Cap. 8

560 Palavras
Ruan puxou Bella pelos corredores da mansão, rindo baixinho enquanto ela tentava se manter séria, algo impossível diante da travessura que ambos planejavam. — Prometo que será rápido — disse ele, inclinando-se para sussurrar. — Mas você vai adorar o que preparei. — Ruan, se alguém nos pegar… — começou Bella, mas ele a interrompeu com um sorriso conspirador. — Ninguém vai nos pegar! — assegurou ele, abrindo a porta da cozinha com cuidado. — Veja, a parte proibida do paraíso está aqui. Os dois entraram silenciosamente, e o cheiro de pães, bolos e doces recém-assados os recebeu como um convite irresistível. Bella não resistiu: pegou uma pequena torta de frutas, rindo baixinho, e Ruan a imitou, segurando um pedaço generoso de bolo de chocolate. — Isso é completamente não convencional para damas — comentou Bella, mordendo a torta. — Não me importo — respondeu Ruan, dando uma piscadela. — Quem disse que damas precisam ser convencionais? Entre mordidas e risadas contidas, passaram a tarde conversando sobre tudo e nada, relembrando momentos de infância, inventando histórias absurdas e planejando aventuras que jamais dariam certo na realidade, mas que faziam seus corações dispararem de alegria. Foi quando um som familiar os fez congelar por um instante. Charles, parado na porta, observava a cena. Seu semblante rígido escondia m*l o toque de ciúme que apertava o peito. — Imagino que estejam planejando conquistar a cozinha inteira, não é? — disse ele, o tom seco não escondendo a ponta de possessividade. Ruan deu de ombros, ainda segurando o bolo. — Apenas um pequeno assalto culinário, nada sério, Charlie. — Pequeno? — replicou Charles, os olhos fixos em Bella. — Parece que conspiram juntos. Não acho apropriado, considerando que Bella deveria estar sob minha proteção. Charles conhecia bem o irmão, sabia que ele era impiedoso com as mulheres e temia que Bella caísse em sua armadilha. Bella corou, segurando discretamente a mão de Ruan, tentando suavizar o constrangimento. — Charles, não é nada demais. Só estamos nos divertindo — explicou, a voz leve, mas firme. — Divertindo? — repetiu ele, franzindo as sobrancelhas. — Vocês são totalmente irreverentes. — Um lampejo de preocupação brilhou em seus olhos. — Mas… eu… — engoliu em seco, lembrando-se das últimas palavras do pai dela, Aurélio, no leito de morte: cuidar dela, protegê-la, mantê-la segura. — Eu não posso… não devo… permitir que nada lhe aconteça. Ruan apenas riu, como se Charles fosse um velho : — Relaxa, irmão, ninguém vai se machucar. Charles respirou fundo, tentando afastar o calor no peito, a pontada de ciúme e a confusão dos sentimentos. Mas, por trás da rigidez, cada gesto de Bella com Ruan era como uma faca delicada, lembrando-o de que seu coração teimava em reagir de maneiras que ele não entendia e que não podia permitir. — Continuem — disse, finalmente, dando um passo atrás, o semblante ainda rígido, mas os olhos traindo a inquietação. — Só… tenham cuidado. Bella sorriu discretamente, sabendo que, apesar da bronca disfarçada, Charles se importava mais do que admitiria. E, naquele dia, enquanto os dois continuavam a se divertir, roubando doces e inventando histórias, a lembrança do pai dela e a promessa de proteção dele pairava sobre cada gesto do visconde, um lembrete silencioso de que, apesar de tudo, os corações envolvidos ainda tinham muito a aprender sobre o que realmente sentiam.
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