Capítulo 15

1493 Palavras
Lev Bolshakov Pedi a um motorista que nos levasse direto para casa. O tamanho do decote de Adelie estava me deixando terrivelmente incomodado, e ela recusou colocar um casaco ou qualquer coisa que cobrisse minimamente seus s***s. Os olhares dos homens e mulheres na empresa para ela quase me tiraram do eixo, e ao invés de levá-la para um jantar, ou qualquer coisa que outro noivo que não vê sua noiva há alguns dias faria, eu decidi ir para a mansão dos meus pais, e praticamente arrastei Adelie entre os soldados já que me sentia enciumado e irritado. _ Nossa, pra que tanta pressa bonitão? Esqueceu o leite no fogão? _ Perguntou ela com um tom de deboche. _ Esse seu decote! _ Murmurei. Estávamos de mãos dadas, e eu me toquei que depois que Adelie virou adolecente eu nunca mais peguei em sua mão, muito menos para andar por aí. Apesar de ser treinada com armas e artes de luta, Adelie tem as mãos macias, e o perfume que está usando especialmente hoje exala feminilidade. _ O que que tem ? Eu sempre coloco roupas simples, né? É estranho me ver fantasiada de mulher! _ Ela soltou uma risada desconfortável. Estávamos praticamente na porta de casa, mas eu parei no meio do caminho e Adelie trombou o corpo contra o meu. Ela me olhou debaixo, com seus olhos azuis com uma mancha marrom que se destaca cada dia mais. Adelie possui algumas sardas, que ganhou com o sol ao longo do tempo, e sua pele está levemente bronzeada, destacando seus lábios cheios e seu nariz empinado. Coisas que andam mexendo mais do que deveriam comigo… _ O que você quer dizer com isso? _ Perguntei sentindo-me incomodado com sua frase. _ Ah… alguns soldados andaram comentando que pareço mais com meu pai do que com minha mãe, e que estou cada dia mais homenzinho. _ Adelie falou rindo, mas com um fundo de tristeza. _ Você é uma garota linda, Adelie! É feminina, é delicada e tem um corpo invejável! _ Adelie riu com escárnio e balançou a cabeça negando. _ O que foi? _ São seus olhos, bonitão! _ Ela tentou passar por mim, e é estranho vê-la tão insegura. _ Não são meus olhos, é a verdade! _ Afirmei com segurança. Ela ainda parecia muito incrédula. Voltamos a andar e seguimos até a cozinha, mas não encontramos minha mãe e nem no escritório. _ Vou ficar naquele quarto de hóspedes? _ Perguntou ela. _ Sim, próximo ao meu. _ Poderíamos dormir juntos, bonitão! _ Sugeriu ela, cheia de ideias maliciosas que passavam descaradamente pelos seus olhos. _ Somente após o casamento, Adelie! _ Não preciso reforçar minha ética e minha moral como homem da máfia, ela já sabe, mas ainda insiste em me fazer perder a linha. _ Não consigo entender por que você é tão certinho, Lev! Paramos em frente a porta do quarto que ela ficará. _ Por que ? _ Perguntei já imaginando qual seria a resposta. _ Por que você é um homem da máfia. Geralmente, homens costumam ser bem mais fogosos que as mulheres. _ Sim, porque esses homens que são mais fogosos não tem como noiva prometida uma Adelie, com uma adaga e uma arma com chaveirinho rosa! _ Ela começou a rir e eu também. _ Você pode ser fogoso comigo, bonitão! _ Ela deslizou a mão pelo meu peito, e soltou um sorriso sapeca. _ Entra logo e coloca uma roupa quente, garota! _ Dei as costas a ela, sentindo meu corpo inteiro reagir a cada palavra que a garota deu. Ela ficou rindo, atentada, e eu corri para o meu quarto pensando em como vou lidar com Adelie durante os próximos dias. E sabe-se lá quantos dias minha noiva pretende ficar. (...) _ É sempre um prazer recebê-la em nossa casa, querida! _ Minha mãe puxou Adelie para um abraço. _ Obrigado, tia, é sempre bom vir aqui! _ Respondeu minha noiva. Minha mãe preparou um banquete assim que chegou, com comidas típicas da casa de ambas. Minha mãe é colombiana, mas por motivos óbvios acabou aqui na Russia. Ela sente falta de casa, falta dos meus avôs, mas se mantém firme ao lado do meu pai, que precisa estar aqui para tomar conta dos nossos negócios e controlar os abutres que nos rodeiam. _ Minha querida futura nora, é sempre ótimo vê-la! _ Disse meu pai, e é nítido que quem está ocupando o posto é o Lobo, porque a ironia está exalando pelos poros. _ Desde quando você mente, tio Dmitri? _ Perguntou Adelie, com o mesmo tom do meu pai. Ele bufou e revirou os olhos. _ O que quer aqui, encapetada? _ Agora seu tom estava mais sério, e minha mãe ficou visivelmente irritada. _ Lobo! _ Repreendeu minha mãe. _ Essa garota é cheia de problema, lobinha! Se ela veio por livre e espontânea vontade, é porque quer aprontar! _ Respondeu como um garoto mimado responderia a mãe. _ Ela será sua nora, seu cabeça dura! Agora peça desculpas! _ Está tudo bem, tia. Tio Dmitri nunca foi meu favorito da família, eu sempre preferi o tio Benno. _ Respondeu Adelie sem olhar para meu pai. O homem colocou uma mão no peito e outra na cintura. A indignação e a raiva passavam pelo seu olhar, mas minha noiva não parecia ligar, ela apenas passou por ele, agarrou a mão da minha mãe e as duas sentaram na mesa uma ao lado da outra, tagarelando sobre casa, sobre o avô Ed e todas as outras coisas que envolvem as duas. Enquanto isso, meu pai sentou no seu lugar habitual, visivelmente chateado pelas palavras que Adelie usou, mesmo sem ter motivo para tal reação, já que ele também não vai muito com a cara da garota, e certa vez sem querer deixou escapar que só vou me casar com ela porque nenhuma outra família me queria como genro, a não ser aquelas que não se importam se suas filhas saíssem vivas ou não da noite de núpcias. Meu pai construiu uma reputação péssima, e graças a isso nossa família é vista com olhos de medo. Por um lado isso é ótimo, porque onde não há respeito há medo, mas por outro, acabou prejudicando minha criação e das minhas irmãs. Adelie e minha mãe entraram no assunto da construção da casa, que fica na mesma propriedade dos meus pais. _ Seremos vizinhas! _ Comemorou minha mãe. _ Essa casa anda muito solitária, e já tem quase um mês que não vemos Irina e nenhuma das meninas. _ Lamentou. _ Irina vem mês que vem, vai passar quinze dias conosco! _ Comentou meu pai. O rosto de minha mãe se iluminou por saber que teria a neta por perto. Nem acredito que eu já sou tio, e por mais que Irina já seja uma mocinha, para mim ela ainda é um bebezinho que corre pela casa e bagunça os cabelos do meu pai. _ Bom, isso é ótimo, já vou preparar um cronograma para nós aproveitarmos _ Disse minha mãe feliz. Terminamos a refeição, e todos estávamos mais do que satisfeitos. Adelie e minha mãe ajudaram as mulheres a lavar a louça, e quando meu pai discretamente arrastou minha mãe para o quarto, Adelie sentou na sala e suspirou alto. _ O tempo passou tão rapido. _ Comentou ela. _ Sim, você tinha quatro anos quando veio aqui pela primeira vez. _ Eu sei, eu lembro de algo. _ É mesmo? _ Sim, lembro-me de te morder com força enquanto brincava com a sua pulseira. _ Disse ela rindo. _ Sim, deixou a marca dos dentes! _ Sim, e foi aí onde você começou a me chamar de viborazinha! _ Ela balançou a cabeça em deboche. Me sentei ao seu lado, de frente para a lareira. Notei que os lábios dela estão um pouco trêmulos, e imagino que seja por frio. Passei meu braço ao redor de seus ombros, e Adelie se aconchegou ao meu lado. _ Quero ver como está ficando nossa casa. _ Murmurou. _ Amanhã nós vamos, hoje está muito frio para você. _ Vamos, Lev, sou ansiosa e quero ver onde você pretende me f***r pelo resto da vida! Praticamente joguei Adelie para o lado. Me arrumei no sofá, sentindo meu coração na garganta. Olhei para ela, que me encarava profundamente com seus olhos grandes. _ p***a, pare de falar essas coisas, garota! _ Levantei irritado. _ Vamos logo, antes que eu resolva que é hora de você ir dormir, pirralha! Não sei porque as palavras saíram desse jeito, mas notei um certo desgosto no rosto da garota. Entramos em um dos carros e ela parecia confusa. _ A propriedade é grande, e vamos ficar bem afastados do meu pai. _ Murmurei. Adelie ficou em silêncio enquanto eu dava partida no carro. Seremos rápidos, pois o quanto antes essa garota ficar longe de mim, melhor.
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