19. Rubi

1103 Palavras

Subi o morro com Alice nos braços como se o chão não existisse. Não pensei em degrau, em perigo, em horário. Só nela. O corpo queimando, suando, murcho, como se alguma coisa estivesse sendo arrancada por dentro. Ela já não reagia direito; só gemia, respirando rápido, os olhos entreabertos, meio perdidos. Minha filha. Minha vida toda ali, desmaiando no meu colo. Quando cheguei na porta da casa do Edgar, bati com força. Uma, duas, três vezes forte. O som ecoou na rua como um alarme e, antes que eu chamasse de novo, a luz da sala se acendeu e a porta se abriu num solavanco. Ele apareceu de bermuda e camiseta, descalço, mas com a mesma postura de sempre: firme, alerta, como quem já entendeu que o mundo não espera explicação quando a urgência bate. — Rubi? — A Alice... — minha voz saiu falh

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