Capítulo 22

1734 Palavras
Adelie Acordei sentindo mãos nos meus pés. Mãos com pele grossa e pouco cuidadas. Abri meus olhos lentamente, mas os fechei ao sentir a claridade. _ Precisamos ir. _ Disse Max ao massagear. _ Hum... eu não quero... _ Murmurei sentindo-me perfeitamente relaxada. _ Vamos, Adelie, estou com um m*l pressentimento. É melhor irmos para a casa do seu tio, antes que de m***a! _ Abri meus olhos e sentei na cama. Olhei para Max que parecia genuinamente preocupado. _ Não gosto quando você diz que está com um mau pressentimento. Na verdade, não gosto que ninguém fale isso, sempre dá m***a! _ Pulei da cama e abri a porta com desconfiança. O corredor estava vazio. Fui até meu quarto e peguei minhas coisas, passei uma água rápida no rosto e esperei Max na porta. Ele apareceu com o rosto molhado. _ Vamos logo! _ Murmurou o homem. Caminhamos rapidamente em direção ao saguão, mas o homem me fez parar. _ Vamos pelos fundos! _ Disse ele ao notar o alto movimento do hotel de quinta categoria que estávamos. Saímos praticamente fugidos. Max acionou nossos soldados e eles nos encontraram nos fundos. Assim que Max entrou no carro e o soldado começou a dirigir, ele pareceu conseguir respirar mais aliviado. _ Está mais tranquilo agora? _ Perguntou ele. _ Só vou ficar tranquilo quando chegarmos na casa do seu tio!_ Murmurou ele. Foi uma questão de cinco minutos, e notamos uma moto nos seguindo. Max pegou sua arma e eu peguei a minha. De repente, surgiram dois carros na cor prata atrás de nós. O nosso soldado começou a acelerar o máximo que o carro aguentava, e quando entramos em uma zona menos movimentada, a emoção começaria. _ Adelie, fica abaixada! _ Ordenou meu amigo. _ Nem fudendo! O carro que estava mais perto disparou contra o nosso. Por sorte, nosso vidro é blindado, mas o barulho dos disparos deixou tudo mais tenso do que já estava. A moto atrás começou a acelerar ainda mais, parando quase ao nosso lado. O motoqueiro disparou. _ Joga o carro pro lado! _ Ordenei. Meu soldado parecia mais perdido do que um cego em tiroteio, o que deixou Max emputecido. Ele fez o que mandei, mas não conseguimos atingir o motoqueiro. Max abriu a janela, e em um disparo certeiro derrubou o motoqueiro, com um tiro no peito. Outros dois surgiram atrás, acelerando até que chegassem próximos. Abri meu vidro antes que eles nos cercassem, e comecei a atirar. Esvaziei meu pente de balas em direção a eles, acertando somente um. Max praticamente me agarrou pelos cabelos e me jogou no banco. Na hora eu não entendi, mas quando olhei para o lado vi que um dos carros que vinha na contramão atirou em nossa direção. _ MAX!_ Gritei ao vê-lo sangrando. _ Estou bem! Continua atirando Adelie! Recarreguei minha arma, sentindo meu coração doer. O carro dos soldados que ficavam logo a frente também estavam enfrentando problemas, e nossos inimigos pareciam estar se multiplicando. Mais uma vez descarreguei minha arma em direção aos veículos atrás de nós, mas eles pareciam aumentar o número a cada segundo. _ Não acredito que vou morrer assim! _ Gritei sentindo meu peito arder de raiva. _ Em um carro em movimento? _ Perguntou Max rindo enquanto seu braço sangrava. _ VIRGEM! _ Gritei insatisfeita. Tudo parecia a mais completa loucura naquele momento, inclusive as nossas gargalhadas enquanto nosso carro era atingido por dezenas de tiros. Quando tudo parecia completamente perdido, ouvimos uma retaliação ainda mais forte. Alguns carros surgiram na contra mão, deram a volta e começaram atirar em direção aos veículos dos homens que estavam tentando nos m***r. Pouco tempo depois o único barulho era o dos pneus do nosso carro chegando na propriedade da máfia mexicana. Pulei para fora do carro e dei a volta, desesperada. _ ELE PRECISA DE AJUDA!_ Berrei, sentindo minha garganta doer. Alguns homens vieram nos ajudar, tirando Max de dentro do carro. Eles arrastaram meu amigo para dentro da mansão e eu os segui. _ Adelie! _ Olhei para trás, vendo meu tio Tulio correr em minha direção. Ele começou a me apertar, verificando se havia algum ferimento. _ Estou bem tio, mas o meu amigo... ele precisa de ajuda! _ Fica tranquila, vão levar ele para o posto médico, minha filha cuidara dele! Agora vem, sua mãe precisa saber que está bem! _ Ele agarrou minha mão e me puxou para o escritório. A essa hora minha mãe já sabia, já que mantem alguém na minha cola sempre. _ Você está bem? _ Perguntou Olivia do outro lado da tela. Vi que meu pai estava ao telefone atrás dela, olhando para a tela também. _ Sim mãe, mas o Max levou um tiro no braço. _ Tentei soar o mais tranquila possível. _ Então ele fez o trabalho dele direito! _ Disse ela sem pena. _ Mãe! _ Preste atenção Adelie, fique aí até que eu diga para você voltar para casa. Aí é seguro, e não confio em você andando por aí sozinha, pelo menos não por enquanto. Seja lá o que você esteja aprontando, suspenda! _ Olivia desligou a chamada, e certamente a essa hora já está com uma lista de possíveis nomes que nos querem ver mortos. Soltei um suspiro, não quero preocupar minha mãe. _ Vem, vou fazer um chá para te acalmar! _ Meu tio carinhosamente pegou novamente na minha mão e me guiou para a cozinha. Tulio é um homem gentil, solicito e faz o possível para manter tudo em ordem. A história da máfia mexicana é bem complicada. Havia um tirano no poder, e minha mãe junto com o líder francês o mataram. Com isso, a única herdeira da máfia foi para a França ficar nos cuidados do Dom francês, mas acabaram se apaixonando e ela abriu mão dessa máfia para viver seu amor. Com isso, a máfia ficou com a minha mãe, que com o passar o tempo praticamente deu para o tio Tulio que estava somente administrando. Bem, na verdade administrar já é difícil, é praticamente liderar. Tio Tulio era apaixonado pela minha mãe. Os dois viveram um caso muito intenso depois que meu pai quase o matou. Mesmo assim, ele não desistiu da minha mãe e continuou correndo atrás. Só que o que Tulio não sabia era que o coração de Olivia estava preso ao de Markus, e com isso, ela o mandou para longe justamente para protege-lo, e para que ele tivesse uma nova chance de vida. Aqui ele se apaixonou, casou com uma ruiva e teve uma bela filha, que hoje cursa medicina e é muito inteligente. Vejo minha mãe elogiando Tulio e sua família, e muitas vezes percebo os ciúmes nos olhos do meu pai. No fundo, Markus sabe que Tulio deu à Olivia momentos de tranquilidade e paz, coisa que Markus não soube dar, já que sua intensidade é maior do que o normal. _ Obrigado tio, o senhor é um anjo! _ Falei ao pegar o chá de camomila. _ De nada, querida. Espero que fique mais calma. Graças a Deus vocês estão bem! _ Será que Max vai ficar bem? _ Claro que vai, ele está sob os cuidados da futura melhor médica do México! _ Disse ele todo orgulhoso. _ Vocês são uns fofos! Onde está a tia? _ Ela está em viagem com algumas amigas, retornará em alguns dias. Tio Túlio me contou que a esposa gosta de viajar, e quando ele não pode, ela convida algumas amigas e vai, já que a filha vive estudando e é extremamente caseira. Ele me perguntou mais algumas vezes se eu estava bem, e por mais que insistisse falando que sim, ele ainda estava muito preocupado. (...) Quando a noite caiu recebi autorização para ir ver Max no centro médico da propriedade. O lugar é bem equipado, e fiquei sabendo que tem atendimento particular para algumas famílias necessitadas. Assim que entrei no quarto onde Max estava, meu amigo parecia muito concentrado na ruiva que estava ao seu lado explicando alguma coisa. Quando ela me viu, sorriu gentilmente. _ Adelie! _ Ela abriu os braços e veio em minha direção. Seu abraço foi caloroso e simpático. Sei que ela se formou antes do normal para os jovens e começou medicina muito cedo, por isso agora está mais perto de se formar do que nunca. _ Prima, a quanto tempo! _ Ela me apertou e me senti em casa. É incrível como ela é a cópia da mãe. _ Meu parceiro vai ficar bem? Ele foi baleado em cheio! _ Falei me referindo a Max, que estava com o braço enfaixado e sem camiseta. _ Sim, mas ele é muito teimoso, e se não ficar de repouso vai acabar com outra hemorragia! _ Disse ela com os braços cruzados. _ Pode deixar que ele vai obedecer direitinho! _ Falei ao estreitar os olhos para Max. Ela riu e saiu da sala, deixando-nos sozinhos. _ Hum, gostou do que viu? _ Perguntei cheia de malicia. _ Ela é linda... _ Murmurou todo envergonhado e fraco. _ Linda e solteira, sabia? Minha prima é super nerd, é simpática e solicita. É um combo! Max começou a ficar vermelho, mas vi uma certa tristeza tomar conta de seu rosto. _ Não é pro meu bico! _ Disse ele deduzindo. _ Por que? _ Sou um soldado, ela é uma princesa assim como você. Soldados como eu não se casam com princesas, Adelie. _ Nossa, que frase preconceituosa! _ Murmurei ao cruzar os braços. _ É a mais pura verdade. _ Max sorriu fraco. Arrumei seus cabelos que estavam bagunçados, e limpei seu rosto com um lenço umedecido. Ele estava visivelmente fraco pelo sangramento. _ Obrigado Max... _ Só cumpri meu dever. _ Não, você fez mais do que isso.. me manteve viva, segura e sem nenhum arranhão. Eu te devo a minha vida! _ Depositei um beijo em sua testa, e ele recebeu o carinho bem. _ Obrigado por ser gentil, Adelie. Espero que depois que casar não esqueça da nossa amizade, pois eu não vou esquecer! _ Ele deu um sorriso fraco e acariciou meu rosto com o braço bom. Ficamos um tempo conversando sobre tudo que aconteceu, e percebendo que ele estava cansado o deixei sozinho. Max merece repouso depois de um dia de cão desses, e eu mereço respostas!
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