Capítulo 8
Lev Bolshakov
Minha intenção não era enganar ninguém, mas eu precisava despistar os homens na sala sobre o envolvimento de Adelie em toda essa confusão. Claro, muitas coisas realmente coincidiam, como por exemplo um ataque recente dos albaneses com a nossa embarcação, o que me fez pensar a respeito de uma possível expansão que eles estão tentando fazer aos poucos, como se fossemos burros o suficiente para não perceber. Até então eu não tinha certeza de muita coisa, mas quando liguei os pontos, percebi que Adelie está metida em muita m***a, e os albaneses têm uma péssima reputação de seguir leis antigas. Quando descobrirem que há uma mulher caçando-os, eles vão surtar e vir com tudo pra cima.
Assim que sai da sala Dante me permitiu vê-la, e com todo respeito entrei no quarto. Vi seu corpo deitado na cama, relaxada, como se estivesse dormindo. Adelie não me engana, nem aqui e nem na china.
Sentei na ponta da cama, feliz por vê-la, e preocupado por saber que minha futura esposa em breve se tornará um alvo. Toquei seus pés, notando o inchaço e a maciez. Não queria ve-la assim. Minha mulher precisa estar coberta de luxo, descanso e segurança, não vagando por aí bancando a justiceira.
_ Melhorou seus métodos de manipulação no tempo em que não nos vimos, viborazinha. _ Murmurei.
_ Obrigado, ando treinando. _ Ela abriu os olhos, encarando-me profundamente. _ Está bonito, ainda mais atraente que na última vez que nos vimos, senhor Lev.
_ Senhor? Desde quando tem tanto respeito por mim? _ Perguntei rindo, ainda mais sabendo o que aconteceu daquela vez que faltou com respeito comigo.
_ Preciso manter meus modos na casa dos outros, ainda mais de gente que me recebeu tão bem.
_ O que estava fazendo esse tempo todo aqui, Adelie? Você é tão tinhosa quanto a sua mãe, sei que não estava a passeio! _ Eu sabia sobre o espião, mas precisava saber de mais coisas para tentar entender de uma vez por todas qual o tamanho deveria ser a minha preocupação.
Ela sentou, e fez uma careta como se estivesse dolorida. Meu peito ardeu ao vê-la tão perto, e seu perfume inundou meu nariz deixando-me extasiado.
_ Um antigo desafeto da minha mãe voltou, e está por perto. Quero matá-lo antes que a perturbe, e antes que ela descubra sua existência! _ Finalmente…
_ E quem seria? Sua mãe tem muitos desafetos por aí! _ Cruzei meus braços, tentando me mostrar forte, para receber sua atenção. E funcionou, Adelie deu uma boa olhada no meu corpo.
_ O filho de Gabriel. Preciso matá-lo logo, antes que minha mãe descubra que ele existe!
_ Gabriel? Foi o mesmo que…
_ Sim, Lev. O mesmo que ferrou com metade da vida da minha mãe. Preciso proteger a minha família, a todo custo! E não quero você no meu caminho, bonitão! _ Ela engatinhou pela cama, sentando-se no meu colo.
Afastei minhas mãos e meu rosto, tentando manter minha postura e deixando de lado o tamanho da gravidade que o assunto havia tomado.
_ Por que não me contou sobre isso antes? p***a Adelie, sabe que eu me esforço para cuidar de você! _ Confesso que me sinto chateado.
_ Eu sei, mas isso é um problema meu, senhor Lev. _ Ela esfregou o nariz no meu peito, e senti-la tão perto me deixou nervoso.
Eu precisava tomar o controle da situação, e voltar a pensar como um adulto funcional.
_ Não quero você metida em confusão, víborazinha! _ Adverti..
_ Eu sei me cuidar, com certeza muito melhor do que você !
_ Vou fingir que não ouvi isso. Quero que você seja uma garota normal por enquanto, sem mortes, Adelie, sem mortes!
_ Sou uma Cortez, onde eu vou a morte me acompanha, bonitão! _ Ela soltou a frase que menos gostaria de ouvir. Adelie saiu do meu colo e abriu a porta, olhando-me profundamente. _ Agora fora! Não preciso de mais problemas por enquanto!
Levantei, sentindo meu coração ficar naquela cama.
_ Claro, você já arrumou todos os problemas possíveis, não é? Agora terei que limpar sua bagunça! _ E limparia com o maior prazer, desde que tivesse a garantia de que Adelie ficaria bem.
_ E é para isso que os homens servem, para limpar a bagunça de suas mulheres.
_ Você ainda não é minha mulher! _ p***a, por que eu falei isso?
_ Eu sou, e você adora quando eu digo que sou sua. Agora vaza! Ah, e Lev? _ Parei do lado de fora, prestando atenção em cada palavra que ela estava me dizendo. _ Mantenha o p*u dentro das calças, porque se eu descobrir que anda usando-o em outras bocetas por aí, eu te castro antes do nosso casamento, e serei obrigada a usar vibrador pelo resto da vida! _ Adelie bateu a porta na minha cara.
Fiquei um bom tempo digerindo a ameaça e o excesso de informações. Adelie é intensa demais, e faz minha cabeça ficar confusa e dolorida.
_ Dante? _ O pobre homem estava sentado na sala, em silêncio.. _ Obrigado por me receber, estou de partida! _ Anunciei respeitosamente.
_ Não quer ficar? Posso te oferecer o sofá! _ Disse rindo.
Fiquei pensativo por um instante. Minha cabeça está doendo, mais do que já doeu em toda vida. Uma viagem neste momento talvez não seja uma boa ideia.
_ Eu… gostaria sim. _ A surpresa em seu rosto foi visível.
Dante buscou algumas cobertas, e me aconcheguei no sofá. Meus dias têm sido longos, e estamos lidando com alguns problemas na nossa máfia, sem falar na guerra entre países que está acontecendo. Isso tudo nos prejudica e nos incomoda muito, mas não temos controle de tudo.
Fechei meus olhos, sentindo a fisgada invadir meu cérebro. Lembrei do cheiro dela, do doce, do tom da voz, e foi como um calmante natural para a minha dor. Fechei meus olhos e peguei no sono.