CAPÍTULO 19: O Eclipse dos Harrison

1301 Palavras
POV – VALENTINA ORTEGA O ar da noite estava frio, cortante, mas o fogo que queimava em minhas veias era o suficiente para me manter aquecida. Eu estava no banco de trás do SUV blindado, verificando o carregador da minha HK VP9. Ao meu lado, Enzo estava em um silêncio absoluto, sua presença emanando uma autoridade letal. Ele não tentou me impedir de liderar a invasão; ele cumpriu a promessa de respeitar meu espaço, mas seus olhos nunca deixavam de vigiar cada centímetro do meu perímetro. — Equipes em posição? — perguntei pelo rádio. — Sombras 1 em posição na entrada leste — a voz de Gustavo respondeu. — Sombras 2 cobrindo os fundos. O sinal dos inibidores de frequência já derrubou as câmeras e os alarmes da mansão. Eles estão cegos, Val. — Ótimo. Vamos entrar — ordenei. Antes de abrir a porta do carro, senti a mão de Enzo no meu pescoço. Não era um toque de controle, mas de conexão. — Eu olho a sua frente, você olha as minhas costas — ele sussurrou, a voz carregada de uma promessa sombria. — Vamos terminar isso. Saímos do carro sob o véu da escuridão. A mansão Harrison, que um dia pareceu um castelo impenetrável onde eu era apenas "a faxineira", agora parecia uma tumba de mármore. O isolamento das semanas anteriores tinha deixado a propriedade com apenas quatro seguranças particulares — mercenários de baixo nível que fugiram ao primeiro sinal de supressão das nossas equipes. Arrombamos a porta principal com um impacto seco. O som ecoou pelo hall de entrada luxuoso, onde vasos de porcelana e quadros caros agora pareciam relíquias de um império morto. POV – ENZO VITALE Eu caminhava ao lado de Valentina, cobrindo o ângulo frontal com minha pistola com silenciador. Ver a determinação nos olhos dela era a coisa mais aterrorizante e excitante que eu já presenciei. Ela se movia como um espectro, cada passo calculado, cada respiração controlada. Subimos as escadas em direção aos quartos. Eu podia ouvir os gritos abafados de Clarisse e Elena Harrison vindos do quarto principal. Elas estavam trancadas lá dentro, achando que as portas reforçadas as salvariam da justiça que elas mesmas semearam. — Afaste-se — Valentina disse friamente. Ela chutou a porta com uma força que fez a madeira estalar. Lá dentro, o cenário era de puro desespero. Clarisse estava abraçada à filha, Elena, ambas vestidas com roupas de grife que agora pareciam trapos de medo. — Quem é você?! O que quer?! — Clarisse gritou, a voz trêmula, enquanto tentava alcançar um telefone que não tinha sinal. Valentina deu um passo à frente, retirando o capuz tático. A luz do luar que entrava pelas janelas revelou o rosto da mulher que elas tentaram destruir. — Você sabe exatamente quem eu sou, Clarisse — Valentina disse, a voz baixa, letal. — Eu sou o fantasma que você tentou enterrar em Cook County. POV – VALENTINA ORTEGA Ver o rosto de Clarisse empalidecer foi o primeiro pagamento da minha dívida. Ela me olhava como se visse a própria morte. — Valentina... — ela gaguejou. — Nós... nós podemos negociar. Eu tenho joias, tenho contatos... — Você não tem nada — Enzo interrompeu, dando um passo à frente e parando ao meu lado. Sua possessividade agora se manifestava como um escudo de aço. — Eu comprei a sua vida, Clarisse. Eu quebrei os seus bancos. Eu apaguei o seu nome. Você só está viva neste momento porque a minha Rainha quis olhar nos seus olhos antes do fim. Elena, a filha, começou a chorar. Ela era a garota que mentiu no tribunal, a garota que me viu ser arrastada pelos guardas e sorriu. — Eu sinto muito! — Elena gritou. — Foi meu pai! Ele nos obrigou! — Mentira — eu disse, aproximando-me dela. — Você gostava da sensação de poder. Você gostava de saber que uma palavra sua poderia tirar cinco anos da vida de alguém. Mas o tempo acabou. Nesse momento, meu rádio chiou novamente. — Val, aqui é o Gustavo. Temos uma surpresa chegando na van de suporte. Alguém que quer ver o final disso pessoalmente. A porta do quarto se abriu novamente e Gustavo entrou, escoltando uma mulher que caminhava com passos firmes e um olhar de dignidade recuperada. Minha mãe. Mariana Ortega. POV – MARIANA ORTEGA Ver minha filha ali, armada, poderosa e acompanhada pelo herdeiro dos Vitale, fez meu coração transbordar. Durante anos, minha doença foi agravada pela tristeza de ver Valentina ser injustiçada. Mas o Dom cuidou de mim, e agora, saudável e recuperada, eu estava aqui para ver o fechamento do ciclo. Caminhei até Clarisse Harrison. O silêncio na sala era absoluto. — Você tirou a minha filha de mim por cinco anos — eu disse, a voz firme, sem o tremor da fraqueza de outrora. — Você deixou que meu marido morresse e que nossa família fosse humilhada. Dei um tapa seco no rosto de Clarisse. Não foi um ato de violência descontrolada, mas um ato de autoridade. — Os Ortega nunca morrem, Clarisse. Nós apenas esperamos nas sombras até que os covardes como vocês se revelem. POV – VALENTINA ORTEGA Ver minha mãe ali, forte e de pé, foi o fechamento da minha ferida. O plano estava completo. — Gustavo, leve Elena para a van. Ela vai passar algum tempo em uma instituição que eu mesma escolhi... um lugar onde ela vai aprender o que é o isolamento, longe de qualquer luxo — ordenei. — Quanto a Clarisse... ela fica. Enzo se aproximou de mim, sua mão pousando no meu ombro. — O que quer fazer, Val? A cidade é sua. — Eu não vou matá-la — eu disse, olhando para Clarisse, que agora estava soluçando no chão. — Matar seria fácil demais. Eu quero que ela viva. Quero que ela viva no subúrbio, sem um centavo, com o nome manchado por cada crime que o Enzo expôs. Quero que ela ande pelas ruas de Chicago e sinta o peso de ser ninguém. Olhei para Enzo e vi o orgulho brilhando em seus olhos. Ele sabia que essa era a pior punição para uma mulher como Clarisse Harrison. — Você ouviu a Rainha — Enzo disse para os seguranças. — Removam-na. Levem-na para o apartamento de cortesia que preparamos no lado sul. Onde o lixo é recolhido uma vez por mês. POV – ENZO VITALE A mansão estava sendo esvaziada. O império Harrison tinha caído em uma única noite de fogo e precisão. Eu puxei Valentina para perto, ignorando o caos ao redor. O ciúme bobo das semanas anteriores tinha evaporado, substituído por uma admiração profunda. Eu protegi a frente dela, garantindo que nenhum obstáculo restasse, e ela cobriu as minhas costas com a inteligência de uma mestre. — Acabou, Val — eu disse, beijando sua testa. — Não — ela respondeu, olhando para mim com um brilho novo nos olhos. — A vingança contra os Harrison acabou. Mas agora... agora temos os Petrov. E temos uma cidade para governar. — Juntos? — perguntei, sorrindo. — Juntos. Ouro e Aço. Saímos da mansão enquanto as chamas de um incêndio controlado — para apagar qualquer evidência da nossa entrada — começavam a lamber as cortinas de seda. Mariana e Gustavo nos esperavam nos carros. A família Ortega estava reunida e protegida pelo nome Vitale. No carro, Valentina deitou a cabeça no meu ombro. Eu a abracei com uma possessividade terna, sabendo que nada no mundo poderia nos separar agora. O pacto de casamento que nossos pais fizeram no sangue não era mais uma obrigação, era a nossa realidade. A noite em Chicago estava apenas começando. Os Harrison eram cinzas. Os próximos seriam os russos. O show dos Vitale e Ortega tinha apenas começado, e a cidade nunca mais seria a mesma.
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