Kaamelott, dois meses antes...
✵ Merlim, o Mago
As coisas corriam da melhor maneira possível, Uther morreria na próxima invasão de saxões e seu filho varão assumiria o trono. Não tinha nada contra a princesa, Morgana era uma beldade em pessoa, porém seria uma péssima governante e de acordo com as leis, ela só se sentaria ao trono se estivesse casada com um príncipe, o que venhamos não era a minha intenção.
– Andas tão pensativo, meu senhor – ela sussurra se virando na cama para me observar, viro meu rosto para ela e lhe planto um beijo cálido em seus lábios macios.
– Você é perfeita e inesquecível – confessei a puxando para meus braços. Encanta-la afastaria qualquer pretendente e com isso a jovem não poderia exigir seu direito ao trono, não quando tinha um irmão homem.
Aperto seu corpo nu contra o meu, deleitar da quentura de seu toque se tornava irresistível e mesmo sendo muito mais velho que ela, era impossível não a desejar e pouco me importava se alguém descobrisse aquela relação, Morgana não era mais uma criança e como mulher era dona de seu próprio corpo como de seus sentimentos.
– Já está amanhecendo – ela adverte com um sorriso malicioso ao sentar-se sobre meu m****o, os cabelos claros e longos caídos em seus s***s macios me fazem puxá-la para mais perto e sussurrar em seu ouvido.
– Tem certeza de que quer que eu me retire do seu aposento? – Sua arfada desejosa me faz segurar seus cabelos e grudar nossos lábios um ao outro. Ninguém entraria no quarto de uma princesa sem permissão logo pela manhã.
⚝ ♱ ⚝
Levanto-me da cama e coloco as vestes que estavam jogadas no chão. A jovem continuava deitada observando cada movimento que fazia e sim, essa era a intenção desde o início. Não poderia correr o risco de ela desejar a coroa em vez de mim.
– O Príncipe Irlandês chega hoje para cortejá-la, deveria se arrumar de uma forma bem irresistível – falei a fazendo bufar com a ideia.
– E quem disse que o quero?
– Estrategicamente é um bom arranjo – admiti ao colocar o casaco. – Deveria pensar no reino e não em mim.
– Não penso em você, Merlim, só na diversão que pode me proporcionar. Agora vá logo, tenho um noivo para conquistar e um lance de terras para roubar – seu sorriso traiçoeiro me faz pensar se a afirmação realmente era válida ou se era apenas uma brincadeira. Aproximo dela segurando em seu pescoço.
– Posso te proporcionar muita diversão – sussurro entre seus lábios – e o farei, mas duvido muito que teremos tempo para isso depois que se tornar a rainha. Talvez tenha que se contentar apenas com seu futuro marido. – A risada esganiçada que ela solta em diversão me faz segurá-la com mais firmeza. – Me perdoe, milady, pela rebeldia, mas tenho que ir – deposito um beijo casto em sua bochecha e me afasto em direção a porta.
– O que pensa que está fazendo? – A rainha indaga assim que saio do quarto e fecho a porta.
– Nada demais, Majestade – falei com um sorriso vitorioso.
– Você acha que ela é tão tonta ao ponto de cair nos seus joguinhos?
– Você caiu e sua irmã também, por que acha que a princesa não irá? – perguntei observando os olhos azuis de Igraine se arregalarem.
– Por acaso isso é uma ameaça, Merlim?
– Não, Vossa Majestade, só estou fazendo o possível para garantir o lugar do seu filho ao trono, nem que isso custe algumas noites com a princesa e não com você. Mas prometo ser mais atencioso daqui uns dias – sinto quando sua mão acerta minha face em um tapa que só faz meus lábios se curvarem em um sorriso quando seguro seus dedos o apertando entre os meus. – Se está aqui, é porque eu te coloquei, não se esqueça disso, mestiça.
Igraine se afasta rapidamente me deixando parado no corredor, tudo o que fazia era para o bem do futuro herdeiro. O jovem seria a libertação de nosso povo e nada iria me impedir de fazer com que a profecia se cumprisse. Logo Artur se tornaria o Rei de Kaamelott e nada e ninguém poderia impedir o que havia sido escrito a muitas eras.
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Quinhentos anos atrás...
Com todas as invasões e mortes muitos dos seres mágicos foram obrigados a achar uma nova maneira de sobreviver, seja se retendo as suas peles animais ou se trancafiando dentro das matas e rios. A pregação da nova religião ganhava forças naquelas terras antes habitadas pelos druidas e seus familiares, agora por povos que chegavam tomando tudo como se pertencesse àqueles que colocassem o olho primeiro.
A criação de navios maiores e mais seguros tornavam as viagens marítimas mais acessíveis e o desejo por exploração de riquezas fazia muitos governantes e nobres montarem uma tripulação e se aventurarem pelo mar levando consigo tudo o de r**m que existia naqueles corações endiabrados que pregavam o céu quando passavam chacinando a todos que se recusassem a servi-los como os únicos detentores do saber divino. No início a fala mansa conquistou a muitos, mas depois que as máscaras caíram viram realmente quem eram aquelas pessoas que faziam promessas e que abusavam da natureza e de seus habitantes, os obrigando a ir contra sua fé e corrompendo a pureza da linhagem provinda das fadas que eles insistiam em dizer que aquelas terras eram infestadas de anjos decadentes, os quais deveriam ser purificados com fogo queimando os monstros rebeldes e sua linhagem pagã, só porque suas crenças não se encaixavam com a do Deus Supremo.
Dessa guerra entre as religiões surgiu uma criança, a primeira mestiça, metade humana e a outra parte provindas de uma Elfa, essa foi criada na floresta pelas seguidoras de Druantia as três sacerdotisas intituladas Triquetra – donzela, mãe e anciã – as quais possuíam o dom de ver o passado, presente e futuro, a Santíssima Trindade Celta. A criança tinha em seu sangue os dons provindos da mãe e a mortalidade do pai, e para vencer essa barreira ela deveria morrer e ressurgir com um novo corpo que poderia ser feminino ou masculino. Com o passar dos anos essa prática levou a criação dos Púcas, transmorfos trapaceiros que usavam seus dons para gerar novas espécies de fadas. Porém, nem todas as criações sabiam como realmente manter sua parte divina e com isso o conhecimento das três sacerdotisas se perderam no tempo. Aqueles que sobreviveram possuíam não só as lembranças de sua vida como as de seu passado reencarnado. Merlim foi um dos primeiros híbridos, e o único talvez que ainda viva entre aquelas terras por gerações e seu conhecimento vinha daquelas que o ensinaram e proferiram que um dia todos voltariam a ter a tão sonhada paz que mereciam.
Quando uma criança for gerada pelo ventre das duas religiões e assumir o trono que é seu por direito, este trará a fertilidade ao solo desgastado, a alegria ao povo derrotado. A espada brandida em sua mão carregará a esperança de dias vindouros e os seus inimigos estremecerão ao proferirem o seu nome em voz alta. As criaturas o seguirão e a sua história se tornará uma lenda entre as nações.
O Mago acreditava naquelas palavras e estava disposto a cumpri-las, nem que para isso tivesse que eliminar os empecilhos, mas o que Merlim não conhecia era a segunda parte da profecia.
Dez mil serões escolhidos, desses, mil se tornarão vindouros, mas apenas um será o único e verdadeiro cumpridor do que foi proferido. Aqueles os quais se negarem ou interferirem sofrerão a penitência e a sua derrota se tornará vergonhosa e digna de canções escarnecedoras até os fins dos tempos. Humilde é aquele que troca a coroa pela amizade, que renega a morte e surge com esplendor.