Cleide Muniz
Estou tão feliz que, em poucos dias, estaremos morando mais perto do meu menino. Augusto também parece bem empolgado com a nossa mudança. Percebi o quanto ele sentiu a distância, ficando longe do Henrique. Ele também se acostumou com a presença dele aqui, e ver meu filho o considerando como um pai me deixou imensamente feliz. Sei que criei um menino de ouro.
Mas também entendo que ele ainda precisa de nós ao lado dele. Por isso, não pensei duas vezes em me mudar para Miami. Aceitei que o Henrique já conseguia viver sozinho, porque confiei que a Solange iria ficar de olho nele e me avisaria caso houvesse qualquer problema. Até agora, ele está se saindo muito bem, principalmente com o bullying que vinha sofrendo.
Estou tentando fechar a nossa última mala para podermos ir ao aeroporto com tranquilidade. Ontem, a Bia já foi embora com a família. Compramos uma casa no mesmo residencial que ela. Conversamos e achamos que seria melhor assim, porque eu poderia ajudá-la com o Adam, que logo irá chegar. E com os meus planos…
Bom, logo eu e o Augusto também estaremos grávidos de novo, pelo menos é o que espero.
Ouço o som da porta sendo aberta, e os braços fortes do meu lindo marido me envolvem. Seus lábios encostam no meu ombro, e uma sensação deliciosa começa no meu ventre, me deixando úmida enquanto ele me excita.
— Paro ou vou precisar apagar o seu fogo… Já estamos um pouco atrasados. — Ele para de me beijar e olha para o relógio. Até eu me assusto com a hora.
— Céus, Augusto! Já devíamos estar no aeroporto! O Giovanni já chegou? — Ele começa a rir da minha preocupação e apenas balança a cabeça, negando.
Saímos do quarto arrastando a mala. Dou uma última olhada na minha casa… Uma casa que comprei com muito esforço, com o apoio das minhas amigas Bia e Neide. Se não fosse por elas, acho que não teria conseguido chegar a lugar nenhum, depois de tudo o que passei com aquele canalha do James, me machucando e me dizendo que eu não chegaria a lugar algum.
— No que tanto pensa aí, quietinha, Cleide? — A voz de Augusto me tira daquele lugar sóbrio e melancólico onde sempre entro quando me lembro do meu passado.
— No quanto sofri para chegar até aqui. — Fico de frente para ele e coloco a mão em seu peito, por baixo do terno. — E que agora você está me levando para conquistar muito mais, meu amor. — O sorriso dele se abre ainda mais. Passo os braços por sua nuca e o beijo com ternura.
Quem diria que, depois de tantos anos, eu realmente descobriria o amor assim… Nos braços de um homem mais maduro e responsável. Porque a última coisa que meu ex-marido foi, é ser responsável. Nunca o vi cuidar de mim, nem mesmo para que eu pudesse estudar e ir para a faculdade.
Chegou a hora de sair de casa e levantar voo rumo ao desconhecido. Augusto segura minha mão e a beija assim que fechamos a porta da nossa casa, que também se tornou a dele nos últimos meses.
— Preparada, meu amor, para embarcar no novo? — Ele me pergunta enquanto olhamos o motorista guardando nossas malas.
— Mais que pronta, meu amor. — Seguro firme a sua mão e entramos no táxi, rumo ao aeroporto.
Nosso voo teve um pouco de turbulência e, como sou um tanto medrosa e tenho pavor de altura, preferi sentar no corredor. Já o meu companheiro de viagem, que mais parecia um blogueiro, ficou todo feliz na janela: filmou, tirou fotos e fez tudo o que manda o figurino dos bons aventureiros. Já ia postando tudo no nosso grupo de amigos e família.
Quando aterrissamos na Flórida, o dia estava amanhecendo. A primeira coisa que fiz, com toda a tranquilidade, foi agradecer à minha Nossa Senhora por ter nos protegido durante toda a viagem. Agora, precisava avisar ao nosso filho que chegamos bem. Vejo o Augusto indo até os taxistas para pegar o maior carro disponível, porque trouxemos muitas malas. Como o Henrique nos disse que poderia doar as roupas dele, fizemos isso. Deixei todas na capela onde eu costumava ir à missa.
— Alô, filho desnaturado que não mandou uma única mensagem para saber se eu cheguei viva aqui na Flórida! — Ouço a risada gostosa do meu filho do outro lado da linha.
— Bênção, mãe… Eu não mandei mensagem porque ainda nem são cinco da manhã, ou seja, ainda é de madrugada. Mas já que você ligou, sei que está viva. Posso voltar a dormir? — Onde foi que errei na criação desse menino?
— Foi essa a educação que eu te dei, Henrique Muniz? — Acho que agora ele percebeu que quero um pouco mais de atenção.
— Desculpa, mamãe. Mas fui dormir tarde ontem, e daqui a pouco já preciso levantar. Tenho prova hoje e m*l consegui entender a matéria… — Ouço-o bocejar e fico com o peso na consciência por ter acordado ele tão cedo.
— Meu amor, me desculpa. Então, volte a dormir. Você vai conseguir vir nos visitar? — Ele confirma, quase dormindo de novo. Ouço apenas o ronco dele e encerro a ligação.
Augusto se aproxima e me chama para entrar no táxi e irmos em direção à nossa nova casa, aquela que vimos apenas por videochamada e que agora conheceremos pessoalmente. Conto para ele que liguei para o nosso filho, e ele também briga comigo, dizendo que, mesmo com o dia começando a clarear, ainda é muito cedo. m*l são quatro da manhã. Isso explica o meu cansaço.
O caminho até nossa nova casa não é tão longo quanto eu imaginava. Me surpreendi com o tamanho da casa…
Casa? Não, isso é uma mansão! Porque ela é enorme. Pelo computador, parecia bem menor.
Quando chegamos, uma moça desce do carro com a maior cara de sono. Pedimos desculpas por tê-la tirado da cama tão cedo. Ela dá um pequeno sorriso e pedimos que fosse nossa fotógrafa naquele momento especial. Nos posicionamos na frente da nossa nova casa, e ela sorri enquanto tira a foto. Depois, me entrega o celular, as chaves, os códigos de segurança e até um espumante para comemorarmos a compra. Nos despedimos e ela vai embora.
— Vou postar no nosso grupo. Assim, quando eles acordarem, já vêm trazendo café para a gente. — Augusto começa a rir, me vira de frente para ele e, em poucos segundos, estou em seu colo, rindo da minha própria reação de surpresa.
— A tradição manda que eu carregue a minha esposa pela soleira da porta quando entrarmos na nossa nova casa. — Beijo o rosto dele e fixo meus olhos nos dele.
— Só existe um pequeno problema nessa sua tradição, meu amor. Não somos casados. E, muito menos, noivos. — Ele para no meio do passo, antes de cruzar a porta.
— Ah, meu amor… Não seja por isso. — Ele se ajoelha na minha frente, puxa uma caixinha de veludo vermelho e a abre, revelando um anel com uma pequena pedra. Meu coração dispara ao vê-lo ali, todo romântico e dedicado.
— Cleide! Eu não tenho adjetivos suficientes para dizer o quanto você é maravilhosa. A melhor mãe para o Henrique. Me sinto muito orgulhoso em dizer que o considero meu filho e prometo fazer o possível para que ele tenha uma carreira brilhante, se realmente quiser ser advogado. — Ele parece nervoso, e seus olhos estão cheios de lágrimas. — Cleide, eu prometo ser o melhor que puder para você. Ser atencioso, amoroso. Prometo que, mesmo quando estivermos brigados, você continuará sendo a minha prioridade. Prometo que nossa família terá toda a minha dedicação. Então, minha querida, você aceita ser a minha amada esposa?
Não consegui ficar ali parada. Igual a uma adolescente emocionada, caí nos braços do meu agora noivo e futuro marido. Fomos então surpreendidos por nossos amigos, que estavam dentro da nossa casa. Mas quem mais me surpreendeu foi ver o meu filho, com cara de sono, no meio de todos eles.
— Não acredito que você trouxe todos eles, amor? — Continuo enchendo-o de beijinhos, enquanto a Bia me ajuda a ficar de pé. Mostro o meu anel para ela, toda orgulhosa, enquanto o Henrique ajuda o Augusto a se levantar e o abraça com força. Logo depois, ele vem até mim e me dá um beijo.
— Seu moleque, você mentiu para a sua mãe! — Ele se vira para o Augusto e aponta o dedo para ele, rindo.
— Culpa dele… Me fez prometer que não contaria nada. Cheguei ontem à noite e ainda preciso ir embora hoje. Amanhã vou ter uma prova de verdade. — Abraço meu filho com carinho e juntos vamos entrando em casa para comemorar mais uma etapa das nossas vidas.
Antes de entrar completamente, olho em volta e noto um carro parado a certa distância, com algumas pessoas dentro. Acho estranho, principalmente porque ainda é muito cedo. Mas logo minha atenção se desvia quando minha amiga me chama para sentir o pequeno Adam se mexendo.