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1907 Palavras
Dante Enviei a Vivian as informações que precisava para sua mudança exatamente ao meio-dia de domingo. Não por medo de que fizesse uma cena na frente do meu prédio, mas por relutância em admirar a façanha que fez na minha exposição. Afinal, acontece que a delicada pequena rosa tinha um pouco de aço em sua espinha. No fim de semana seguinte, Vivian apareceu em minha casa novamente, desta vez com um exército de mudanças a reboque. Greta, minha governanta, e Edward, meu mordomo, se encarregaram de guiar os trabalhadores da mudança pelo apartamento enquanto eu conduzia Vivian ao seu quarto. Nenhum de nós falou e o silêncio se expandiu a cada passo até se tornar uma entidade viva e respirando entre nós. Aborrecimento se infiltrou em meu peito. Vivian tinha sido perfeitamente amigável com Greta, Edward e o resto da minha equipe, a quem cumprimentou com sorrisos calorosos e fodidos biscoitos de Levain, mas quando chegou até mim, fechou-se como se eu fosse a pessoa que se mudou para sua casa e interrompeu sua vida cuidadosamente planejada. Como se tivesse aparecido sem ser convidado em sua festa vestindo uma roupa que poderia deixar um homem de joelhos. Uma semana depois, a imagem daquele vestido preto colado em suas curvas ainda estava enraizada em minha mente, assim como o fogo em seus olhos quando se lançou em mim. Não havia mais aquele fogo agora. Vivian era a imagem da elegância legal andando ao meu lado e isso me irritou sem motivo explicável, ou talvez minha ira tivesse algo a ver com o fato de que, mesmo em uma blusa e saia casuais, sua presença despertava um calor indesejado em minhas entranhas. Meu corpo nunca tinha reagido tão visceralmente a ninguém antes, e nem gostava dela. Paramos em frente a uma porta de madeira entalhada. — Este é o seu quarto. — Eu a instalei na suíte mais distante da minha, e ainda estava muito perto. — Greta vai desfazer as malas para você mais tarde. Minha voz soou anormalmente alta depois do silêncio opressivo. Uma de suas sobrancelhas se ergueu. — Quartos separados até o casamento. Não sabia que era tão tradicionalista. — Não sabia que estava tão ansiosa para dividir a cama comigo. Um pequeno sorriso curvou minha boca quando as bochechas de Vivian ficaram rosadas. Foi sua primeira perda de compostura durante toda a manhã. — Não disse que queria dividir a cama com você. — Disse friamente. — Simplesmente apontei a desatualização de seu pensamento. Dormir em quartos separados é para casais que estão brigando, não para casais recém-noivos que supostamente deveriam estar apaixonados. A notícia sairá, e as pessoas falarão. — Não vai, e não falarão. — Minha equipe doméstica estava comigo há anos e me orgulhava de sua discrição. — Se o fizerem, cuido disso, mas já que estamos falando de imagem pública, devemos estabelecer os limites de nosso relacionamento. — Ah, comunicação. Acredito que está finalmente se formando no estágio neandertal de sua vida. Ignorei seu insulto irônico e continuei — Em público, faremos o papel de um casal amoroso. Participaremos de eventos juntos, sorriremos para as câmeras e fingiremos que gostamos um do outro. Você também terá acesso total ao portfólio de marcas do Grupo Russo. Se quiser algo de alguma de nossas coleções, ligue para minha assistente Helena e ela cuidará disso. Em sua mesa de cabeceira, encontrará o número dela, um Amex preto e seu anel de noivado. Use-o. O anúncio do noivado foi publicado naquela manhã. Vivian e eu estávamos oficialmente unidos, o que significava que minha reputação também estava em jogo. Não me importava se as pessoas gostavam de mim pessoalmente, mas a percepção do público era importante na minha linha de trabalho. A discórdia óbvia levantaria muitas questões, e a última coisa que precisava eram colunistas intrometidos da sociedade farejando. — Um anel na minha mesa de cabeceira. Que romântico. — Vivian tocou a pulseira de safira em seu pulso. — Você realmente sabe como fazer uma mulher se sentir especial. — Não estou aqui para fazê-la se sentir especial. — Abaixei minha cabeça na sua direção. O cheiro doce e levemente azedo de maçãs invadiu meus pulmões enquanto pronunciei minhas próximas palavras com precisão nítida. — Estou aqui porque fiz um acordo com seu pai. Vivian não recuou, mas surpresa e uma pitada de incerteza vieram à tona em seus olhos quando passei o dedo vagarosamente sobre a corrente de ouro em seu pescoço. Mesmo a esta distância, sua pele era impecável, como creme derramado sobre seda. Longos cílios escuros emolduravam olhos castanhos profundos, e uma pequena marca de beleza, tão pequena que teria que estar tão perto quanto eu para vê-la, pontilhava a área acima de seus lábios exuberantes. Meus olhos mergulharam em sua boca. O calor do meu intestino se espalhou para o meu estômago. Usava o mesmo batom da exposição. Ousado, vermelho e sedutor, como o canto de uma sereia em meio a um mar de calma tranquila. Queria esfregar meu polegar em seu lábio inferior e espalhar seu batom perfeito até que não fosse nada mais do que uma bela bagunça. Para descascar a máscara composta e ver a feiura por baixo. Vivian pode ser embrulhada em um lindo pacote, mas um Lau era um Lau. Todos eram cortados do mesmo molde. — Não espere jantares ou nada doce em casa, mia cara. — Disse, minhas palavras tão suaves e preguiçosas quanto meu toque. — Você também não vai conseguir. Em vez de tocar sua boca, passei as costas da minha mão em sua clavícula, sobre a curva de seu ombro e para baixo em seu braço até atingir a batida frenética em seu pulso. — Livre-se de quaisquer noções românticas que possa ter de nós nos apaixonando e vivendo felizes para sempre. Isso não vai acontecer. — Pressionei o polegar contra seu pulso, com força, e sorrio quando estremeceu com o movimento brusco e brusco. — Este é um acordo comercial. Nada mais. Está claro? Vivian apertou os lábios em uma linha teimosa. O ar estava vivo com o crepitar de eletricidade e animosidade. Chiava contra a minha pele, apertando meus músculos e abanando o fogo estranho e faminto no meu estômago. Quando ela permaneceu em silêncio, estendi a mão e fechei minha mão em torno de sua garganta. Levemente, apenas o suficiente para sentir a superficialidade de sua respiração. Minha voz caiu para um aviso perigoso. — Está. Claro? Os olhos de Vivian brilharam. — Como cristal. — A promessa de retribuição espreitava sob sua resposta uniforme. — Bom. — Eu a soltei e dei um passo para trás com um sorriso zombeteiro. — Bem-vinda a casa, querida. Saí sem esperar resposta. O calor da pele de Vivian permaneceu na palma da minha mão até que fechei minha mão em torno do meu isqueiro e deixei o metal frio afastar os restos de seu toque. — Não comece. — Disse quando passei por uma Greta carrancuda. Estava tirando o pó da sala de estar, perto o suficiente para ouvir pelo menos parte da minha conversa com Vivian. Os carregadores devem ter saído. — Você foi muito duro. — Advertiu, confirmando minha suspeita anterior. Greta tinha mais de setenta anos, mas sua audição dava aos morcegos uma corrida pelo seu dinheiro. — Não duro. Honesto. — Verifiquei meu relógio. Eu tinha uma reunião de almoço com um CEO visitante em duas horas e precisava me preparar antes de sair. — Prefere que eu a conduza? Satisfaça suas fantasias de infância sobre o Príncipe Encantado chegando e arrebatando-a? — Como sabe que ela tem essas fantasias? — Greta passou o espanador sobre a lareira com mais força do que o necessário. — Ela parece ser do tipo prático. — Você a conheceu meia hora atrás. Não podia acreditar que estava discutindo com minha governanta por causa da minha noiva. Devem ser aqueles malditos biscoitos com os quais Vivian a subornou. Greta tinha um dente doce e um carinho especial por chocolate. — Tenho bons instintos quando se trata de pessoas. Caso contrário... — Outra varredura agressiva sobre a lareira. — Teria o descartado como um clone autoritário de seu avô anos atrás. Meu rosto se fechou. — Lembre-se para quem trabalha. — Avisei, meu tom sombrio. — Non osare farmi una ramanzina quando sono stata io ha pulirti il culo da piccolo. — Não dê sermão a alguém que trocou suas fraldas. — Se quiser me demitir, demita-me, mas sei que há um coração aí em algum lugar, ragazzo mio. Use-o e trate sua futura esposa com respeito. — Eu dei a ela um Amex preto e um anel de diamante. — Toda mulher mataria por essas coisas, e eram mais do que Vivian merecia, considerando quem era seu pai. Greta me encarou por um minuto inteiro antes de balançar a cabeça e murmurar furiosamente em italiano baixinho. Não conseguia ouvir o que estava dizendo, mas imaginei que não fosse muito elogioso. Parei ao lado de Greta e coloquei a mão no espanador, forçando-a a ficar quieta. — Você é um m****o valioso da minha casa, mas há poucas liberdades que permitirei. — Disse friamente. — Se desejar umas férias para limpar a cabeça, avise-me e pode ser arranjado. A ameaça pairava no ar como uma oferta. Seus olhos se estreitaram. — Não preciso de férias. — Bom. Greta trabalhava para minha família desde que eu era bebê. Ajudou a criar a mim e a Luca desde que meus pais eram uma merda no trabalho, e administrava a casa do meu avô até que a convenci a trabalhar para mim quatro anos atrás. Em vez de ficar chateado, meu avô me presenteou com uma garrafa de vinho de dez mil dólares por vencê-lo com sucesso. Embora tivesse uma queda por Greta e a considerasse a avó que nunca tive – minhas duas avós biológicas morreram antes de eu nascer – não toleraria desrespeito descarado. Se ela fosse qualquer outra pessoa, eu a teria demitido e colocado na lista n***a no segundo em que a palavra duro saiu de sua boca. Uma tosse educada chamou minha atenção para a porta onde Edward estava com uma expressão neutra. — Senhor, os transportadores desocuparam oficialmente as instalações. — Disse. — Gostaria que eu desse a Sra. Lau o tour completo? Levei Vivian diretamente para seu quarto sem lhe mostrar o resto da casa. Inferno, ela tinha visto metade na exposição da semana passada. — Por favor, faça. — Ela deveria conhecer o layout completo do apartamento. Não queria que acidentalmente entrasse no meu quarto ou escritório. Ele inclinou a cabeça e desapareceu no corredor. Greta passou por mim e desapareceu em outro canto da cobertura sem dizer uma palavra, mas sua desaprovação permaneceu como o cheiro de seu limpador favorito com aroma de limão. Eu belisquei a ponte do meu nariz. Menos de uma hora depois de se mudar, Vivian estava causando o caos. A discórdia com minha equipe era apenas o começo. Ela mudaria as coisas. Perturbaria o ambiente que cultivei cuidadosamente. Voltaria para casa sem saber o que ver ou esperar. Aborrecimento subiu no meu peito. Saí da sala de estar e entrei no meu escritório, onde tentei revisar os materiais para minha reunião. Mas mesmo que tivesse fechado a porta e estivesse isolado no lado oposto da casa do quarto de Vivian, ainda sentia o cheiro fraco e enlouquecedor de maçãs.
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