Já passava das seis da tarde quando bati a última água da roupa no tanque da Dona Soraia. A luz do céu tingia tudo de alaranjado, e o barulho do morro mudava de tom: menos panela, mais batida de grave vindo de longe. Era sexta-feira, e dava pra sentir isso no ar. Voltei pra casa com a sacola meio molhada no braço e Alice pulando nas poças do beco como se fosse parte da brincadeira. Ela ria, o vestido colando nas pernas, e mesmo com a exaustão eu sorri também. Quando cheguei na porta, Nanda já tava encostada na parede com uma garrafinha na mão e o cabelo solto, batendo no ombro. Cara de quem já tomou banho, passou perfume e tá pronta pra alguma coisa boa. — E aí, mulher. Vai ter paredão hoje lá na quadra. Bora comigo? Soltei um riso fraco, cansado. — Paredão? — Paredão. DJ, luz piscan

