Lev Bolshakov
Eu já tinha uma séria desconfiança que talvez Adelie não fosse gostar de boa parte da nossa casa, e as caras que ela fazia ao ver cada cômodo com as poucas decorações já deixava claro sua insatisfação.
Durante a madrugada alterei um pouco nosso projeto, e vou mudar por completo a decoração, preservando a estrutura da casa e mudando seu interior.
Claro, nosso quarto e meu escritório permanecerão exatamente como estão, e vou mandar fazer um escritório para Adelie no espaço que está sobrando próximo ao meu.
Depois da nossa visita à casa comecei a ficar mais ansioso ainda para o casamento. Quero ter Adelie mais perto, quero tê-la por inteiro, e quero vê-la feliz.
Eu penso em filhos, em muitos filhos, e é por esse motivo que mandei fazer diversos quartos, não por saber que receberemos visitas, e sim porque eu quero crianças. Algo dentro de mim grita que preciso engravida-la assim que possível, que Adelie vai ser uma mãe incrível, e que ver uma mini versão minha correndo por tudo vai ser grandioso.
Se depender de mim, terei inúmeros filhos, quantos ela e seu corpo quiserem.
Voltei a dar atenção ao tablet, e notei que já está amanhecendo. Desliguei o aparelho e fui para o banho. Depois de sentir meu corpo relaxado deitei, esperando que o sono me tomasse por completo, mas não foi isso que aconteceu.
A risada e o cheiro da morena tomaram conta da minha mente, e a dor da mordida que levei, como forma de carinho e agradecimento, começou a latejar.
Tudo no meu corpo e mente pareciam querer me convencer a quebrar os protocolos e ao menos vê-la antes de dormir.
_ Você não pode, Lev, você não pode! _ Murmurei para mim mesmo.
Virei para o outro lado, e fiquei nessa função por quase uma hora. Havia uma tempestade lá fora, e por idiotice da minha cabeça pensei que talvez Adelie pudesse ter medo de trovoes. Isso seria apenas uma desculpa esfarrapada para vê-la antes de fechar meus olhos, mas que finalmente me colocaria para dormir depois disso.
Levantei em um ímpeto de coragem, respirei fundo e abri minha porta.
No exato momento em que o barulho do trovão rasgou o céu, a porta do quarto da viborazinha se abriu também. Ela saiu para fora, com um rosto bem tranquilo e sonolento, mas quando me viu mudou de figura.
Esperta, muito esperta.
_ Estou com medo! _ Ela veio correndo em minha direção e me abraçou, fazendo aquele bico de quem vai chorar.
Como essa garota pode ser tão dissimulada? p***a, eu gosto disso!
_ Vou te ajudar a dormir, e depois volto para o meu quarto!
_ Vamos ficar no seu! _ Ela passou correndo por mim e se enfiou debaixo do meu cobertor.
Segurei a risada, porque ela está atuando muito bem.
Respirei fundo antes de fechar a porta. Decidi não trancar, apenas fecha-la. Me deitei ao lado dela, que assim que sentiu minha presença rodeou meu corpo com seus braços.
_ Você é tão quentinho! _ Murmurou.
Ela bocejou e me apertou ainda mais. Fiquei paralisado, tentando não me mexer ou dar indícios de que meu corpo estava pronto para me trair a qualquer momento.
Incrivelmente Adelie pegou no sono, e sua respiração ficou regulada e tranquila.
Enquanto isso o mundo caia lá fora, e entre alguns trovoes e barulho de chuva, fechei meus olhos e me entreguei a um sono pesado e tranquilo.
(...)
_ Bom dia, bonitão! _ A voz sonolenta de Adelie me fez abrir os olhos devagar.
Olhei para o lado, e ela mantinha seus olhos fechados, mas um sorriso bonito no rosto.
_ Bom dia, viborazinha! _ Olhei para o lado, na esperança de encontrar um dia de sol depois de uma noite de chuva, mas não.
A tempestade continuava, e o frio parecia ter aumentado. Adelie se agarrou ainda mais em mim, estava cheia de preguiça, sono e frio.
_ Podemos passar o dia na cama? Sabe, agarradinhos! _ Sugeriu.
_ Lamento, mas não podemos ficar no mesmo ambiente dessa forma... _ Fiz menção de que iria sair, e ela praticamente me prendeu entre seus braços.
_ Não, por favor. Fica aqui! Seus pais nem se importam...
_ Eles não, mas se algum soldado ver ou descobrir que estamos trancados no mesmo quarto, tudo vai virar um caos.
Ela bufou como resposta. Adelie levantou, visivelmente contrariada, mas antes que ela pudesse sair de perto peguei em seu braço e puxei seu corpo para a cama novamente.
_ Calma, cobrinha, não precisa ficar tão nervosa!
_ Estou cansada disso Lev! _ Desabafou. _ Eu quero namorar, quero beijar na boca, quero fazer coisas que casais fazem!
_ Não somos qualquer casal, Adelie.
_ E você acha que eu não sei? p***a, isso tudo é extremamente chato! Eu quero passar o dia com você em uma cama, olhando algum filme, quero aproveitar meus poucos dias aqui antes que minha vida se torne uma loucura de novo, e você me n**a isso?
_ Em primeiro lugar, não estou negando nada a você! Em segundo, sua vida não precisa se tornar uma loucura, porque eu já estou cuidando das investigações sobre o puto que apareceu e quer f***r com você e sua família.
_ Está me negando viver uma fase boa do nosso relacionamento! Como eu vou saber que gosto da sua pegada se nem experimentei antes? Vou ter que casar e passar o resto da minha vida com um cara que fode mau? Existe destino pior do que esse? _ Ela cruzou os braços, fazendo-me respirar fundo.
_ Acha que eu fodo m*l? _ Ela abriu a boca, certamente daria uma resposta daquelas, mas apontei o dedo fazendo-a calar. _ Estou me guardando para você, e isso tem me custado muita dor de cabeça. Espero que você esteja fazendo o mesmo, porque no momento em que fomos destinados um ao outro, minha lealdade passou a ser sua, minha vida passou a ser sua, e meu futuro só será possível se você estiver nele! Eu sei que tem curiosidade, e eu também tenho, mas sei que preciso respeitar nossas tradições. E sabe por que eu não te toco, Adelie? _ Ela balançou a cabeça negando. _ Porque eu te amo! Quem ama, pensa duas, até três vezes antes de tocar a pessoa. E eu penso muito, porque não quero te machucar, não quero te desrespeitar e quero que você se sinta especial.
Agarrei seu braço, fazendo-a deitar na cama e me coloquei por cima. Os olhos dela ficaram maiores, encarando-me com surpresa e expectativa.
_ Eu poderia te f***r aqui, agora, sem c*******a e sem nenhum escrúpulo. Poderíamos gozar juntos, e eu teria o imenso prazer em te ver toda vermelha com os meus chupões e mordidas..._ Ela engoliu a saliva que se acumulou em sua boca, e entreabriu os lábios para respirar. _ ... mas eu quero tornar a sua primeira experiencia minimamente especial. Não porque é tradição, ou porque seria bonito, mas sim porque vai dor, Adelie, vai doer muito! Você sabe muito bem que eu não sou pouca coisa, não sou pequeno, e você é menor do que eu em estrutura corporal. Eu quero te ver gozar, e não chorar de dor.
Sentei na cama, sentindo minha cabeça e meu p*u doerem.
_ Desculpa. _ Ela murmurou. _ Eu só queria relaxar um pouco. Depois daquele momento no carro, fiquei pensando que talvez pudéssemos repeti-lo. Eu só... só queria sentir um pouco do que é viver de verdade com a pessoa que eu gosto.
Adelie parecia com a mente pesada, como se me dissesse que não teríamos tanto tempo assim, e isso mexeu comigo.
_ Temos todo tempo do mundo para isso!
_ E se não tivermos? _ Agora ela me encarou, e vi preocupação em seu olhar.
_ Se repetir essa pergunta mais uma vez pra mim..._ Minha cabeça doeu, e tive que respirar fundo. _ se você falar isso mais uma vez, eu te acorrento no pé dessa cama, e te deixo aqui pelo resto da vida! _ Minha voz saiu grossa, como se outra pessoa estivesse falando em meu lugar, mas era eu, somente o meu mais sombrio e pior lado se mostrando para a minha amada.
O rosto de Adelie começou a ficar vermelho, e seu peito começou a subir e a descer.
Do nada, a garota pulou em cima de mim e uniu nossos lábios.
A raiva, o medo e o t***o se misturaram de uma forma quase incontrolável, mas minha consciência ainda estava ali, ciente de que não passaria daquele beijo... pelo menos, era isso que eu pretendia.