10. Edgar

984 Palavras

Eu fico no corredor por alguns segundos depois que saio da sala. Não porque precise, mas porque, pela primeira vez em muito tempo, tem alguém lá dentro ocupando a minha casa, e não de forma invasiva, de forma viva. Ouço o som suave da vassoura, o rodo arrastando, os passos pequenos daquela menina. A casa nunca teve barulho assim desde que ela morreu. E, por algum motivo que não entendo, o silêncio de ontem parece doer mais agora que tem outro som preenchendo o espaço. Tento me distrair, mas falho. O corpo vai sozinho até a porta da sala. Não entro de vez, fico encostado na lateral, observando sem ser visto. Rubi está de costas para mim, o cabelo preso de forma apressada, a camiseta simples grudada ao corpo por causa do calor. Ela limpa com cuidado, como se cada objeto fosse frágil dema

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