Capítulo 8

1254 Palavras
As coisas entre mim e Christian finalmente estavam voltando ao normal. Depois do sorvete, era como se aquele peso esquisito entre nós tivesse sumido. Voltamos a trocar provocações, a conversar como sempre fazíamos, e eu percebi o quanto sentia falta disso. E para comemorar essa trégua, decidimos fazer algo diferente no dia seguinte: uma visita ao zoológico. Sim, porque apesar de Christian tentar bancar o cara sério e indiferente, ele sempre gostou de animais. Eu lembrava de quando éramos crianças e ele insistia que ia ter um leão de estimação quando crescesse. O que, obviamente, não aconteceu. O zoológico não estava muito cheio quando chegamos. O sol brilhava, mas a brisa era fresca, tornando o passeio ainda mais agradável. — Certo, Escobar — falei enquanto andávamos pelo parque. — Qual a primeira parada? Ele olhou para o mapa do zoológico, fingindo que levava a escolha a sério. — Hm… Que tal os répteis? Fiz uma careta. — Sério? Você quer ver cobras e lagartos antes de qualquer outra coisa? Ele riu. — Sim. Principalmente porque você odeia. Revirei os olhos. — Você é insuportável. — Eu sei — respondeu com um sorriso satisfeito. Apesar da minha resistência inicial, acabei entrando na área dos répteis com ele. Estávamos observando uma enorme píton quando Christian me cutucou. — Olha essa aqui, Anastácia. Parece o Enzo. Bufei, sem paciência. — Você tem que parar com essa implicância. — Só estou dizendo que ele parece um réptil. Nada demais. Ri, empurrando levemente o ombro dele. — Você não cansa, né? — De provocar você? Nunca. Revirei os olhos, mas estava sorrindo. E era disso que eu sentia falta. Das brincadeiras, das piadas, de como ele parecia à vontade comigo. Seguimos para a área dos felinos, onde Christian passou uns bons minutos admirando um tigre deitado sob a sombra. — Você ainda quer um leão de estimação? — provoquei. Ele sorriu. — Não mais. Eu acho que me contentaria com um cachorro agora. — Que mudança. — É a vida. A gente amadurece. Pisquei, fingindo estar surpresa. — Você? Amadurecer? Ele revirou os olhos, mas riu. — Engraçadinha. Sentamos em um banco perto do recinto dos elefantes para descansar um pouco e tomar um refrigerante. — Então — ele começou, apoiando os cotovelos nos joelhos — a festa de 15 anos está perto. Assenti. — Sim, falta pouco. — E como estão os preparativos? Suspirei. — Minha mãe está praticamente vivendo para essa festa. Acho que ela está mais animada do que eu. Ele riu. — Isso não me surpreende. — Mas vai ser legal. Escolhi um vestido lindo. Vai ser tudo meio clássico, sabe? Meu pai quase teve um treco quando viu o orçamento, mas no fim, ele cedeu. Christian sorriu. — Seu pai é um bom homem. — Ele é. Só não gosta de gastar dinheiro. Rimos juntos, até que ele fez uma pergunta que eu não esperava. — E quem vai ser o seu príncipe? Fiquei em silêncio por um momento. — Ainda não escolhi. Ele arqueou uma sobrancelha. — Sério? — Sim. Minha mãe quer que eu escolha logo, mas ainda não decidi. Ele bebeu um gole do refrigerante antes de falar, casualmente: — O Enzo se ofereceu? Olhei para ele, desconfiada. — Se ofereceu, sim. — E você vai aceitar? — Não sei. Ele ficou quieto por um momento, brincando com a tampa da garrafa. — Você podia escolher alguém melhor. Franzi a testa. — E quem seria esse “alguém melhor”? Ele deu de ombros. — Só digo que você tem opções. Olhei para ele, tentando entender o que queria dizer. Mas, antes que eu pudesse perguntar, ele se levantou. — Vamos ver os pinguins? Suspirei, percebendo que ele estava desviando do assunto. — Vamos. Mas aquela pergunta ficou na minha mente pelo resto do dia. Depois daquela conversa no zoológico, eu não conseguia parar de pensar na pergunta de Christian. "Quem vai ser o seu príncipe?" Ele disse aquilo de um jeito tão casual, mas a forma como evitou o assunto depois me deixou intrigada. E, para completar, a maneira como ele mencionou Enzo… era impossível ignorar a implicância dele com meu novo amigo. Mas Christian era assim. Ele tinha suas opiniões, teimava nelas, e quando decidia que algo ou alguém não prestava, não tinha santo que fizesse mudar de ideia. Suspirei, observando os pinguins nadarem na água cristalina do recinto. — Você está estranhamente quieta — ele comentou ao meu lado. — Só estou pensando. Ele me lançou um olhar desconfiado. — Pensando em quê? — Na festa, no príncipe, no que você disse. Ele bufou, cruzando os braços. — Nana, você realmente precisa de um príncipe? Meu coração deu um pequeno salto. Não por causa da pergunta, mas pelo apelido. "Nana." Ele não me chamava assim há dias. Desde que esse distanciamento estranho começou, ele passou a me chamar apenas de "Anastácia". Mas agora, o velho "Nana" tinha voltado, e isso significava algo. Significava que, pelo menos por aquele momento, ele estava confortável comigo de novo. Mas não deixei transparecer minha surpresa. Apenas fingi normalidade e respondi: — É tradição. Ele revirou os olhos. — Tradição i****a. — Christian… — O que importa é a aniversariante, não o cara que vai entrar com ela. — Fácil falar quando não é você que está sendo pressionada pela mãe. Ele riu. — Tá, nesse ponto eu concordo. Sua mãe consegue ser assustadora quando quer. — Exato. Então, sim, eu preciso de um príncipe. Ele ficou em silêncio por um momento, chutando uma pedrinha no chão. — E você realmente cogita escolher o Enzo? Suspirei, já esperando essa reação. — Não sei. Ele se ofereceu, mas eu ainda não decidi. Christian mexeu no cabelo, claramente incomodado. — Você já pensou em escolher outra pessoa? Olhei para ele, desconfiada. — Por que você está tão interessado nisso? Ele desviou o olhar, enfiando as mãos nos bolsos. — Só curiosidade. — Aham, sei. Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto. — Eu só acho que tem caras melhores. — Você já disse isso. Mas quem seriam esses caras? Ele abriu a boca para responder, mas pareceu pensar melhor e fechou de novo. — Esquece. — Ah, não. Agora você vai falar. — Não vou, Nana. Cruzei os braços. — Você só está me chamando de Nana para me distrair. Ele riu. — Talvez. — Christian! Ele levantou as mãos em rendição. — Tá bom, tá bom. Só acho que, se fosse para escolher alguém, deveria ser alguém que realmente te conhece. Minha mente trabalhou rápido, tentando entender. — Tipo… você? Ele deu de ombros, como se fosse algo irrelevante. — Se precisar, eu faço. Fiquei em silêncio, surpresa com a oferta. Christian Escobar, o cara que m*l gostava de ir a festas, estava se oferecendo para ser meu príncipe? — Você está falando sério? Ele suspirou. — Não faria sentido outra pessoa. Meus lábios se abriram em um sorriso involuntário. — E eu achando que você ia odiar essa festa. — Eu vou — ele disse, me fazendo rir. — Mas eu aguento. Por você. Algo aqueceu dentro do meu peito. Porque, no fim das contas, era isso que sempre nos definia. Christian podia ser rabugento, irritante, implicante, mas quando realmente importava… ele sempre estava lá. Sempre. Olhei para ele e sorri. — Então acho que acabei de escolher meu príncipe. Ele sorriu de volta. — Sabia que você era esperta. E, de repente, a festa parecia muito mais interessante do que antes.
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