A casa estava silenciosa, exceto pelo suave tique-taque de relógios espalhados pelos corredores. Bella, ao voltar para seu quarto, sentiu o coração ainda acelerado, lembrando-se do beijo que compartilhara com Charles. Um arrepio percorreu-lhe a espinha, e por um instante fechou os olhos, tentando absorver cada detalhe: a firmeza das mãos dele, o calor do toque, a proximidade que parecia quase perigosa.
Mesmo sob o efeito leve do drink, estava consciente do que havia acontecido. Sorriu sozinha, sentindo-se vulnerável e, ao mesmo tempo, animada. Sabia que Charles nunca se declararia naquela noite, mas o simples fato de terem compartilhado aquele momento a deixava leve, quase flutuando.
Do outro lado da casa, Charles estava acordado, debruçado sobre a varanda de seu quarto, olhando para o lago iluminado pela lua. A brisa fria da noite balançava os cabelos, e cada lembrança do beijo o atormentava e fascinava ao mesmo tempo. Ele respirou fundo, tentando reorganizar os pensamentos, mas era inútil.
“Eu sempre a amei… como uma garotinha,” murmurou para si mesmo, a voz quase inaudível. O que sentia agora era diferente, perturbador. Havia uma intensidade que não conseguia controlar, uma força que desafia suas convicções e a promessa feita ao pai de Bella. Aurélio lhe confiara algo sagrado, e ele não podia permitir que o desejo obscurecesse seu dever. Mas como negar a própria natureza quando cada fibra de seu ser clamava por ela?
Enquanto isso, Bella se acomodava na cama, jogando o travesseiro para o lado e respirando fundo. Uma mistura de excitação e ansiedade não a deixava fechar os olhos. Lembrou-se do jeito que ele a olhara antes de se afastar, o quanto parecia contido, quase dolorido, e sentiu uma pontada de ciúmes discreta, pensando em como seria se ele pudesse olhar para outra dama da mesma forma.
A madrugada avançava, e o silêncio da mansão só era quebrado pelo som distante de passos de Charles na varanda. Ela, incapaz de dormir, levantou-se silenciosamente, puxou o casaco por cima do pijama e foi até à varanda em que ele estava, seu coração disparado. Quando avistou Charles ele estava se apoiado sobre o parapeito, os braços cruzados de forma relaxada, mas os olhos ardendo com inquietação.
— Você deveria estar dormindo — disse ele, a voz baixa, quase um sussurro.
— Eu não consegui — respondeu Bella, aproximando-se com cuidado. — E você… parece que também não. - respondeu ela, aproximando-se devagar, sentindo cada passo como se atravessasse uma ponte entre dois mundos. — A noite… foi tão intensa.
Ele sorriu.
Sem falar mais, Charles inclinou-se levemente, e Bella se aproximou, os olhos fechando instintivamente. Quando seus lábios se tocaram novamente, foi como se tudo ao redor desaparecesse. O beijo começou suave, exploratório, mas rapidamente tornou-se ardente, intenso, exigindo deles cada pedaço de atenção. Ele envolveu a cintura dela com um braço, aproximando-a ainda mais, enquanto a outra mão afagava seus cabelos.
Bella arfou entre os lábios dele, sentindo cada toque, cada pressão, cada calor que se espalhava pelo corpo. — Nunca… nunca fui beijada assim. — confessou ela, a voz quase um sussurro, rouca de desejo. — E não poderia ser melhor…
Charles respondeu com um sorriso contra os lábios dela, deixando escapar uma risada baixa e rouca. — Nunca alguém foi tão… incrível para mim. Nunca.
O beijo prolongou-se, cada instante carregado de intensidade, mas sem pressa, sem precipitação. Era um fogo que queimava e aquecia, que deixava os corações disparados e a respiração curta. Quando finalmente se separaram, Bella apoiou a testa na dele, ofegante, os olhos brilhando sob a luz da lua.
— Diga que foi tão bom para você quanto para mim… — murmurou ela, tentando colocar em palavras o que sentia.
— Você… é perfeita, Bela. - Ele disse segurando seu rosto com cuidado. — Perfeita!
Eles permaneceram por mais alguns instantes, apenas respirando juntos, sentindo o calor do outro e a paz que vinha daquele momento único. Finalmente, Bella sorriu, sentindo-se leve, e Charles devolveu o sorriso, terno, mas carregado de algo que nem ele entendia totalmente.
— Vou voltar — disse ela, afastando-se devagar, ainda segurando a mão dele por alguns segundos.
— Vá, mas… boa noite, Bela — disse Charles, a voz suave, quase um sussurro. — Tenha uma noite tranquila.
— Boa noite, Charles — respondeu ela, o coração ainda acelerado, antes de voltar para a casa, sentindo cada passo como se levasse consigo a lembrança daquele beijo.