E não… Não é uma lembrança comum. Não é como assistir a um sonho antigo. É como ser arrancada do meu corpo e jogada dentro dele. Dentro daquela Helena. Eu sinto o peso do ar no peito. Sinto a pedra gelada sob meus pés. Sinto o cheiro de cera queimando. E sinto… o fio. O fio atravessando minha pele, meus ossos, meu sangue. Eu tento me mexer e eu me mexo. Eu tento falar e eu falo. Eu não estou vendo. Eu estou revivendo. Eu estou sendo julgada. E eu sei disso porque eu sinto o medo deles… como se fosse meu também. O círculo ao meu redor não é apenas um ritual. É um tribunal. E eu sou a acusada. Gabriel está ali. Preso. Com algemas tão pesadas que parecem feitas para esmagar não só o corpo… Mas a alma. Eu olho para ele e sinto uma dor absurda, como se meu peito fosse par

