Capítulo 25

1148 Palavras
Adelie A ameaça de Lev me deixou profundamente chateada. Esperava mais de um homem que sabe bem pelo o que estou passando. Sei que o tiroteio foi muita informação para todos nós, e entendo que a essa hora ele deve estar com os nervos a flor da pele, mas o que importa é que estou bem e viva. _ Adelie, quer caminhar pelo jardim? _ Perguntou Florzinha. _ Claro, vamos! _ A realidade é que tudo que eu queria era me esconder em um buraco, mas já que estou aqui, vou aproveitar um pouco com a minha prima emprestada. _ Você realmente está bem? _ Perguntou Florzinha. _ Sim, estou. Na realidade ainda estou em choque, porque nunca passei por aquilo, mas fora isso estou bem. _ Tentei sorrir, mas estou me sentindo péssima. _ Você escolheu um caminho bem conturbado Adelie, mas sei que foi pro um bom motivo. _ Disse ela com um sorriso meigo no rosto. _ É... eu precisava seguir por esse caminho, parecia o certo a se fazer. _ Minha voz saiu entristecida. Fizemos um longo tempo em silêncio, apenas observando a paisagem bonita do casarão. _ Max parece um soldado muito leal. _ Disse ela puxando assunto. _ Sim, ele é. É querido e Leal. Tem um coração de ouro. _ As palavras saíram naturalmente, e Florzinha parecia muito interessada em ouvir sobre o meu amigo. Lembrando o que ele havia dito sobre soldados não se envolverem com princesas como Florzinha, decidi dar uma leve ajuda ao meu amigo, já que depois que eu casar, Max terá que fazer outra coisa. _ Sabe, ele matou um cara... _ Todos os soldados mataram. _ Disse ela com um sorriso desconfortável. _ Na verdade, ele só virou soldado porque matou um filho de político. _ Nossa, sério? _ Ela arregalou os olhos. _ Sim, parece que o cara tinha abusado da irmã dele, e ele resolveu fazer justiça com as próprias mãos. Depois disso, minha mãe deu uma força para ele e limpou a barra dele com a polícia. Ele sustenta a família inteira com o que ganha na máfia _ Hum.. _ Notei que ela deu um leve sorriso com a informação. Vendo que talvez meu papel de cupido desse certo, resolvi colocar mais lenha na fogueira. _ Ele paga os estudos dos irmãos, disse que eles vão dar muito orgulho. Max parece um pai amoroso e babão, e não um irmão. _ Começamos a rir. _ Mas ele parece meio azarado com relacionamentos. _ Ué, por que diz isso? _ Ele é muito solitário, não consegue se envolver com ninguém. Acho que ter uma vida dupla não o faz bem. Torço para que ele arrume alguém da máfia, e até pensei em algumas amigas que gostariam dele. Florzinha virou o rosto para mim com uma cara nada amigável. Fingi que não vi e continuei andando. _ Acho que no momento ele precisa se concentrar em proteger você, não é? Relacionamento realmente não faria bem. O deixaria desconcentrado. _ Sim, concordo. Mas eu me caso em menos de um ano e meio, então até lá quero arrumar um par para Max, senão minha mãe vai colocá-lo para fazer a segurança de alguma mimadinha da máfia qualquer. _ Seria péssimo. _ Murmurou ela. _ Bom, quando eu começar a residência precisarei de alguém comigo, talvez meu pai concorde em colocá-lo como meu guarda costas. _ Disse ela como se estivesse apenas me dando uma ideia qualquer. _ Realmente, seria uma boa ideia, mas... _ Passei minha mão pelo pescoço, fingindo estar desconfortável. _ Mas? _ Não sei se Max iria querer, Florzinha, ele ficaria longe da família, e acho que não é isso que ele quer. _ Podemos traze-los juntos. Temos inúmeros projetos de realocação de famílias em vulnerabilidade. E dependendo do curso que os irmãos estiverem cursando, podemos dar um apoio. _ Ela parou e me olhou com intensidade. _ Vou fazer a proposta diretamente a ele, e depois converso com a tia Olivia. Florzinha nem me esperou, saiu saltitando em direção ao hospital médico da propriedade. Fiquei parada rindo. Acho que Lev tem razão, minha manipulação melhorou com o tempo. Espero que Max aceite, porque eu tenho certeza que o que rolou entre esses dois foi amor a primeira vista. _ O que disse a ela? _ E por pensar no diabo... Me virei, encarando Lev que está usando uma bermuda tactel e uma regata, exibindo seus músculos. _ Nada demais... _ Murmurei desviando o olhar para a minha prima que desapareceu da minha visão. _ O seu soldado e ela parecem ter se interessado um pelo outro. A forma como ele defendeu a garota, mesmo estando em desvantagem, deixou claro suas intenções. _ É... _ Tentei não dar muita informação para Lev, porque não quero dar munição a um possível inimigo. _ Hey.. _ Ele segurou meu braço, fazendo-me olhá-lo. _ Pode conversar comigo, viborazinha, eu sou seu noivo, seu amigo. _ Olha Lev, não me leva a mal..._puxei meu braço, afastando-me. _ ... depois de hoje cedo, não sei se confio em você. _ Pode confiar, somos aliados, sou fiel a você! _ Será que é? _ Ele arqueou as sobrancelhas. _ Me ameaçou daquela forma, e me magoou profundamente. _ Eu sei, e te peço perdão. Ultimamente eu não estou pensando direito. _ Você deveria voltar para casa, Lev. _ Minha casa é ao seu lado, e eu não saio mais de perto, Adelie. _ Lev falou com tanta convicção que dei um passo para trás. _ Vamos resolver isso juntos, e meu pai me incumbiu de ficar ao seu lado e finalizar o quanto antes nossos inimigos. _ Está me dizendo que... _ Agora a sua luta virou uma missão oficial da máfia russa, e vamos até o fim com isso. Ele sorriu ao final da frase, e arrisco dizer que Lev parece até mais leve. Não consegui conter meu sorriso também. Lev me abraçou apertado, passando-me confiança. _ Se me fizer aquele tipo de ameaça de novo, eu juro que acabo com tudo, Lev! _ Não farei mais, mas quero que me prometa algo! _ Ele agarrou meus ombros, fazendo-me encara-lo. _ Quero que prometa não sentir medo de mim. _ Que? _ Você vai conhecer meu pior lado, quando estivermos em campo. Não quero que sinta medo de mim, Adelie, você é a única que não deve me temer. _ Ele acariciou meu rosto e me puxou para um beijo super rápido, mas que me arrancou um suspiro. _ Não terei medo, Lev, desde que você não me tema também! _ Soltei um sorriso, e ele me acompanhou. _ Jamais temerei minha noiva. Claro, desde que não me ameace com a adaga novamente. _ Começamos a rir, e lembrei da marca que fiz em seu peito. Minha mão tocou seu rosto, sentindo seu calor me confortar.
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