LAVÍNIA Já estava tarde, e o cara que ia consertar o ar condicionado ainda não tinha chegado. Eu estava fedendo de tanto suor, e nada parecia pior do que esse calor insuportável. Reclamei com meu pai, o Ramon, mas, como sempre, ele estava de péssimo humor. — O cara tá cheio de trabalho, Lavínia, provavelmente só vai conseguir vir na próxima semana — ele disse, sem a menor paciência. Eu revirei os olhos, achando que ele devia dar mais atenção à situação, mas eu sabia que era inútil reclamar. Ele nunca dava. E aí, como se o universo não estivesse já me testando o suficiente, ele me solta essa: — Vai dividir o quarto com o Gustavo. O ar lá está funcionando direitinho. Eu olhei pra ele, chocada. Gustavo? O Gustavo, mais conhecido como Tavão? O cara que fazia meu coração bater mais rápido

