Chegamos a Paris.
Paris é realmente uma cidade alucinante. Gostaria de dizer que tive tempo suficiente para aproveitar o tempo agradável para passear por suas ruas românticas e sentar-me num dos deliciosos e aconchegantes cafés parisienses. Infelizmente, m*l vi a Torre Eiffel. Assim que coloquei os pés na cidade, só tive tempo de tomar um café antes que Harry passasse os braços ao redor da minha cintura e nos Aparatasse para Madrid num piscar de olhos.
Ao menos pude sentir seu corpo próximo ao meu, e para minha sorte, quando finalmente chegamos continuamos abraçados por algum tempo. Não reparei se havia pessoas ao redor. Estava ocupado demais tentando me recuperar do enjôo que me acometera ao Aparatar, e quando este melhorou um pouco, do efeito dos olhos de Harry sobre os meus.
Quis chegar ainda mais perto, e foi por pouco que não o fiz.
- Tudo bem? – ele me perguntou.
Senti meu amor por ele crescer, como se ele já não fosse imenso o bastante. Maldição. Antes que fizesse papel de t**o, me afastei. Harry não reclamou, e nem esperava que ele o fizesse. Mas no fundo... Queria que ele tivesse me puxado de volta e reclamado meus lábios num beijo ardente.
Fiz uma careta. Aparatar havia mexido com meu cérebro.
Harry pareceu não perceber que eu havia me transformado numa pessoa ridiculamente apaixonada. Sua pose agora era a de Auror Chefe a procurar por possíveis problemas. Ao invés de fazer o mesmo, fiquei admirando-o como um i****a. Ele vestia roupas trouxas. Jeans preto, camiseta de manga longa branca com os dizeres 'HARDCORE' em letras góticas e um casaco de couro preto por cima. Os cabelos eram despenteados pelo vento, e ele me lembrou um daqueles modelos de roupas masculinas de revistas bruxas.
- Tudo parece calmo. – ouvi Harry dizer.
Tentei pensar em outra coisa que não fosse Harry. Ali estávamos num país distante e correndo perigo, e tudo com o que eu conseguia pensar era em beijar Harry. O desgraçado estava se tornando o centro do meu universo. Era melhor eu tomar cuidado. Quando aquela loucura acabasse, tudo voltaria ao normal. Eu voltaria a ver Harry apenas nos jornais e revistas. Se continuasse a sonhar demais, acabaria entrando numa depressão terrível quando ele me deixasse.
Como se ele fosse meu pra começo de conversa...
Saí do estupor quando vi Harry pegar não só a sua bagagem, mas também a minha, e caminhar na direção de um prédio bastante antigo que estava do outro lado da rua. Só então olhei ao redor.
Havia prédios malcuidados dos dois lados da rua. Havíamos Aparatado em um beco para não sermos vistos, mas não havia muitas pessoas caminhando por ali. Também não havia comércio. Imaginei se aquele fosse um bairro bruxo. Embora bruxos não costumassem morar em complexos de apartamentos, os tempos haviam mudado. Muitos bruxos ingleses tinham prazer em se misturar com os trouxas. Não era o meu caso, mas havia gosto pra tudo. Os Weasleys por exemplo. Ouvira dizer que todos eles moravam em apartamentos em Londres.
- Onde estamos? – perguntei.
Harry parou na frente de uma fileira de degraus e olhou pra mim.
- Vamos ficar aqui até amanhã e depois iremos para o Egito.
- Não foi o que eu perguntei, Potter.
Ele subiu os degraus e apertou um botão cinza na parede me ignorando por completo. Estava pronto para lhe dizer que nem em um milhão de anos eu ficaria naquele lugar quando ouvi a voz enérgica de uma mulher pelo interfone. Em um espanhol rápido, imaginei que ela tivesse perguntado quem estava ali. Para minha surpresa, Harry respondeu também em espanhol. Típico Harry Potter. Ele tinha que ser perfeito em tudo o que fazia.
Não tive tempo de perguntar sobre o assunto, ou de fazer um dos meus comentários ácidos. A voz feminina deu um grito no interfone e a conexão foi desligada. Logo em seguida ouvi o barulho de passos apressados dentro do prédio. A porta da rua se abriu e uma mulher morena estonteante saiu de lá e correu para os braços de Harry.
Arregalei os olhos ao vê-la pular em cima dele e abraçá-lo com uma i********e preocupante. Meu sangue ferveu. Minhas mãos se fecharam na minha varinha inconscientemente, e teria lhe lançado uma maldição se meu cérebro não tivesse me parado a tempo.
A morena de cabelos longos pretos disse mais alguma coisa para Harry e depois olhou para mim com curiosidade.
- Esse é Draco Malfoy. – Harry nos apresentou. – Malfoy, essa é Adana Candelaria. Ela é uma das melhores agentes bruxas espanholas. Adana é meu principal contato com os Aurores espanhóis, e ela me ofereceu um lugar para passarmos a noite.
Imaginei que ser uma boa Auror não garantia um salário decente, nem uma moradia mais habitável. Torci o nariz. Candelaria, ou qualquer que fosse o nome daquela criatura, me olhou com desprezo, mas abriu um sorriso enorme ao fitar Harry novamente.
Mesmo não entendendo espanhol, pude perceber que eu era o centro da conversa já que nome havia sido citado mais de uma vez. Harry riu de algo que ela disse. Cerrei os punhos.
- Potter, inglês, por favor. – chamei sua atenção em um tom bastante seco.
- Adana está nos dando as boas-vindas.
Sei muito bem o tipo de boas-vindas que ela queria dar a Harry.
- Agradeço muito a hospitalidade, mas prefiro ficar em um hotel. – disse com o queixo erguido.
- Estamos mais seguros aqui. – Harry afirmou.
Olhei ao redor. Duvidava muito.
- Vamos ficar aqui. – ele disse com mais firmeza como se percebendo as minhas intenções. – Ordens, Malfoy. Lembra-se?
Fiz uma careta. Candelaria riu. Que mulher irritante.
- Por um acaso fala inglês? – perguntei a ela.
- Malfoy! – Harry me chamou a atenção.
- Sim, eu falo inglês perfeitamente. – ela respondeu com a cabeça erguida.
- Eu agradeceria, então, se passasse a falar em inglês com Potter de agora em diante já que eu não falo espanhol. Por um acaso esse lugar tem água quente?
- Malfoy! – Harry soou bastante irritado.
- O quê? Só estou perguntando... – dei de ombros.
Candelaria abriu um sorriso perigoso.
- Não sei se teremos tudo o que Vossa Alteza desejar, mas pode ficar tranqüilo quanto a sua segurança. Se bem que... – ela se calou quando Harry lhe lançou um olhar de aviso. – Ah, tudo bem. Sinta-se em casa. Harry com certeza irá se sentir. Quanto a você, não sei se a experiência será divertida ou aterradora.
E o que isso queria dizer? Que lugar era aquele? Senti um arrepio na espinha.
- Vamos? – ela nos convidou a entrar.
Candelaria entrou primeiro, seguida de Harry, que parou quando percebeu que eu não o seguia.
- Malfoy...
- Que lugar é esse?
- Vai descobrir em um minuto. O que foi? Está com medo? Acha que vai te acontecer alguma coisa?
Tinha certeza de que Harry não me faria m*l, mas não confiava em sua amiga. Respirando fundo, entrei. Caminhamos por um imenso corredor, e ao espiar por uma das portas abertas, vi um grande salão cheio de mesas e pessoas usando robes. Uns davam risadas, outros conversavam seriamente e constantemente checavam papéis em suas mesas. Parei e deixei que meu cérebro absorvesse a cena a minha frente.
Harry parou ao meu lado com um sorriso.
- Já descobriu?
Acenei com a cabeça. O lugar era o pesadelo de qualquer ex-Comensal ou criminoso bruxo que se prezasse. O Quartel General dos Aurores Espanhóis. Senti calafrios. Tinha que admitir, porém. O lugar era o mais seguro imaginável.
- Potter, isso é uma brincadeira de um tremendo mau gosto.
- Não é brincadeira.
- Não acho que eles vão ficar felizes com a minha presença aqui. Além do mais, isso é um Quartel General ou um hotel?
- Os andares de cima possuem dormitórios para Aurores solteiros e visitantes. Se já matou sua curiosidade, podemos subir?
Segui Harry até o elevador com cara de poucos amigos, meus sonhos destruídos. Pelo jeito Harry não escolhera apenas o lugar mais seguro para ficarmos a salvo dos bandidos, mas também para ficarmos a salvos de nós mesmos. De jeito nenhum Harry se deixaria levar por seus sentimentos enquanto estivéssemos cercados de Aurores por todos os lados. A maior prova disso veio quando eu fui colocado em um quarto e ele em outro. Seu quarto nem ao menos era ao lado do meu.
Devo admitir que o quarto não fosse tão r**m quanto eu imaginara. Na verdade, era um pequeno apartamento, com cozinha, sala, quarto e banheiro próprio. Do lado de fora podia ouvir o vai-e-vem dos moradores, as conversas animadas, a forma como Harry era querido e tratado quase como uma celebridade.
Fui convidado a jantar com um grupo de Aurores e Harry, mas preferi ficar no quarto. O alívio de Candelaria quando me recusei a ir junto foi óbvio. Fiquei imaginando se ela passaria a noite com Harry, mas não imaginava que ele fosse esse tipo de pessoa.
Tudo bem, ele havia dormido comigo, mas não sem alguma luta interna. Não conseguia imaginar Harry como o tipo Don Juan. Pelo contrário. Harry sempre fora correto ao extremo. Os jornais nunca haviam publicado escândalos sobre possíveis casos amorosos. Ele era o pai e marido perfeito.
Eu pensava todas essas coisas, mas no fundo tinha medo. Talvez Harry na verdade fosse um conquistador barato. Talvez ele já houvesse seduzido outros homens além de mulheres.
Afundei a cabeça no travesseiro e tentei dormir, sem sucesso. Devia comer alguma coisa. Havia comida na geladeira. Tudo o que tinha que fazer era esquentá-la. Mas como de praxe, não tinha um pingo de fome. Imaginar Harry enrolado nos lençóis com Candelaria apenas me embrulhou ainda mais o estômago.
Pouco antes da meia-noite, ouvi uma batida na porta. Meu coração disparou quando ouvi a voz de Harry. Assim que a destranquei ele a abriu e entrou sem esperar ser convidado. Olhou para mim por alguns segundos, depois foi até a cozinha e abriu a geladeira.
- Como imaginei. Você não comeu nada... – ele disse com um suspiro.
Tirou a comida da geladeira e a esquentou com um toque da varinha. Depois a colocou na minha frente e mandou que eu a comesse.
Tranquei meu olhar no dele.
- Não banque o espertinho, Malfoy. Precisa comer. – disse, empurrando o prato na minha direção. – A comida está ótima! Devia ao menos experimentar. Garanto que não vai estragar seu paladar requintado.
Dei um sorrisinho.
- Paladar requintado, Potter? Muito engraçado... Não estou duvidando que a comida daqui seja boa. Só não estou com fome.
- Você nunca está, Malfoy. – sua voz continha frustração. – Não interessa que não esteja com fome! Precisa comer! Amanhã vamos para o deserto! Entende o que isso significa?
Fiz uma careta. Quem ele pensava que era? Minha mãe? Dei-lhe as costas.
- Vou comer quando estiver com vontade.
- E isso vai ser quando exatamente?
- Quer parar de bancar a babá? Que droga! – perdi a paciência.
Harry me pegou com força e me virou para encará-lo. Todo o meu corpo transformou-se em gelatina.
- Por que não vai atrás de Candelaria? – rosnei.
Harry arregalou os olhos.
- O que Adana tem a ver com isso?
Tinha tudo a ver. Odiava o quão possessivo eu era. Queria Harry só pra mim. Imaginar que ele partilhara a mesma cama que Gina depois de dormir comigo dilacerava meu coração. Pensar em Harry como o tipo de homem que traía a esposa com qualquer uma também. Até então eu pensara ser especial. Eu havia derrubado as defesas de Harry. Havia feito com que ele me desejasse tanto a ponto de se esquecer que era o modelo de marido perfeito. Se fosse tudo mentira...
- Malfoy! Me responda! O que Adana tem a ver...
- Tem tudo a ver! Aposto que tem uma amante em cada país, não é, Potter? Se a chama pelo primeiro nome com tanta intimidade...
Ele grunhiu algo.
- Está brincando? Eu a chamo de Adana porque todos aqui se chamam pelo primeiro nome. Além disso, nosso Esquadrão já trabalhou junto com o deles diversas vezes. Somos amigos. E daí? Não significa que durmo com ela, pelo amor de Deus! Que tipo de homem você acha que eu sou? Eu sempre fui fiel!
Tentei me soltar dele sem sucesso. Suas mãos me seguravam como garras.
- Sempre Potter? – meus olhos o desafiaram.
Ele finalmente me soltou.
- Não. Não sempre... Infelizmente.
- Agora vai dizer que foi um erro? Depois de todo esse tempo?
- Foi se você vai continuar bancando o babaca ciumento!
Cerrei os punhos.
- Você é que é um babaca! Como acha que eu me sinto com tudo isso?
Ele cruzou os braços.
- Por que não podemos esperar que tudo isso passe pra conversar sobre...
- Porque quero conversar sobre tudo agora! – exigi.
Harry passou as mãos pelos cabelos, seu gesto típico quando estava irritado.
- Por quê? – ele contra-atacou. – Por que quer conversar sobre o que aconteceu? Você age como se fosse a minha mulher, como se tivesse algum direito sobre mim. Não tem direito algum, Malfoy. Foi apenas uma noite.
Era verdade. Eu realmente não tinha nenhum direito sobre ele. Ouvir da boca dele, porém, doía muito mais do que eu imaginara. Para minha total humilhação, senti meus olhos úmidos. Não era um bom sinal. Eu me odiaria se chorasse na frente de Harry.
- Tem razão. – disse tentando parecer confiante. – Então porque não cai fora e me deixa em paz?
Dei-lhe as costas mais uma vez, mas resisti ao impulso de correr para o quarto.
- Não vou enquanto você não comer alguma coisa.
- Pare de fingir que se importa, Potter.
- Não é fingimento, Malfoy. – disse ele friamente. – Foi você quem quis vir nessa viagem, não se esqueça. É bom que pelo menos consiga ficar de pé até o final dela.
Saber que eu era apenas uma ferramenta não havia me ferido tanto no começo. Pelo contrário. Eu havia ficado feliz por saber que alguma coisa me conectava a Harry. Era uma conexão ilusória. Tudo era uma ilusão, e eu era o maior i****a da face da terra. Imaginei se ele havia dormido comigo para ver se eu ficava mais dócil e maleável. Talvez Harry não fosse mesmo esse tipo de cara, mas eu realmente conhecia Harry Potter depois de tanto tempo? O que realmente eu sabia sobre a vida que ele levava agora, ou sobre a pessoa que era?
- Malfoy...
Senti sua respiração em meu pescoço e um arrepio percorreu meu corpo.
Que tudo fosse para o inferno.
Virei num impulso e selei meus lábios nos dele. A surpresa de Harry durou pouco. Pensei que ele fosse se afastar, mas seus braços enlaçaram meu corpo e me trouxeram para mais perto. Deixe-me levar pela sensação de sua língua na minha, explorando cada canto da minha boca. Fui encostado na parede, e cada pedaço do seu corpo se conectou ao meu. O choque do contato me deixou querendo mais e mais.
Audaciosamente acariciei seu m****o intumescido por sobre o jeans. Harry parecia querer explodir. Minha situação não era muito diferente.
- Eu te quero... – sussurrei em seu ouvido.
Harry gemeu conforme a velocidade de minha mão acelerava. Desabotoei seu jeans devagar, tomando cuidado para não machucá-lo.
- Eu te odeio por isso. – eu disse, quando na verdade queria dizer o contrário. – Te odeio por me fazer te desejar tanto.
Harry me beijou novamente, depois desceu o zíper da minha calça. Ficamos nos olhando enquanto nossos membros se tocavam. Mordi o lábio para evitar um gemido, mas foi em vão.
- Então somos dois. – ele sussurrou, e sua mão se fechou no meu m****o e no dele. – Você não tem ideia do quanto eu... Ah...
O movimento que se seguiu começou devagar e ganhou velocidade. Não fechei os olhos mesmo que desejasse fazê-lo. O prazer nos olhos de Harry era intenso e belo demais para perder. Queria me afogar nos olhos verdes. Morrer em seus braços seria a glória.
Minha mão se fechou na dele. Nossas bocas se encontraram num beijo intenso.
- Harry...
Coincidência ou não, mas dizer seu nome sussurrado daquela forma deixou Harry ainda mais agressivo. Meu corpo foi esmagado contra a parede enquanto ele se esfregava em mim. Agarrei-me a ele e nos movemos em sintonia até que nossos corpos estremecessem e gozassem.
Deslizamos para o chão e ficamos abraçados até que nossas respirações voltassem ao normal. Harry tinha os olhos fechados e parecia sentir dor. Fechei os meus também e deitei minha cabeça no seu ombro. Para minha surpresa, Harry me trouxe para mais perto e também deitou a sua cabeça no meu ombro.
Não sei por quanto tempo ficamos daquela forma, dois corpos abraçados a procura do calor um do outro, com medo de encarar a realidade quando nos soltássemos. Só sei que em todos aqueles anos de solidão e tristeza, aquele momento era um bálsamo para minha alma machucada e eu o guardaria no coração para sempre.