Marcel
A paz que eu tanto queria eu encontrei, não em meu mausoléu que estava sendo construído, mas em um jantar simples com duas garotas adoráveis. A primeira é um toquinho de gente, esperta, graciosa, encantadora. m***a!, a garotinha conseguiu me deixar de quatro. Não só ela, a mãe dela também.
— Ela está quase dormindo. — Sonolenta, Carina se aconchegou no colo materno, a boquinha fazendo um o gracioso.
— Me dê ela. — Ofereci os meus braços. A mulher me olhou de forma assustada. — Minha recruta foi nocauteada, você irá assumir o lugar dela com a louça. — Dei um pequeno sorriso. A verdade era que eu não queria que fossem embora. Precisava de mais tempo com as duas.
Letícia olhou primeiro para a filha, depois para mim, e em seguida para a pia e a mesa, uma luz de entendimento se acendeu em seus bonitos olhos.
— Oh! Vou te ajudar com a louça. — Passou-me a filha.
Em todos os meus anos de exército, nada na vida me deixava mais feliz que carregar uma criança. Meus companheiros até tiravam sarro da minha cara, dizendo que quando eu me estabelecesse, teriam pena da mulher, pois eu não daria descanso até ter meu pequeno time de futebol.
Carina esfregou os olhinhos sonolentos enquanto eu desviava das tralhas do aeromodelo que estavam espalhadas pelo chão da sala.
— Marcel…
— Diga, pequena. — Coloquei-a no sofá com cuidado.
— Podemos montar o avião? — Puxei a manta que enfeitava o sofá para cima do seu corpinho.
— Amanhã, baixinha. — Fazendo um biquinho adorável, ela apontou para algum lugar e depois se aconchegou debaixo da manta.
— Queria ver ele voando. — Virando de costas, caiu em um sono profundo. Passei as mãos pelos meus cabelos, desconcertado. O que tinha naquela menina que aflorava todos os meus sentidos de p******o?
— Ela odeia deixar as coisas pela metade. — Debruçada na bancada, Letícia olhava para mim. O calor daqueles olhos me causava pensamentos libidinosos. E fui de um macho protetor a um totalmente e******o em meio segundo. Soltei o ar dos meus pulmões e senti a atmosfera mudando. A mulher devia ter sido afetada também, pois rapidamente correu para fora em busca de segurança.
Assim você só piora as coisas, mocinha!, pensei ao dar passos largos e ir atrás dela. Cheguei à porta e encostei-me ao batente, cruzando os braços e a observando limpar a mesa. O animal dentro de mim gritava para tomá-la em meus braços e beijar aquela boquinha rosa.
— As pessoas costumam dizer que sou sincero demais. — Deliberadamente usei uma voz baixa, como se estivesse diante de um animal amedrontado, e a vi estremecer ao som da minha voz. — Eu quero você. — Letícia levantou a cabeça, arregalando os olhos e escancarando a boca. — Estou malditamente atraído, como nunca estive em muito tempo. — Apreciei o rubor em seu delicado rosto. — Pareço um maldito adolescente diante de uma garota bonita.
— Marcel… — Mordendo o lábio, Letícia deu um passo para trás.
— Desde o primeiro momento em que eu a vi, um desejo enorme de provar essa boca rosadinha se instalou em mim. — A diabinha ainda deu uma mordida no objeto do meu anseio. Meu p*u ganhou vida. — A coisa só foi piorando cada vez mais. Então… — Fechei os olhos para organizar melhor meus pensamentos. Abri os olhos e a encarei, desejoso. — Quero você, nua, embaixo de mim.
— Marcel!… — O gritinho e o quase derrubar de pratos da mão dela me disseram que a tinha chocado com as minhas palavras. — Você é muito sincero mesmo.
–
— Outra coisa que quero esclarecer. A partir de hoje, vou cuidar de Carina enquanto você estiver trabalhando.
— Como é que é? — Letícia colocou os pratos de sua mão em cima da mesa. A louça balançava em suas mãos.
— Tem uma mulher que vem e quase sempre fica o dia todo no telefone falando com o i****a do namorado. — Revirei os olhos, consternado. — Quando não o traz para dentro da sua casa. — Levantei a mão para impedir que se pronunciasse. — A outra doida fica chamando a pequena de demônio. — Cerrei as mãos quando disse isso, a vontade de quebrar algo voltando. — — Sorri. — Então pare de gastar dinheiro à toa, e me deixa fazer o que já faço.
Letícia abriu e fechou a boca várias vezes antes de finalmente falar algo:
— Você está se oferecendo para ser babá da minha filha?
Não consegui suprimir a careta ao ouvir o termo babá. Olha o meu tamanho! Não poderia ser considerado assim.
— Eu prefiro o termo guardião. —
Não que eu achasse uma profissão menor, nada disso, cuidar dos filhos dos outros é algo extremamente delicado. Porém, eu sou um cara, né? Queimava meu filme ser chamado de babá.
— Eu não posso pedir para cuidar…
— Como você disse — interrompi —, estou oferecendo os meus serviços de ba… guardião. — Quase enrolei a língua na última palavra. — Trabalhando no exército, obtive todos os níveis de conhecimento para a tarefa. — Comecei a enumerar com as mãos: — Sei cozinhar, ou morreria de fome. Primeiros socorros, todo soldado precisa saber disso, no campo de batalha é viver ou morrer. Sei artes marciais, vários tipos de lutas, então estou completamente qualificado para garantir a segurança da pequena.
“Sei dirigir, lavar e passar roupas. Sou organizado, falo quatro línguas diferentes e o diferencial… — Respirei fundo, estava empenhado em mostrar àquela mulher que eu era mais do que suficiente para cuidar de Carina. Não podia deixar a minha recruta nas mãos de outra desmiolada que não sabia cuidar bem da garotinha. — Não tenho o QI de ameba daquelas duas, consigo manter um diálogo com seu bebê gênio.”
Várias emoções se passaram no rosto da bela mulher à minha frente. Até ela soltar uma sonora gargalhada. Se os sorrisos tímidos dela eram incríveis, nada havia me preparado para sua risada rouca.
— Não posso acreditar. — Limpando uma lágrima no canto do olho e sorvendo uma quantidade de ar, Letícia finalmente disse. — Você realmente está ditando o seu currículo para mim, para uma vaga de babá? — Ela deve ter percebido algo em meu rosto, pois logo consertou a sua fala: — Guardião?
— Você não acha que sou qualificado o suficiente? — A mulher realmente não estava me dando crédito. Para falar a verdade, não a culpava; eu era um grandalhão com um sotaque engraçado e que mais parecia um tanque de guerra. Muitas pessoas já haviam me falado sobre o medo sentido em minha presença. Uma coisa que não podia e nem queria mudar. Em alguns momentos, vinha a calhar. — Ou é preconceito por eu ser um cara querendo uma vaga estritamente feminina?
— Longe disso. — Fechou a cara. — Eu estou em uma profissão em que os homens dominam e sei como é difícil, não sou preconceituosa. — Cruzou os braços fazendo com que seus belos s***s ficassem em evidência. Como eu os queria em minha mão, aposto que seriam deliciosos. Com muito custo, desviei o olhar para seu rosto rosado. — Você deve concordar comigo que ter um homem cuidando de uma garotinha é um pouco…
— Antes que você feche esse seu pensamento — adiantei-me —, devo lhe informar que meu interesse s****l só é despertado pela mãe e não pela filha. — Dei um largo sorriso ao perceber qual era seu verdadeiro medo, um medo justificável. Estamos em um mundo h******l, onde ninguém está seguro dos pervertidos. — Eu adoro lidar com crianças, elas veem o mundo com outros olhos e nos faz acreditar na esperança. — Um pensamento incômodo quis voltar em minha mente, mas afastei-o, focando na mulher à minha frente. — Se você quiser, posso passar o telefone dos meus soldados como referência, para te assegurarem que sei lidar com crianças muito bem.
— Não é isso. E só que… — Deu uma boa olhada em meu corpo, avaliando-o. — Não dá para imaginar você como uma babá. Tá mais para um cara das forças armadas. — Torceu a boca em um meio-sorriso.
— Por isso serei um guardião — bufei contrariado. A mulher estava realmente tirando uma com a minha cara.
— Guardião. — Letícia amarrou os cachos escuros em um coque apertado e minha mente viajou por uns segundos na possibilidade de ela colocar uns óculos e um terninho de menina grande. Bom, isso me causou um t***o inimaginável. — Eu não sabia o que estava acontecendo em minha própria casa. — A tristeza demonstrada em seu semblante fez a minha libido diminuir um grau.
— Você não tem culpa, está fazendo um trabalho incrível com essa menina. — Apontando para trás, prossegui: — Qualquer i****a com meio cérebro é capaz de dizer o quanto a mocinha ali é feliz e saudável.
— Eu realmente aprecio as suas palavras. — Letícia se abraçou, e parecia uma jovem frágil, muito mais jovem do que seus vinte e oito anos. Sim, tinha investigado todo o passado da mulher fascinante.
Não era só Carina que era inteligente, a mãe dela também, a mais jovem advogada de seu escritório, dona de uma invencibilidade nos tribunais que dava inveja a qualquer um. Mãe solo desde que o traste do ex havia simplesmente sumido. Dele não consegui encontrar muita coisa, só que era uma espécie de cientista em uma grande corporação. Pedi para um amigo da inteligência do exército procurar mais sobre ele, sabe como é: mantenha seus amigos perto e seus inimigos ainda mais. Estava começando a ficar obcecado.
— Metade do tempo eu estou perdido com ela, e na outra com medo de errar — suspirou Letícia, denotando derrota no tom de voz.
Dei dois passos em sua direção e a puxei para os meus braços, apertando-a entre eles. Demorou um pouco até ela se sentir à vontade e retribuir. Pousei meu queixo no topo de sua cabeça. Letícia encaixava perfeitamente em mim.
— Você está cuidando perfeitamente dela. Como eu disse, Carina é uma criança feliz, saudável. Criar uma criança não tem certo ou errado. Assim como em um campo de batalha, você precisa avaliar o cenário, agir conforme dá e torcer pelo melhor. Lembre-se: você está lutando sozinha. — No dia que encontrasse o filho da p**a do pai de Carina, daria tanto na cara dele, que no final precisaria de uma espátula para desgrudar sua face da minha mão.
— Que espécie de mãe eu sou, que vou torcer pelo melhor? — Erguendo a cabeça, encarou-me. Sua fragilidade despertava outra coisa dentro de mim, meu lado protetor, queria proteger as duas. E esse era um sentimento comum que crescia a cada dia quando se tratava das duas.
— Aquela humana, saca?! Então, vai me aceitar como babá? — Ela pensou por alguns segundos e balançou a cabeça de modo afirmativamente. — Bom, agora eu vou te beijar.
Sei lá o que eu esperava quando pensava naquela boquinha linda, porém nada me preparou para a maravilha que era beijá-la. Sentir o gosto doce do pudim e o delicioso sabor só dela fez meu corpo estremecer. Logo ela retribuiu com vigor. Seus dedos agarraram as costas da minha camiseta. Mergulhei minhas mãos em suas curvas exuberantes, louco para apertar aquela deliciosa b***a, porém, fui devagar, respeitoso.
— Marcel. — O gemido rouco dela não contribuiu em nada para fazer com que meu corpo se acalmasse.
— Eu realmente quero você nua sob mim. — Olhei em seus olhos lindos, que refletiam o desejo estampado nos meus. — Mas não vou te pressionar. — Dei um selinho em seus lábios e a soltei, virando-me para pegar os pratos na mesa.
— Marcel… — chamou, e a olhei. Boca inchada, rosto corado e simplesmente linda. — Eu quero estar nua embaixo de você. — Por um minuto eu quase não acreditei nos meus ouvidos, a voz dela não passava de um sussurro. Mordendo o lábio carnudo e se balançando em seus pés, era a coisa mais linda. Deixei os pratos sobre a mesa e ofereci minha mão a ela.