CAPÍTULO 13: Cicatrizes e Sedas

1594 Palavras
POV – VALENTINA ORTEGA O silêncio do apartamento de luxo de Enzo era quase tão ensurdecedor quanto o latejar na minha barriga. Eu estava trancada no banheiro de mármore branco, observando meu reflexo no espelho imenso. Meus olhos estavam fundos, a pele pálida, e o curativo na minha lateral esquerda estava manchado de um vermelho escuro e seco. Eu não suportava a sensação de impotência. Por um ano, eu fui o escudo. Por um ano, eu fui a força. Estar ali, dependendo de remédios e da caridade de um homem que eu jurava odiar para esconder o fato de que o desejava, era a minha maior tortura. — Eu consigo fazer isso — sussurrei para mim mesma, as mãos trêmulas alcançando a borda da fita adesiva. Puxei o esparadrapo e soltei um gemido baixo, a dor aguda disparando pelo meu tronco. Meus dedos falharam. A gaze ficou pendurada, expondo a carne viva e os pontos negros que prendiam minha pele. Tentei alcançar o antisséptico na bancada, mas uma tontura me atingiu. Meus joelhos fraquejaram e eu me apoiei na pia, o suor frio brotando na minha testa. A porta do banheiro se abriu. Não houve batida. Enzo não pedia permissão no seu próprio domínio. POV – ENZO VITALE Eu ouvi o barulho de algo caindo e o suspiro abafado dela. Meu coração, que já estava em alerta desde que ela acordou, disparou. Entrei no banheiro e a cena que encontrei fez meu sangue ferver e congelar ao mesmo tempo. Valentina estava curvada sobre a pia, apenas com uma camisola de seda preta que eu pedi para Marco comprar — a única coisa que não machucaria sua pele. A alça da camisola tinha caído, revelando a curva delicada do seu ombro e a lateral do seu corpo onde a ferida estava exposta. — Eu disse para você me chamar, Valentina — minha voz saiu mais rouca do que eu pretendia. — Eu não preciso de ajuda, Enzo. Já cuidei de ferimentos piores em celas que você não duraria uma hora — ela rebateu, mas não tinha força na voz. Ela tentou se cobrir, mas eu fui mais rápido. Caminhei até ela, sentindo o calor que emanava do seu corpo. A proximidade era perigosa. O cheiro dela — uma mistura de sabonete caro e o toque metálico de sangue — estava me deixando louco. — Hoje não. Hoje você não é a guarda-costas. Hoje você é apenas... minha. — Peguei o frasco de limpeza e a gaze. — Senta na bancada. Agora. POV – VALENTINA ORTEGA A autoridade na voz dele me pegou desprevenida. Eu poderia ter lutado, poderia ter empurrado ele, mas o toque de suas mãos nas minhas coxas para me ajudar a subir na bancada de mármore frio me desarmou. A pele dele contra a minha era como fogo tocando gelo. Fiquei sentada, as pernas balançando levemente, enquanto ele se posicionava entre elas. A proximidade era insuportável. Eu conseguia ver o pulsar da veia no pescoço dele, o brilho sombrio nos seus olhos escuros. Enzo começou a limpar a ferida com uma delicadeza que eu nunca imaginei que ele possuísse. — Vai arder — ele sussurrou, soprando suavemente sobre a pele enquanto passava o remédio. O ar frio do seu sopro contra o calor da minha inflamação me fez arquear as costas. Minhas mãos, por puro instinto, agarraram os ombros do terno dele. Eu sentia os músculos dele por baixo do tecido, a solidez de um homem que finalmente tinha acordado para o que estava diante dele. — Por que está fazendo isso, Enzo? — perguntei, a respiração ficando curta à medida que os dedos dele deslizavam para além da borda do curativo, mapeando o contorno da minha cintura. — Porque eu passei um ano tentando ignorar que a mulher que me protegia era a única que eu queria destruir e salvar ao mesmo tempo — ele disse, levantando o olhar para o meu. — E porque ver o seu sangue no meu chão mudou algo em mim que eu não posso consertar. POV – ENZO VITALE Eu estava tentando ser o cavalheiro que meu pai queria, mas a visão de Valentina ali, vulnerável e tão absurdamente linda sob a luz fria do banheiro, estava quebrando minha resistência. Meus olhos começaram a vagar pelo corpo dela. Além da ferida recente, havia outras. Uma cicatriz fina perto da costela. Uma marca pequena no ombro. — O que é isso? — perguntei, tocando a cicatriz na costela com a ponta dos dedos. — Prisão de Cook County. Terceiro mês. Uma detenta achou que eu era um alvo fácil — ela respondeu, tentando parecer indiferente, mas vi um arrepio percorrer sua espinha sob o meu toque. Eu não consegui me conter. Inclinei-me e pressionei meus lábios contra aquela cicatriz antiga. Senti Valentina dar um solavanco, um suspiro surpreso escapando de seus lábios. — Enzo... — Cada marca que você tem é um lembrete do que eu deixei você passar sozinha — sussurrei contra a pele dela. — Eu vou honrar cada uma delas. Subi os beijos pela lateral do seu corpo, evitando o curativo fresco, mas subindo até a curva do seu seio, onde a seda da camisola m*l escondia sua reação ao meu toque. Meus lábios encontraram o pescoço dela, e o som que ela soltou — um gemido baixo, quase um lamento de desejo — foi o meu fim. Larguei a gaze na pia. Minhas mãos subiram para o rosto dela, segurando-a com uma possessividade que eu não conseguia mais mascarar. — Você tem ideia do que está fazendo comigo há um ano, Valentina? — encostei minha testa na dela. — Cada vez que você entrava no meu quarto para me acordar, cada vez que nossas mãos se tocavam "por acidente" no carro... eu queria te jogar contra a parede e ver se você era tão fria por baixo dessa armadura quanto fingia ser. POV – VALENTINA ORTEGA O desejo dele era palpável, uma força elétrica que me envolvia. Eu não era mais a Rainha das Sombras ali. Eu era apenas uma mulher que estava faminta por toque, por reconhecimento, por ele. — Então por que não viu, Enzo? — puxei o rosto dele para mais perto, meus dedos se enroscando no seu cabelo escuro. — Por que teve que esperar eu quase morrer para perceber que eu sou a única que realmente te enxerga? — Porque eu sou um i****a orgulhoso — ele admitiu, e antes que eu pudesse responder, ele selou nossos lábios. O beijo não foi doce. Foi uma colisão de um ano de repressão. Tinha gosto de urgência, de posse e de uma química que ameaçava incendiar o banheiro. A língua dele explorava a minha com uma fome selvagem, e eu retribuía com a mesma intensidade, esquecendo a dor na barriga, esquecendo a vingança, esquecendo o mundo lá fora. Ele puxou meu corpo para mais perto da ponta da bancada, as mãos descendo para minhas nádegas, apertando-as através da seda fina. Senti o volume dele contra a minha i********e, duro e pronto, exatamente como eu tinha visto na boate, mas agora ele era meu. Só meu. — Enzo... os pontos... — murmurei entre os beijos, sentindo uma pontada de dor misturada ao prazer que me fazia delirar. POV – ENZO VITALE As palavras dela foram um balde de água fria na minha luxúria desenfreada, mas não no meu desejo. Eu não podia machucá-la mais. Não hoje. Afastei-me apenas alguns centímetros, nossas respirações misturadas, o ar entre nós denso o suficiente para ser cortado com uma faca. Meus olhos desceram para os lábios dela, inchados e vermelhos pelo meu beijo. — Você tem razão — eu disse, a voz rouca, tentando recuperar o controle. — Eu não vou rasgar esses pontos de novo. Não antes de você estar pronta para aguentar tudo o que eu pretendo fazer com você. Passei o polegar pelo lábio inferior dela. — Mas não pense que isso acabou, Valentina. Eu vou cuidar de você. Vou trocar cada curativo, vou te dar cada banho. Vou te fazer lembrar de cada segundo que eu passei te desejando em silêncio enquanto você limpava o sangue dos outros. Eu a peguei no colo com todo o cuidado do mundo, como se ela fosse feita de porcelana — uma ironia, já que ela era feita de aço. Levei-a de volta para a cama e a deitei suavemente. — Durma, Val. Amanhã começamos a nossa guerra contra os Harrison. Mas esta noite... esta noite você só precisa saber que eu sou o seu escudo agora. POV – VALENTINA ORTEGA Ele se deitou ao meu lado, por cima das cobertas, apenas me puxando para o seu peito com uma proteção que eu nunca conheci. O som do coração dele era constante, um ritmo que finalmente acalmou a tempestade dentro de mim. Eu sabia que o sexo viria. Eu conseguia sentir a promessa no jeito que ele me segurava. Mas ali, naquele silêncio, eu percebi que o que tínhamos era muito mais perigoso do que apenas prazer. Era uma aliança de almas. Fechei os olhos, sentindo o beijo que ele depositou no topo da minha cabeça. Os Harrison e os Petrov achavam que tinham me quebrado. Eles não sabiam que tinham apenas me entregue ao homem que me daria o mundo para eu pudesse queimá-lo ao meu gosto. O show estava prestes a começar, mas a primeira cena... a cena da nossa entrega... seria a mais picante de todas. Eu só precisava de mais uma noite para estar pronta para ser dele por inteiro.
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