Eu fico no corredor por alguns segundos depois que saio da sala. Não porque precise, mas porque, pela primeira vez em muito tempo, tem alguém lá dentro ocupando a minha casa, e não de forma invasiva, de forma viva. Ouço o som suave da vassoura, o rodo arrastando, os passos pequenos daquela menina. A casa nunca teve barulho assim desde que ela morreu. E, por algum motivo que não entendo, o silêncio de ontem parece doer mais agora que tem outro som preenchendo o espaço. Tento me distrair, mas falho. O corpo vai sozinho até a porta da sala. Não entro de vez, fico encostado na lateral, observando sem ser visto. Rubi está de costas para mim, o cabelo preso de forma apressada, a camiseta simples grudada ao corpo por causa do calor. Ela limpa com cuidado, como se cada objeto fosse frágil dema

