Estamos na sala, bebendo. O silêncio aqui não é desconfortável… ele é necessário. Nós não temos a necessidade de dormir. Claro, descansamos quando o corpo pede. Mas dormir… como humanos dormem? Nosso corpo simplesmente não exige isso. Alice está encostada na poltrona, imóvel, mas atenta. Lucas está de pé, perto da janela, observando o nada como se enxergasse além do vidro. Eu bebo devagar. E tento, sem sucesso, ignorar a sensação constante do fio. Ele nunca para. Às três da manhã, eu sinto. Uma presença. O ar muda. A energia muda. O casarão inteiro parece prender a respiração. Eu abaixo o copo devagar. — Tem alguém chegando… Eu digo. Alice e Lucas ficam de pé no mesmo instante, como se tivessem sido acionados por um comando. Eu não me movo. Eu apenas sinto. E então…

