Lev Bolshakov
Assim que fiquei sabendo da perseguição seguida de tiroteio que Adelie sofreu arrumei uma pequena mala e corri até o aeroporto. Meu pai tentou me impedir, dizendo que seria muito perigoso, mas nada nem ninguém me impediria de correr até minha noiva e me certificar com meus próprios olhos que ela estava bem.
Adelie é simplesmente tudo para mim, e não posso permitir que coisas assim aconteçam mais.
Quando vi ela com aquele cara, dando café na boca dele fiquei possesso. Achei uma p*****a completa, mas a tal Maria apareceu e esclareceu, coisa que Adelie não conseguiria fazer porque vi em seus olhos que ela me atacaria se eu tentasse tocar naquele i****a.
Devo admitir que isso me deixa chateado, porque é r**m sentir ciúmes e não poder fazer nada, e ver que ela se preocupa com ele me faz criar uma pulga atrás da orelha.
_ O que faz aqui, Lev? Não é seguro! _ Disse ela ao sentar no banco do jardim.
_ Vim ver se você estava bem!
_ Poderia ter me ligado.
_ Não seria a mesma coisa Adelie. Eu precisava te ver com meus próprios olhos. _ Toquei seu rosto, mas ela saiu do meu toque sentando mais longe. _ O que aconteceu? Está triste comigo?
_ Você nem me pediu para ficar, acha mesmo que eu ficaria feliz em te ver ? _ Sua voz saiu baixa, visivelmente triste. _ Você já pode ir embora Lev, preciso ficar sozinha. Tenho coisas a fazer e não vou te incluir nisso.
Mordi meu lábio, percebendo o quão triste ela está.
_ Você sabe que me arrependo de ter feito aquilo com você na cama... eu...
_ Eu não quero saber, Lev, quero que você vá embora, e não me atrapalhe aqui, ok? Continue me enviando informações úteis, que o resto eu faço!
_ Te quero fora disso. _ Ajustei minha postura. _ Vou conversar com a sua mãe, nem que seja necessário te cpçocar em um colégio interno!
Adelie não falou nada, apenas riu. Ela ficou um longo tempo em silêcio, até que decidiu falar.
_ Se você fizer isso, acabou o nosso casamento! _ Ela levantou e parou na minha frente, com um olhar exalando ódio.
_ Nosso casamento é um acordo entre nossos pais, você sabe que não pode ser desfeito, cobrinha. _ Sorri vitorioso, mas ela sorriu também.
_ Acha mesmo que se eu chegar no meu pai e disser que não quero me casar, que você não é o homem certo para mim, ele não fará nada? Markus pode ser um homem de palavra, Lev, mas ele quebraria qualquer regra pelos filhos, e minha mãe não é diferente.
Levantei também, parando a poucos centímetros dela.
_ Eu temo por você, garota, não vê isso? Eu só quero te proteger!
_ Eu não preciso da sua p******o, Lev. Preciso da sua lealdade, somente disso!
Ela virou as costas e sumiu. Sentei novamente no banco, digerindo suas palavras.
Não sei quanto tempo fiquei na mesma posição, digerindo a ameaça da garota.
Tulio apareceu e sentou ao meu lado.
_ Ela é a cópia da mãe, não é? _ Perguntou ele com um tom saudoso.
_ Sim, ela adora um problema. _ murmurei sentindo-me cansado.
_ Adelie é dona de si, assim como Olivia. Tudo que ela quer é tomar conta da própria vida, do próprio destino. E nós devemos respeitar isso.
_ Mesmo que isso coloque a vida dela em perigo?
_ Sim, Lev. Acha mesmo que se você a colocar debaixo do seu nariz ela vai deixar de ser ela mesma? _ Ele riu. _ Adelie já está virando uma mulher adulta, precocemente eu diria, mas já é vivida como a mãe nessa idade.
_ E o que eu faço? Sento e assisto ela sujar as mãos com sangue? _ Perguntei indignado pelo rumo da conversa.
_ Exatamente! _ Ele se virou em minha direção. _ Você pode só assistir, ou participar com ela. Sabe, ela vai se sujar em sangue independente se você estiver junto ou não, então, não seria melhor você fazer de tudo para colaborar do que atrapalhar seja lá o que ela estiver fazendo?
Tulio levantou e deu um longo suspiro.
_ Há muitos anos atrás eu tentei mudar Olivia. Pensei em fugir com ela, em vivermos em uma fazenda fechada e secreta, tendo muitos filhos e nos amando profundamente. _ Ele abriu os braços rindo. _ Obviamente não deu certo, até porque, estamos falando de uma mulher livre. _ Levantei também, parando em frente a Tulio e entendendo o que ele estava falando. Ele apertou meu ombro e sorriu. _ Se junte a ela, Lev, resolva tudo, e volte a planejar o casamento dos sonhos de vocês.
_ E se ela se assustar? Sabe... Adelie nunca me viu em ação, e... eu nunca a vi em ação também... não sei se nossos demônios se dariam tão bem assim.
_ E se eles se derem? Seria interessante, não acha? Poder mostrar para a pessoa ao seu lado todos as suas facetas. Talvez vocês se completem. _ Ele sorriu novamente com muita gentileza.
Tulio me convidou para um café e aceitei. Sentei ao seu lado na mesa, e o enchi de perguntas sobre a máfia mexicana e o trabalho que fazem na propriedade.
Ele é um homem bom e sábio, cheio de paixão pela vida e pela família.
É magnifico conversar com uma pessoa dessas, que pensa aberto e muito além do mundo em que vivemos.
Tulio ofereceu um quarto de hóspedes e um escritório para que eu ficasse o tempo que julgasse necessário, já que Adelie teria que ficar até que seu soldadinho se recuperasse por completo. E pelo o que eu vi, ele perdeu muito sangue e corre risco de ficar com sequelas.
Por mim, poderia ter morrido logo, e dessa forma a atenção de Adelie seria toda minha.
Entrei no quarto e me deitei um pouco, sentindo a maciez da cama. Fechei meus olhos e acabei pegando no sono rapidamente. Parece que a ideia de Tulio arrancou das minhas costas uma tonelada de preocupações. Dessa forma, eu estaria perto da garota, e conseguiria achar e m***r logo esse homem que arranca o sono da minha noiva.
A parte difícil vai ser fazer as pazes com ela, já que parece realmente chateada.