei.
_ Gostou ? _ Perguntou com preocupação.
_ S-Sim…
Voltei a andar pela casa. Havia um corredor curto, e quando entrei na porta que havia ali, dei de cara com um escritório, pré montado. Havia um sofá espaçoso, e uma mesa grande com uma cadeira.
_ Votem tem vindo aqui? _ Perguntei.
_ Sim, as vezes eu fico aqui. Estou tentando me habituar para não achar estranho quando me casar.
_ Hum.. não acha que eu deveria participar mais ?
_ Por que ?
_ Ora, porque a casa será minha também, senhor Lev. _ Cruzei meus braços.
Ele coçou a cabeça.
_ Você anda ocupada com outras coisas, senhora Adelie. Então, achei que deveria me preocupar em deixar tudo pronto para a nossa casa, para que possamos ter onde morar! _ Lev parecia incomodado.
_ D-Desculpa… eu.. eu acho que estou estressada, só isso. Obrigado por se preocupar conosco. _ Caminhei até ele e puxei seu corpo de encontro ao meu.
Nos abraçamos, e Lev acariciou meus cabelos, deixando-me confortável em seus braços. O cheiro do homem mexeu completamente comigo, deixando-me praticamente mole em seus braços.
Depois de alguns minutos de carinho e afeto, Lev me soltou e agarrou carinhosamente minha mão.
_ Vamos conhecer nosso quarto? _ Perguntou com um sorriso meigo em seus lábios.
_ Vamos. _ Pensei em falar alguma besteira, mas controlei meu lado mais sacana para não acabarmos em um clima chato como naquela hora.
Lev caminhou comigo enquanto tagarelava tudo que pretendia fazer, e a cada ideia que ele me dizia apenas concordava, já que não entendo muito sobre decoração e nem faço questão de colocar luxo em cada parede.
Subimos as escadas, e me deparei com mais um andar com uma estrutura invejável. Lev me guiou por um corredor grande, e paramos em frente a última porta. Ele me olhou e sorriu lindamente com seus dentes brancos e caninos afiados. Por um segundo minha mente me sacaneou, fazendo-me imagina-lo me mordendo e enchendo meu corpo de marcas. Na mesma hora meu rosto ficou vermelho, e espero que ele não tenha notado esse leve descontrole, talvez, o fim da adolescência e inicio da vida adulta estejam mexendo muito mais do que deveriam comigo.
Ele abriu a porta, e me deparei com um quarto enorme, que já continha uma cama grande.
_ Nossa, é umas três vezes maior do que o meu quarto. _ Falei rindo.
_ Você vai gostar do closet. _ Disse ele.
Não, provavelmente eu não iria gostar do closet porque nunca me liguei em maquiagens ou roupas, ou sequer sapatos, mas mantive minha falsa empolgação.
Lev agarrou minha mão e me puxou até a entrada do cômodo.
Havia uma estrutura enorme montada com diversas prateleiras e gavetas. Assim como na escada, havia uma película de p******o em tudo, até nas maçanetas.
_ Uau, ficou lindo! _ Falei.
_ Você vai gostar daquela parte ali! _ Ele apontou para o lado oposto que eu estava.
E quando meus olhos fixaram no móvel, meu coração bateu mais forte.
_ Isso é...
_ Sim, um armário que mandei fazer especialmente para as suas armas. Sei que gosta, então mandei fazer nesse tom rosê gold e mandei adicionar suportes para colocar suas facas, armas e sua adaga. _ Disse ele.
Me aproximei do móvel, e com toda certeza é mil vezes mais bonito que o armário velho da minha mãe.
Meus olhos encheram de lágrimas, e meu coração bateu mais forte.
Mesmo se ocupando demais, Lev pensou no que eu gosto, pensou em me deixar confortável. Ele simplesmente pensou em tudo.
_ É magnifico! _ Murmurei segurando o choro.
_ Aquele é o meu! _ Ele apontou para o outro lado.
Havia um armário exposto igual ao meu, com led e tudo, mas em um tom de madeira carvalho envelhecida.
_ Você é perfeito, homem, sou muito sortuda! _ Cutuquei ele.
Ele deu um sorriso sem graça, e foi para o quarto. Segui ele e assim que lev puxou uma cortina enorme que cobria o que era para ser uma parede, dei de cara com um vidro espesso e transparente.
Lev fez uma parede de vidro em nosso quarto, dando-nos uma vista ampla para a floresta mais adiante que encobre a casa.
_ Nossa... isso é demais! _ Murmurei com a boca aberta.
_ Eu sei que você gosta de admirar o sol nascendo as vezes, e achei que seria interessante fazer nosso quarto com a vista do nascer do sol.
_ Mandou fazer a casa no sentido do nascer do sol?
_ Sim, sei que você curte, então sim. _ Ele apenas deu de ombros e foi sentar na cama.
Enquanto isso, meu coração estava saltitando no peito, e minhas pernas estavam bambas.
Depois de admirar um pouco da escuridão através do vidro, decidi sentar ao seu lado.
_ São muitos quartos.
_ Sim, imagino que sua mãe vai querer vir passar alguns dias conosco, então mandei fazer alguns quartos de hóspede.
_ Está tudo muito bonito, Lev. Você é um ótimo decorador. _ Ele riu. _ O que foi?
_ Não estou decorando sozinho. Uma arquiteta está me ajudando com tudo, eu apenas dou sugestões. Claro, o closet eu pensei em cada peça e detalhe, é algo intimo, mas de resto quem cuidou foi ela.
_ Hum. _ Confesso que dessa parte eu não gostei.
_ Não fique enciumada, ela é uma mulher completamente oposto do que eu gostaria,
_ E você tem preferência? _ Perguntei tentando catar algo que pudesse me chatear.
_ Sim, minha preferencia é você, Adelie. _ Ele soltou uma risadinha irônica.
Meus dentes pareciam coçar, e em um ato de impulso, sentei no colo dele e mordi seu ombro por cima do casaco.
Lev começou a rir, e quando mais ele ria, mais vontade eu tinha de morde-lo.
Como se pudesse sentir o que eu estava sentindo, Lev puxou o casaco de lado, dando-me passagem para fincar os dentes em seu ombro, e me deliciar com a sensação de sentir sua pele.
Não sei quanto tempo fiquei, mas quando larguei Lev, havia um hematoma enorme em seu pescoço.
_ Desculpa. _ Murmurei envergonhada.
_ Tudo bem, eu gosto das suas mordidas. Os hematomas me fazem lembrar de você, então é algo bom. _ Ele parecia não ligar para a dor ou incomodo.
_ As vezes eu queria ser normal.
_ Ser normal é chato, ainda mais para pessoas com compromissos como nós! _ Ele levantou e estendeu a mão para mim. _ Vamos olhar o restante da casa e ir dormir, está tarde.
Agarrei em sua mão e caminhamos pelo restante da casa. Cada cômodo me fazia pensar em como essa v*******a da arquiteta deve estar se divertindo ao conversar com Lev e planejar as coisas.
_ Amanhã quero conversar com a arquiteta, sabe, colocar minha identidade em algumas coisas aqui. _ Falei como se não quisesse nada.
_ Você não vai matá-la e nem a torturar, ok?
_ Claro que não, ficou doido? Ela só está trabalhando! _ Vou ameaça-la de uma forma que deixe claro a quem o bonitão pertence!
Ele parecia bem incrédulo, e devo confessar que eu também. Porém, preciso “mijar” no “poste” e deixar meu território bem marcado, senão, outra pode querer ocupar o lugar que é meu!