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3713 Palavras
Vivian — Como assim, não falou com seu noivo desde o seu noivado? — Isabella cruzou os braços e me nivelou com um olhar de reprovação. — Que tipo de relacionamento ridículo é esse? — Um arranjado. — A barra inclinou antes de se endireitar. Talvez não devesse ter dois mai tais9 e meio seguidos, mas meu happy hour semanal com Isabella e Sloane era a única vez que podia me soltar. Sem olhos julgadores, sem necessidade de ser perfeita e adequada. E daí se estava um pouco embriagada? O bar chamava- se The Tipsy Goat. Era esperado. — É melhor não termos nos falado. — Acrescentei. — Ele não é o conversador mais agradável. Mesmo agora, a memória do meu primeiro e até agora único encontro com Dante enviou uma onda de indignação na minha espinha. Ele não mostrou nenhum remorso por pular metade do nosso jantar introdutório para fumar charutos no escritório do meu pai, e saiu sem nem um obrigado ou boa noite. 9-Tipo de bebida alcoólica. Dante era um bilionário, mas tinha as maneiras de um troll mal-educado. — Então por que está se casando com ele? — Sloane ergueu uma sobrancelha perfeitamente cuidada. — Diga a seus pais que encontrem um par melhor para você. — Esse é o problema. Não há concorrência melhor em seus olhos. Eles acham que ele é perfeito. — Dante Russo, perfeito? — Sua sobrancelha arqueou mais alto. — Sua equipe de segurança uma vez hospitalizou alguém que tentou invadir sua casa. O cara acabou em coma por meses com costelas e uma rótula quebradas. É impressionante, mas não diria que é perfeito. Só Sloane pensaria que colocar um cara em coma era impressionante. — Confie em mim, eu sei. Não sou eu que tem que convencer. — Murmurei. Não que a notória crueldade de Dante importasse para minha família. Poderia atirar em alguém na hora do rush no centro de Manhattan e diriam que a pessoa merecia. — Não entendo por que concordou com qualquer compromisso. — Sloane balançou a cabeça. — Não precisa do dinheiro dos seus pais. Você pode se casar com quem quiser e não há nada que possam fazer sobre isso. — Não é pelo dinheiro. — Mesmo que meus pais cortassem minha herança, sobrava muito do meu trabalho, investimentos e fundo fiduciário, no qual recebi quando tinha 21 anos. — É sobre... — procurei a palavra certa. — Família. Isabella e Sloane trocaram olhares. Esta não foi a primeira vez que discutimos meu noivado ou meu relacionamento com meus pais, mas me senti compelida a defendê-los a cada vez. — Casamentos arranjados são esperados na minha família. — Disse. — Minha irmã o fez isso, e eu também farei. Sabia que isso aconteceria desde que era adolescente. — Sim, mas o que farão se você disser não? — Isabela perguntou. — Deserdá-la? Meu estômago despencou. Forcei uma risada tensa. — Pode ser. — Absolutamente. Elogiaram minha tia por renegar minha prima depois que ela recusou uma bolsa de estudos para Princeton para abrir um food truck. Recusar-se a casar com um Russo era mil vezes pior. Se eu rompesse o noivado, meus pais nunca mais me veriam ou falariam comigo. Não eram perfeitos, mas a perspectiva de ser separada da minha família e ficar sozinha fez o mai tais chacoalhar perigosamente no meu estômago. Porém, Isabella não entenderia. Culturalmente, éramos semelhantes, embora fosse chinesa Filipina em vez de chinesa de Hong Kong, mas veio de uma família grande e amorosa que estava bem com ela se mudar pelo país para ser bartender e perseguir seus sonhos de escrever. Se eu expressasse desejos semelhantes aos meus pais, trancariam-me no meu quarto e fariam um exorcismo ou me jogariam na rua com nada além das roupas nas minhas costas, figurativamente falando. — Não quero desapontá-los. — Disse. — Eles me criaram e sacrificaram muito para que pudesse ter a vida que tenho agora. Casar com Dante ajudaria a todos nós. Os relacionamentos familiares não deveriam ser transacionais, mas não conseguia me livrar da sensação de que tinha uma grande dívida com meus pais por tudo; as oportunidades, a educação, a liberdade de viver e trabalhar onde quisesse sem me preocupar com dinheiro. Eram luxos que a maioria das pessoas não tinha e eu não os considerava garantidos. Os pais cuidavam dos filhos. Quando os filhos cresciam, cuidavam de seus pais. No nosso caso, isso significava que os filhos se casavam bem e expandiam a riqueza e a influência da família. Era assim que nosso mundo funcionava. Isabella suspirou. Éramos amigas desde que nos conhecemos em uma aula de ioga quando tinha vinte e dois anos. As aulas de ioga não duraram; nossa amizade, sim. Sabia que não devia discutir comigo sobre minha família. — Tudo bem, mas isso não muda o fato de não ter falado com o cara quando vai morar com ele na próxima semana. Mexi na minha pulseira de safira. Teria recuado de desistir do meu apartamento no West Village para me mudar para a cobertura de Dante no Upper East Side, mas qual seria o objetivo? Estaria apenas perdendo meu fôlego discutindo com meu pai. No entanto, além do endereço de Dante, não tinha detalhes sobre a mudança. Sem chaves, sem requisitos de construção, nada. — Eventualmente, tem que falar com o homem. — Isabella adicionou. — Não seja uma covarde. — Não sou uma covarde. — Virei-me para Sloane. — Sou? Ela olhou por cima de seu telefone. Tecnicamente, nenhuma de nós tinha permissão para verificar nossos telefones durante o happy hour. Quem quebrasse a regra teria que pagar a conta da noite. Na realidade, Sloane vinha bancando nossos happy hours nos últimos seis meses. Ela colocou o trabalho em workaholic. — Embora discorde do conselho de Isabella setenta e oito por cento das vezes, ela está certa. Tem que falar com ele antes de se mudar. — Um elegante encolher de ombros. — Há uma exposição de arte na casa de Dante esta noite. Deveria comparecer. Dante possuía uma coleção de arte notoriamente impressionante que, segundo rumores, vale centenas de milhões de dólares. Sua exposição privada anual apresentando suas últimas aquisições era um dos convites mais cobiçados de Manhattan. Estávamos tecnicamente noivos, e minha falta de convite teria sido embaraçosa se não estivesse tão aliviada. Depois que me mudasse, teria que passar todas as noites com ele, então estava me agarrando à minha liberdade enquanto durasse. A perspectiva de dividir um quarto, uma cama com Dante Russo era... enervante. Uma imagem dele, surgiu em minha mente sentado atrás da mesa do meu pai, olhos escuros e postura arrogante, com gavinhas de fumaça enrolando em torno daquele rosto ousadamente carismático. Um calor inesperado correu entre minhas pernas. A pressão de seu polegar contra meu lábio, o brilho esfumaçado em seus olhos quando me olhou... houve um momento, apenas um, quando pensei que ele me beijaria. Não para demonstrar afeto, mas para me sujar. Dominar e corromper. O calor baixou até que a pesada expectativa dos olhares das minhas amigas me puxou de volta ao presente. Não estava no escritório do meu pai. Estava em um bar, e elas estavam esperando por uma resposta. A exposição. Certo. Uma onda fria de realidade apagou o calor. — Não posso aparecer sem ser convidada. — Disse, esperando que não pudessem me ver corar por baixo da minha vermelhidão induzida pelo álcool. — É rude. — Não é uma penetra aleatória de festas. É a sua noiva, mesmo que ainda não tenha um anel. — Isabella rebateu. — Além disso, vai se mudar em breve, de qualquer maneira. Considere isso uma prévia de sua nova casa, para a qual não pode se mudar a menos que fale com ele. Suspirei, desejando poder voltar no tempo um mês para poder me preparar mentalmente para o que estava por vir. — Odeio quando faz sentido. As bochechas de Isabella fizeram covinhas. — A maioria das pessoas faz. Iria com você porque amo uma boa festa, tour pela casa, mas tenho um turno hoje à noite. De dia, era uma aspirante a autora de thrillers eróticos. À noite, servia bebidas caras para garotos de fraternidade em um bar no East Village. Ela odiava o bar, sua clientela e seu gerente assustador e estava procurando ativamente por outro emprego, mas até encontrar um, estava presa. — Sloane? — Perguntei, esperançosa. Se eu fosse confrontar Dante esta noite, precisaria de apoio. — Não posso. Asher Donovan bateu sua Ferrari em Londres. Está bem. — Sloane disse quando Isabella e eu engasgamos. Nenhuma de nós se importava com esportes, mas a famosa estrela do futebol era bonita demais para morrer. — Tenho porém que apagar o fogo da mídia. Este é o segundo carro que bate em tantos meses. Sloane dirigia uma firma de relações públicas boutique com uma lista de clientes pequena, mas poderosa. Estava sempre apagando incêndios. Acenou para o nosso garçom para a conta, pagou-a, e me fez prometer ligar para ela se precisasse de alguma coisa antes que desaparecesse porta afora em uma nuvem de perfume Jo Malone e cabelo loiro platinado. Isabella saiu logo depois para seu turno, mas fiquei na cabine, debatendo o que fazer a seguir. Se eu fosse inteligente, iria para casa e terminaria de fazer as malas para minha mudança. Nada de bom viria de invadir a festa de Dante, e poderia ligar para ele amanhã se eu realmente quisesse. Faça as malas, tome banho e durma, decidi. Esse era o meu plano, e iria cumpri-lo. — Sinto muito, senhora, mas não está na lista. Não importa se é a mãe, a irmã ou a noiva do Sr. Russo... A hostess ergueu uma sobrancelha para meu dedo anelar nu. — Não posso deixá-la entrar sem um convite. Meu sorriso não vacilou. — Se você ligar para Dante, confirmará minha identidade. — Disse, embora não tivesse certeza se confirmaria. Lidaria com aquela ponte quando chegássemos lá. — Isso é simplesmente um descuido. Eu tinha ido para casa como planejado depois do happy hour e durou um total de vinte minutos antes de ceder à sugestão de Isabella e Sloane. Elas estavam certas. Não podia ficar esperando por Dante quando minha data de mudança se aproximava. Tinha que engolir isso e vê-lo, não importa o quanto me irritasse ou enervasse. Claro, para vê-lo, tinha que entrar na festa. O rosto da hostess ficou vermelho. — Asseguro-lhe que não houve descuido. Somos meticulosos em... — Vivian, aí está você. Um sotaque aristocrático britânico cortou suavemente nosso impasse. Eu me virei, surpresa me invadindo quando vi o belo homem asiático sorrindo para mim. Seu rosto perfeitamente esculpido e profundos olhos escuros teriam sido quase perfeitos demais se não fosse pelas simples armações pretas que lhe davam um toque de acessibilidade. — Dante acabou de enviar uma mensagem. Está à sua procura, mas você não atendeu o telefone. — Veio ao meu lado e pegou um elegante convite creme do bolso do paletó. Entregou-o à hostess. — Kai Young e mais um. Posso levar a Sra. Lau para não incomodar Dante em sua grande noite. Ela olhou para mim, mas ofereceu a Kai um sorriso apertado. — Claro, Sr. Young. Aproveite a festa. — Deu um passo para o lado, assim como o par de guardas sérios e ternos atrás dela. Ao contrário de boates ou bares, eventos exclusivos como esse raramente pediam identidades. Esperava-se que a equipe memorizasse e emparelhasse os rostos dos convidados com seus nomes à vista. Esperei até que estivéssemos fora do alcance da voz antes de me virar para Kai com um sorriso agradecido. — Obrigada. Não precisava fazer isso. Kai e eu não éramos amigos íntimos, mas frequentemente íamos às mesmas festas e conversávamos sempre que nos cruzávamos. Seu comportamento pensativo e reservado era uma lufada de ar fresco na selva narcisista da alta sociedade de Manhattan. — De nada. — Seu tom formal me fez sorrir. Nascido em Hong Kong, criado em Londres e educado em Oxford e Cambridge, os maneirismos de Kai eram um reflexo claro de sua educação. — Tenho certeza de que sua ausência na lista foi um descuido por parte de Dante. — Pegou duas taças de champanhe da bandeja de um garçom que passava e me entregou uma. — Falando nisso, parabéns pelo seu noivado, ou devo dizer condolências? Meu sorriso floresceu em uma risada. — O júri ainda está ausente. Pelo que tinha ouvido, Kai e Dante eram amigos. Não tinha certeza do que Dante disse a ele sobre nosso noivado, mas estava errando por precaução. No que diz respeito ao público, éramos um casal feliz e amoroso que não poderia estar mais emocionado por estar noivo. — Inteligente. A maioria das pessoas trata Dante como se andasse sobre a água. — Os olhos de Kai brilharam. — Ele precisa de alguém para lembrá-lo de que é mortal como o resto de nós. — Oh, confie em mim. — Disse. — Não acho que ele seja um deus. Mais como o d***o enviado para trabalhar no meu último nervo. Kai riu. Conversamos por mais alguns minutos antes de ele se desculpar para falar com um velho amigo da faculdade. Por que não poderia ter acabado com alguém como ele? Era educado, charmoso e rico o suficiente para atender aos padrões de meus pais. Em vez disso, estava presa com um italiano taciturno que não saberia boas maneiras se lhe dessem um tapa na cara. Suspirei e coloquei meu copo vazio em uma bandeja próxima antes de passear pela cobertura, apreciando a linda arquitetura e decoração. Dante havia evitado o minimalismo moderno tão popular entre seus irmãos solteiros em favor de móveis feitos à mão e ricos tons de joias. Tapetes de seda turcos e persas cobriam os pisos reluzentes e cortinas de veludo exuberantes emolduravam janelas do chão ao teto com vistas panorâmicas do Central Park e do icônico horizonte da cidade. Passei por duas salas de estar, quatro lavabos, uma sala de projeção e uma sala de jogos antes de entrar na longa galeria iluminada por claraboia onde a exposição real ocorreu. Não tinha visto Dante ainda, mas era mais provável que ele... Meus passos diminuíram quando uma cabeça familiar de cabelo preto brilhante apareceu. Dante estava do outro lado do corredor, conversando com uma bela ruiva e um homem asiático com maçãs do rosto afiadas o suficiente para cortar gelo. Sorriu para algo que disseram, sua expressão calorosa. Afinal, ele era capaz de emoções humanas normais. Bom saber. Meu sangue inflamou um pouco mais quente, seja pelo álcool ou pela visão de seu sorriso verdadeiro. Escolhi acreditar que era o primeiro. Dante deve ter sentido o peso do meu olhar porque parou de falar e olhou para cima. Nossos olhos se encontraram, e o calor desapareceu de seu rosto como o sol no horizonte. Meus batimentos cardíacos bateram um contra o outro. O espaço de um corredor de comprimento duplo nos separava, mas seu descontentamento era tão potente que se infiltrou no ar e em meu corpo como um veneno mortal. Dante se desculpou de seus convidados e caminhou em minha direção, seu poderoso e musculoso corpo cortando a multidão com a certeza obstinada de um predador preso em sua presa. Arrepios de alarme desceram pela minha espinha, mas me forcei a me manter firme mesmo quando cada instinto de autopreservação gritava para eu correr. Tudo bem. Ele não vai matá-la em público. Provavelmente. Pode ser. — Linda festa. Receio que meu convite tenha se perdido no correio, mas consegui. — Disse quando ele se aproximou. Peguei um copo de uma bandeja próxima e o estendi. — Champanhe? — Seu convite não é o que está perdido, mia cara. — O carinho aveludado teria sido digno de desmaio se não fosse pela escuridão fervendo sob a superfície. Não tocou na bebida oferecida. — O que está fazendo aqui? — Apreciando a comida e obras de arte. — Levei a taça aos lábios e tomei um gole. Nada tinha um sabor tão doce quanto a coragem líquida. — Tem um gosto requintado, embora suas maneiras possam melhorar. Um sorriso duro cortou em sua boca. — Que irônico que esteja sempre me dando sermão sobre boas maneiras quando é a única que apareceu sem ser convidada para um evento privado. — Estamos noivos. — Parei de rodeios e fui direto ao cerne da questão. Quanto mais rápido tirasse isso do caminho, mais rápido poderia sair. — Não trocamos uma única palavra desde o jantar, embora deva me mudar na próxima semana. Não espero declarações de amor e flores todos os dias — embora isso seja bom — mas espero cortesia básica e habilidades de comunicação. Já que parece incapaz de tomar a iniciativa, eu mesmo o fiz. Terminei minha bebida e coloquei na mesa. — Ah, e não considere eu aparecendo sem ser convidada. Considere-me aceitando seu convite mais cedo. Afinal, concordou que eu me mudasse, não é? Simplesmente queria dar uma olhada na minha nova casa antes de me comprometer com ela. Meu pulso acelerou com os nervos, mas mantive um tom uniforme. Não poderia estabelecer um precedente de recuar sempre que Dante estivesse chateado. Se ele sentisse alguma fraqueza, atacaria. O sorriso de Dante não alcançou seus olhos. — Foi um discurso e tanto. Certamente não tinha muito a dizer no jantar na outra noite. — O aço frio de sua voz derreteu em seda áspera enquanto seu olhar me varria, acumulando calor à medida que viajava. — Quase não te reconheço. A i********e de seu duplo sentido pulsava em minhas veias e caiu entre minhas pernas. Meu tweed e pérolas estavam guardados com segurança no fundo do meu armário agora que voltei para Nova York. Em vez disso, usei um vestido de coquetel preto clássico, saltos e meu batom vermelho favorito. Diamantes brilhavam em volta do meu pescoço e nas minhas orelhas. Não era nada inovador, mas era o melhor que podia fazer quando corria para me arrumar. No entanto, a intensidade do escrutínio de Dante me fez sentir como se tivesse aparecido em uma reunião da igreja em um biquíni. Meu estômago se apertou quando seu olhar passou do meu rosto para o meu peito até onde meu vestido abraçava meus quadris. Deslizou sobre o comprimento nu das minhas pernas, a leitura quase obscena em sua preguiça e erótica em sua profundidade, como a carícia de um amante determinado a mapear cada centímetro do meu corpo com sua atenção. Minha garganta secou. Uma chama acendeu no meu estômago, e de repente desejei ter usado um terno conservador novamente esta noite. Era mais seguro. Menos capaz de embaçar minha mente com sotaques ásperos e atração elétrica. Sobre o que estamos falando? — Ocasiões diferentes exigem abordagens diferentes. — Agarrei as palavras e esperei que fizessem sentido. Levantei uma sobrancelha, rezando para que Dante não pudesse ouvir o quão rápido meu coração estava batendo. Sabia que era fisicamente impossível, mas não conseguia me livrar da sensação estranha que podia ver através de mim como se eu fosse feita de nada mais do que mil pedaços de vidro quebrado e transparente. — Pode querer tentar essa estratégia algum dia. — Acrescentei, determinada a manter a conversa para que não afundasse no calor entorpecente de seu olhar novamente. — As pessoas podem gostar mais de você. — Faria se me importasse com as opiniões dos outros. — Arrastou seus olhos de volta para os meus, a imagem da crueldade zombeteira mais uma vez. — Ao contrário de alguns dos meus estimados convidados, não tiro minha autoestima do que as pessoas pensam de mim. A insinuação me atingiu no estômago, e minha pele passou de excessivamente quente para gelada em um piscar de olhos. Ninguém mudou de tolerável para i****a mais rápido do que Dante Russo. Levou cada grama de força de vontade para não jogar a bebida mais próxima em seu rosto. Ele tinha coragem, mas a pior parte era que não estava errado. Os insultos com um grão de verdade sempre cortam o mais profundo. — Bom. Porque lhe asseguro, a opinião deles sobre você é muito baixa. — Rebati. Não o esbofeteie. Não faça uma cena. Respirei fundo e terminei antes de ir contra meu próprio conselho. — Por mais deliciosa que ache nossa conversa, tenho que me desculpar, pois tenho outros lugares para ir. No entanto, espero todas as informações logísticas relacionadas à minha mudança na minha caixa de entrada até amanhã ao meio-dia. Odiaria ter que aparecer na frente de seu prédio e revelar sua incompetência para seus vizinhos. — Toquei o pingente de diamante na minha garganta. — Imagine como seria embaraçoso se as pessoas descobrissem que o grande Dante Russo não poderia coordenar algo tão simples quanto a mudança de sua noiva. O olhar de Dante poderia ter derretido as molduras douradas penduradas nas paredes. — Pode não se importar com o que os outros pensam pessoalmente de você, mas a reputação é tudo nos negócios. Se não consegue lidar com sua vida doméstica, como poderia lidar com seus negócios no escritório? — Peguei um cartão de visita da minha bolsa e o enfiei no bolso do paletó de seu terno. — Suponho que tenha minhas informações de contato. Caso não tenha, aqui está o meu cartão. Aguardo seu e-mail. Eu me afastei antes que ele pudesse responder. O calor de sua raiva açoitou minhas costas, mas detectei um pequeno lampejo de outra coisa em seus olhos antes de sair. Respeito. Continuei andando, meu coração na garganta e meus pés se movendo cada vez mais rápido até chegar ao banheiro de hóspedes mais próximo. Só quando a porta se fechou atrás de mim é que me recostei contra a parede e cobri o rosto com as mãos. Respire. Minha onda de adrenalina estava diminuindo, deixando-me esgotada e ansiosa. Eu me levantei contra Dante e ganhei... por enquanto, mas não era ingênua o suficiente para pensar que era o fim de tudo. Mesmo que enfrentá-lo tivesse me rendido pontos relutantes em seus olhos, não deixaria uma pontuação desigual contra ele ficar. De alguma forma, tinha entrado em uma guerra fria com meu noivo, e esta noite era apenas a batalha de a******a.
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