Saimon
Algumas semanas se passaram e eu finalmente comecei a colocar Sophia em ação. Ela estava pronta para a próxima fase do treinamento. Coloquei ela para lutar contra alguns dos nossos homens e, como eu esperava, ela não tinha sido treinada para apanhar. Um dos caras foi para cima dela com uma faca, mas ela foi rápida, tirou a faca da mão dele e ainda o feriu na mão. O cara saiu gritando, mas ela não hesitou. Eu a observava, em silêncio, atrás de um vidro preto, acompanhado de Antônio.
— Fez seu trabalho direitinho — Antônio comentou, olhando para mim.
— Eu te avisei que não entrei nisso para brincar. Fui sério desde o começo. Sophia é minha garota, e a moldei do jeito que eu queria. Ela confia em mim — respondi, observando-a de perto.
Sophia
Meu corpo ainda estava dolorido pela recuperação da cirurgia. Olhei no espelho e vi que as marcas antigas haviam desaparecido. A cirurgia foi agressiva, e a dor ainda persistia. A sensação de tudo o que havia acontecido parecia surreal.
— Como você está se sentindo? — Saimon entrou no meu quarto, com aquele tom que sempre misturava cuidado e controle. — Você deveria estar deitada, não em pé.
— Eu só fui ao banheiro — respondi, tentando esconder a dor.
— Deita logo — ele disse, seu tom de comando deixando claro que não era para discutir. — Vou passar a pomada hidratante em você. Tira a roupa.
Assenti e me aproximei da cama. Tirei o roupão e a camisola, ficando nua na sua frente, antes de me deitar com dificuldade, de barriga para baixo. Fazia meses que Saimon me tinha trazido para dentro de sua casa, me dando uma chance de viver algo diferente, mas ainda mantendo o treinamento intenso. Ele estava me preparando para algo grande que aconteceria em algumas semanas.
— Você está mais bonita do que antes — ele falou enquanto começava a espalhar o gel frio do hidratante sobre minha pele, fazendo-me suspirar de dor. — Calma, Sophia. Toda dor vale a pena.
Dei um olhar rápido para ele, e o vi focado em seu trabalho, ainda passando a pomada sobre meu corpo. Ele estava sendo cuidadoso, algo raro no nosso mundo. Mas de alguma forma, eu sabia que ele se preocupava comigo, mesmo que seu jeito fosse frio e distante.
— Eu preciso de um remédio para a dor — murmurei, minha voz baixa.
— Por que não pediu para o médico quando ele veio te ver? Ele não me receitou nada — ele perguntou, sempre com aquele olhar inquisitivo, como se estivesse me testando.
— Mostrar minha fraqueza a ele? — retruquei. — Eu só confio em você.
Ele sorriu, satisfeito, e me virou com cuidado, passando o hidratante pelos meus s***s.
— Eu gosto que você confie em mim, Sophia — disse ele, com um sorriso sutil. — Tenho uma grande notícia para te dar.
— Qual? — perguntei, tentando esconder o nervosismo.
— Seu primeiro dia será hoje — respondeu ele. — Preciso de informações sobre a máfia australiana, e você vai conseguir essas informações em uma festa.
— Como você quer que eu faça isso? — perguntei, ainda sem entender completamente.
Ele tirou um anel do bolso e me mostrou.
— Está vendo esse anel? — ele disse. — Dentro dele tem um pó que vai fazer o chefe dormir. Você vai usar isso e acessar o celular dele com esse pen drive. Vai puxar tudo automaticamente. Não se preocupe, eu vou estar com você o tempo todo.
— Como ele se chama? — perguntei.
— George — ele respondeu. — Eles têm negócios com a gente. Antônio e Frederico são filhos dele, e eu preciso saber se o pai deles sabe o que estamos negociando.
— Você acha que eu consigo? — perguntei, com um misto de insegurança e determinação.
— Eu te treinei para isso, não foi? — ele me perguntou, com um olhar fixo. — Todos esses anos, Sophia... Será que você vai me decepcionar agora?
Olhei para ele, com o peito apertado. Eu não queria decepcioná-lo.
— Eu não irei te decepcionar — falei, com firmeza.
— Eu sei que não. Da mesma forma que você confia em mim, eu confio em você — ele respondeu, com uma suavidade que me fez duvidar por um momento se ele estava realmente sendo sincero.
Eu estava nervosa, mas sabia que não tinha escolha. Era a primeira vez que eu estava sendo colocada em ação depois de quatro anos de treinamento intenso. Respirei fundo enquanto ele continuava a passar o hidratante sobre meu corpo. Depois, me levantei e comecei a me arrumar, me preparando para o que seria o primeiro grande passo.
Saimon me ensinou até a me maquiar, a me vestir de forma atraente, a ser envolvente. Eu tremia enquanto passava o batom vermelho, olhando para ele, que estava sentado na cama, observando cada movimento. Queria passar a impressão de estar calma e no controle, mas, na verdade, estava morrendo de nervoso. Eu não queria decepcioná-lo.
Coloquei o vestido vermelho e o salto preto. Quando terminei, ele se aproximou, me entregando o anel.
— Despeje isso no copo quando estiver no quarto com ele — disse ele, sua voz calma, mas com um tom de autoridade. — Seja envolvente, como é comigo todas as noites. Não pode falhar, Sophia.
— Eu não falharei — respondi, com convicção, enquanto colocava o anel no dedo.
Ele me entregou a chave do carro.
— Você lembra como dirigir, não? — perguntou ele, enquanto colocava o celular, o GPS, a arma, o cartão de crédito e o dinheiro na minha bolsa. — A partir de agora, tudo isso é seu. Você pode ter uma vida livre, ir às compras, escolher suas roupas... mas não pode fugir do seu destino.
— Você está falando sério que eu vou ter um carro? — perguntei, ainda incrédula.
— Tudo isso e mais um pouco, desde que as coisas saiam como planejado — ele respondeu. — Aqui está o endereço e a foto de George. Seu nome é Melina, e você será a acompanhante dele. Ele vai te esperar na festa, e a gente se encontra lá. Mas, lembre-se: ninguém pode saber que nos conhecemos.
— Pode deixar — respondi, com firmeza.
Eu entrei no carro, ainda em choque por tudo o que estava acontecendo. Ele havia me dado a chave do carro. Saimon estava me preparando para algo grande, algo que eu ainda não conseguia compreender completamente, mas que, de alguma forma, eu sabia que estava prestes a viver.
Ele tinha me ensinado tudo. Saimon era bom para mim, de uma forma estranha e perigosa.