A reunião começa pontualmente. Estou sentada à cabeceira da mesa menor, a de vidro , a que ele sempre preferiu quando queria algo menos formal. Clara entra primeiro, deposita as pastas com cuidado excessivo e me lança um olhar rápido, atento. Finjo não perceber. Então ele entra. Eduardo Ferraz . O dono da empresa. O homem que me ensinou tudo. O passado que eu nunca consegui transformar apenas em lembrança. — Helena ... Ele diz, com aquele tom calmo e firme que sempre teve. — Faz tempo. — Não o suficiente para esquecer como as coisas funcionam . Respondo, profissional, enquanto me levanto e estendo a mão. Eduardo aperta minha mão por um segundo a mais do que o necessário. Um gesto mínimo. Carregado demais. Sentamos. Clara permanece na sala, digitando tudo, como sempre. Isso muda

