Narrado por Cael
Naquela noite, eu sonhei com fogo.
E quando acordei, sabia: eles viriam.
A alcateia rival, os Lobos Negros, havia sentido o despertar dela. O ritual de união entre mim e Isadora era um selo sagrado, uma ligação irreversível entre companheiros. Mas também uma ameaça para quem buscava poder.
— Eles sabem — disse Rhian, surgindo na trilha. — Estão vindo em três dias. Querem impedi-los de se unir. Dizem que sua companheira é uma aberração. Um erro.
Rosnei com o lobo nos olhos.
— Eles querem guerra. Vão ter.
Na noite do ritual, o altar ancestral foi preparado. O luar banhava a clareira. Isadora vestia um manto branco como neve, mas seus olhos queimavam em prata e ouro.
Ela não era mais uma garota universitária.
Era minha loba. Minha igual. Minha rainha.
Quando nossos corpos se tocaram sob o luar, no meio do círculo, o vínculo finalizou. A mordida no ombro dela foi o selo. Sangue e prazer se misturaram.
Mas o grito que veio depois não foi o dela.
Foi de um sentinela.
— Eles chegaram! — berrou, ensanguentado, antes de cair morto.
A floresta se incendiou em uivos e gritos.
— Fuja com ela! — gritou Rhian.
Mas eu sabia que Isadora não fugiria.
Ela arrancou o manto, nua e brilhando como uma deusa da guerra.
— Eles querem me parar? Que tentem.
E então...
ela se transformou pela primeira vez.
Não em loba comum.
Mas em algo maior.
Algo ancestral.
E eu entendi:
A guerra havia começado.
Mas com ela ao meu lado... o mundo podia queimar.