RITUAL E RUÍNAS

266 Palavras
Narrado por Cael Naquela noite, eu sonhei com fogo. E quando acordei, sabia: eles viriam. A alcateia rival, os Lobos Negros, havia sentido o despertar dela. O ritual de união entre mim e Isadora era um selo sagrado, uma ligação irreversível entre companheiros. Mas também uma ameaça para quem buscava poder. — Eles sabem — disse Rhian, surgindo na trilha. — Estão vindo em três dias. Querem impedi-los de se unir. Dizem que sua companheira é uma aberração. Um erro. Rosnei com o lobo nos olhos. — Eles querem guerra. Vão ter. Na noite do ritual, o altar ancestral foi preparado. O luar banhava a clareira. Isadora vestia um manto branco como neve, mas seus olhos queimavam em prata e ouro. Ela não era mais uma garota universitária. Era minha loba. Minha igual. Minha rainha. Quando nossos corpos se tocaram sob o luar, no meio do círculo, o vínculo finalizou. A mordida no ombro dela foi o selo. Sangue e prazer se misturaram. Mas o grito que veio depois não foi o dela. Foi de um sentinela. — Eles chegaram! — berrou, ensanguentado, antes de cair morto. A floresta se incendiou em uivos e gritos. — Fuja com ela! — gritou Rhian. Mas eu sabia que Isadora não fugiria. Ela arrancou o manto, nua e brilhando como uma deusa da guerra. — Eles querem me parar? Que tentem. E então... ela se transformou pela primeira vez. Não em loba comum. Mas em algo maior. Algo ancestral. E eu entendi: A guerra havia começado. Mas com ela ao meu lado... o mundo podia queimar.
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