CAPÍTULO 18: O Silêncio das Sombras

1150 Palavras
POV – VALENTINA ORTEGA O isolamento é uma morte lenta. Começa com o telefone parando de tocar e termina com as portas se fechando na sua cara. Na terceira semana do nosso plano, os Harrison já não tinham mais crédito; agora, eu ia garantir que eles não tivessem mais amigos. Eu estava no escritório tático do galpão, revisando a lista de convidados para o jantar beneficente da Ópera de Chicago — o último evento social onde Clarisse Harrison ainda tinha esperança de conseguir um investidor desesperado. — Valentina. — A voz de Enzo entrou na sala antes dele. Eu não precisei olhar para saber que ele estava de mau humor. O som dos seus passos era pesado, autoritário. Ele parou atrás de mim, mas desta vez não houve o toque suave de ontem. Ele parecia uma nuvem de tempestade prestes a desabar. — Por que você enviou o Gustavo para monitorar o clube de elite sozinha com aquele novo recrutado, o tal do Leo? — ele perguntou, a voz carregada de um ciúme que ele tentava disfarçar como preocupação profissional. Suspirei, deixando a caneta sobre a mesa e girando a cadeira. — Porque o Leo é um ex-agente infiltrado e o Gustavo precisa de alguém que conheça a planta interna do clube. É uma decisão tática, Enzo. — Tática? O cara não para de olhar para você nos treinos, Valentina. Eu vi. Eu sou o Dom desta cidade, eu percebo quando alguém está cobiçando o que é meu. — O que é seu? — levantei-me, sentindo a irritação borbulhar. — Enzo, o Leo m*l consegue olhar nos meus olhos de tanto medo que tem de mim. Pare com isso. Esse ciúme bobo está começando a atrapalhar o nosso foco. POV – ENZO VITALE Eu sabia que estava sendo irracional. Eu sabia que Valentina era a mulher mais letal daquela sala. Mas a ideia de qualquer outro homem respirando o mesmo ar que ela, ou tendo a chance de protegê-la em campo enquanto eu estava preso em reuniões de negócios, me deixava possesso. — Eu não gosto do jeito que ele se posiciona perto de você — retruquei, cruzando os braços. — Eu protejo a sua frente, lembra? E a sua frente inclui garantir que nenhum i****a tente a sorte. — Enzo, olhe para mim — ela caminhou até ficar a centímetros do meu peito. — Sua possessividade está passando dos limites. Eu passei cinco anos em uma cela de três metros quadrados. Eu não saí de lá para entrar em outra cela, mesmo que ela seja feita de ouro e tenha o seu cheiro. Aquelas palavras me atingiram como um tiro. Vi a seriedade nos olhos dela, o brilho de quem valoriza a liberdade acima de tudo. Minha mandíbula travou. Eu não queria ser o carcereiro dela, mas o medo de perdê-la, ou de que o mundo a machucasse de novo, me tornava um monstro territorialista. — Eu não quero te prender, Val — minha voz baixou, mas ainda estava ríspida. — Eu só... eu não confio neles. — Então confie em mim — ela rebateu, firme. — Eu escolhi você. Eu me entreguei a você. Mas se você continuar tentando controlar cada passo que eu dou ou cada pessoa com quem eu falo, você vai acabar me perdendo por sufocamento, não por uma bala russa. Ficamos em silêncio por um longo minuto. A tensão entre nós não era s****l desta vez; era uma queda de braço de vontades. Eu soltei um suspiro pesado, sentindo meu orgulho se dobrar diante da lógica dela. — Tudo bem — murmurei, descruzando os braços. — Eu vou... tentar diminuir a guarda. Mas se aquele Leo chegar a menos de dois metros... — Enzo! — ela me repreendeu, mas vi um pequeno sorriso nos lábios dela. — Ok, ok. Vamos focar nos Harrison. POV – VALENTINA ORTEGA Com o ciúme de Enzo temporariamente sob controle, voltamos ao que interessava: o "xeque-mate" social. — Já vazei os documentos que provam que a Harrison Holdings usava fundos de caridade para cobrir as dívidas de jogo do falecido Arthur — expliquei, apontando para o tablet. — A notícia vai sair nos colunistas sociais em dez minutos. No momento em que Clarisse pisar na Ópera esta noite, ela será um pária. Ninguém vai querer ser visto a menos de dez metros de uma mulher que rouba orfanatos para pagar apostas de máfia. Enzo observava a tela, sua mente estratégica voltando a operar com clareza. — E quanto à Elena? A filha? — Ela é a peça final. Ela acha que o filho do Petrov a ama. O que ela não sabe é que eu enviei fotos para o Petrov pai mostrando que ela está passando informações da logística russa para um "contato misterioso" — que na verdade é uma conta fantasma que eu criei. Os russos vão isolá-la hoje mesmo. Eles não perdoam traição, nem mesmo imaginária. POV – ENZO VITALE Eu observava Valentina trabalhar e sentia um orgulho imenso, misturado com aquela pontada de ciúme que eu estava tentando sufocar. Ela era brilhante. Em uma tarde, ela tinha destruído trinta anos de fachada social daquela família. — Elas estão sozinhas agora — eu disse, sentando-me ao lado dela. — Sem dinheiro, sem aliados russos e sem prestígio social. — Elas estão exatamente onde eu estive — Valentina disse, a voz ficando sombria. — No escuro. Esperando pelo golpe final. O telefone de mesa tocou. Era o Dom. — Enzo, Valentina. O isolamento está completo. Clarisse Harrison acabou de ser barrada na entrada da Ópera. Foi uma cena linda. Ela está voltando para a mansão, escoltada apenas por dois seguranças de baixo nível. É a hora. Valentina olhou para mim. O momento pelo qual ela esperou por seis anos estava a dias de distância. — Vamos armar o ataque final — ela disse, levantando-se. — Quero todas as equipes em posição. Eu me levantei e apenas assenti. Não tentei segurá-la, não tentei dizer que ela deveria ficar na retaguarda. Eu respeitaria o espaço dela, mesmo que cada instinto meu gritasse para trancá-la no meu apartamento e fazer o serviço eu mesmo. — Val — chamei antes que ela saísse da sala. — Sim? — Eu prometo parar com a possessividade... exagerada. Mas não me peça para parar de me importar. Você é a minha Rainha. E um Rei não é nada sem o seu trono. Ela sorriu, um sorriso real, e acenou com a cabeça. — Justo, Vitale. Agora vamos trabalhar. Temos uma mansão para derrubar. A Semana 3 terminava com o som do silêncio para os Harrison. O telefone deles não tocava. As luzes da alta sociedade se apagaram para eles. Eles estavam isolados na mansão, cercados pelo medo. E nas sombras, o aço e o ouro estavam carregando as armas. O plano estava pronto. A vingança estava madura. E o próximo capítulo seria escrito com fogo
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