Clara me recebe com café. O gesto simples me arranca um sorriso automático, quase um reflexo. Seguimos juntas para minha sala, lado a lado, como fazemos todos os dias. Tento manter o profissionalismo. É necessário. É seguro. Mas Clara vai além de ser apenas minha secretária. Ela me conhece como ninguém , os silêncios que digo sem palavras, o peso nos meus ombros quando finjo leveza, o momento exato em que preciso de espaço ou de presença. Ao fechar a porta, sinto o aperto familiar no peito. Não é medo. É atenção. Clara observa, e eu não posso vacilar. Laura passa pela minha mente como um alerta silencioso. Não posso deixá-la exposta. Não posso permitir que Clara conecte pontos que nunca deveriam existir. Ainda não. Sento atrás da mesa, organizo alguns papéis que não preciso realmente

