Eu finalmente me sentia bem novamente. Passada uma semana após me despedir de mamãe, minha perna já havia melhorado assim como todos os hematomas que eu havia feito na queda. Também estava de volta ao campus e mesmo sem poder participar de certas aulas, como dança e interpretação artística, eu ficava na aula vendo os alunos serem guiados pelos professores.
Não vi Josh durante esses dias que se seguiram e todos acharam muito estranho ele ter sumido da forma que sumiu logo após meu acidente, mas eu não poderia fazer muito para ajudar a saber sobre o paradeiro dele a não ser que passasse seu endereço ou número de telefone o qual ele parecia ter só por enfeite já que não me respondia mais.
Soube que ele queria ajudar Olga a descobrir quem havia me empurrado e que havia ameaçado Nathally de morte se ela fosse a culpada, soube também que Dylan chegou a sufocá-la com as mãos, próximo da escola, só parou depois dos conselhos de nossa amiga/policial, mas isso lhe rendeu uma suspensão de algumas semanas que só foi revogada depois de Nathally ter ido falar com a reitora. Eu fiquei aliviada por nenhum dos pais terem visto, pois a mentira que a loira contou funcionou perfeitamente.
Não sei o que seria de Dylan sem seu trabalho na universidade. Ele se sentia tão vivo naquele lugar que se o tivesse perdido por minha culpa, eu jamais me perdoaria.
O senhor Harman não me deixou trabalhar mais, disse que eu só voltaria quando pudesse caminhar sozinha novamente, mas que eu não precisava me preocupar com o salário, pois receberia normalmente. Talvez o senhor H tenha se sentido culpado por tudo, mesmo sabendo que a culpa não havia sido dele. Eu insisti que não era.
As pessoas tendem a ser teimosas quando querem, assim como Dylan que comprou um carro para me levar a aula, pois eu ainda não podia andar. Era até divertido vê-lo preocupada indo me examinar a cada sinal.
Estava ficando difícil esconder nosso relacionamento, ainda mais com minha vontade de querer beijá-lo. Porém eu sempre lembrava que não podia, pois ele era mais velho, era meu professor e poderia ser demitido por conta de tudo isso.
Eu não conseguia entender porque simplesmente existiam regras tão idiotas ao nosso redor. Mesmo assim eu me contive a todo instante.
As aulas duraram pouco nos últimos dias, pois na cidade estava ocorrendo uma série de assassinatos e a universidade foi intimada a liberar os alunos antes das 16hrs da tarde. Eu sempre aguardava no carro até que Dylan terminasse seu trabalho e nos levasse para casa.
Os professores se reuniam para uma rápida discussão sobre os eventos ocorridos durante o dia e isso durava muito tempo, com isso eu esperava muito tempo também.
Aguardar no carro era um saco, mas eu estava hospedada na casa do professor e com meus hematomas ardendo ainda, não conseguia fazer certas coisas sozinha.
Eu pensava seriamente em vender o meu duplex já que o meu par não queria ficar longe de mim e nem dormir sozinho, era até fofo a forma que eu era tratada por alguém que eu conhecia a tão pouco tempo, mas pensei muito e sempre conclui que nosso relacionamento estava indo rápido demais.
O fim de semana chegou rápido demais e o frio também. Miami era complicada de se entender, o verão era tão quente que poderíamos fritar um ovo no asfalto se o deixasse lá por dois minutos, já o inferno era tão gelado que criava geleiras em nosso rosto se ficássemos os mesmo dois minutos na rua. Por sorte eu me encontrava envolvida em um edredom marrom nos braços do meu professor enquanto assistiamos um filme qualquer pela tv a cabo.
O vento frio invadiu a coberta fazendo-me tremer e apertar o corpo quente de Dylan para me esquentar ainda mais.
— Ohh minha bebê. Está tremendo de frio, olha. Vou ligar o ar condicionado para esquentar você. — Fiz uma careta e o apertei mais forte. O que lhe fez rir e me abraçar de um jeito gostoso. — Querida, vai ficar mais quente.
— Eu sei de algo que vai esquentar muito mais do que um simples ar condicionado. — Dylan franziu o cenho e analisou meu rosto para se certificar de que meu olhar era desejoso e sapeca.
— Camila! — Ele se levantou me deixando tombar no sofá em resmungo. Quis rir, mas Dylan parecia sério demais para aquilo, era estranho vê-lo fugir de mim
— Que foi? Eu estou te desejando, então vem cá, vem.
Ele girou o botão branco preso na parede deixando um som de vento percorreu a casa e o ar abafado preencher o ambiente.
— O que aconteceu com a Camila fofinha e tímida?
— Ela foi dar uma volta. Volta aqui vai. — Bati a mão no sofá e Dylan demonstrou um olhar de surpresa. — Eu estou pegando fogo, meu bem.
— Mas estava com frio agora pouco. — Revirei os olhos. Desde meu acidente na escada o professor se recusava a me tocar falando que estava com medo de machucar, mas aquilo já tinha me cansado, pois eu o queria loucamente. Dylan ergueu as mãos como se estivesse sendo rendido por policiais. — Para Camila, nós não vamos t*****r.
— Isso não é justo.
Bufei, deitei-me no sofá voltando os olhos para a televisão demonstrando toda minha indignação. Ouvi a risada de longe e enquanto eu assistia a perseguição de carro na tv pude sentir meu corpo ser erguido levemente. Dylan sentou-se ali me aninhando em seus braços deixando-me mais quente. m*l sabia ele que aquilo era o que me dava um desejo louco de rasgar sua blusa e… nossa eu estava queimando por dentro
— Assim que você melhorar faremos o que você quiser, pequena.
— Mas eu já melhorei.
— Não cem por cento. — Suas mãos deslizaram por meu corpo e pousaram em minhas coxas fazendo um gemido leve escapar dos meus lábios, ele pressionou minha perna ferida na queda me fazendo soltar outro gemido, foi então que percebi ser de dor e não prazer. — Viu só, ferida. Então eu não vou te machucar.
— Eu odeio sua cordialidade. — Sussurrei e ele sorriu abertamente. Dei outro suspiro aceitando sua condição. — Vamos ver outro filme então?
Ele assentiu pegando o controle e mudando de canal em busca da nossa próxima distração, aconcheguei-me em seu peito deixando que o calor do ar aquecesse nosso corpo.
Confesso que eu havia ficado chateada, mas Dylan estava sendo tão fofo ao cuidar de mim que nem me deixava odiá-lo por muito tempo. Nesse instante quebrei outra regra, pois percebi que já estava começando a aceitar meus sentimentos por ele.
Eu estava quase no ponto de dizer o que aquilo havia se tornado de fato e do jeito que ele cuidava de mim, só me fazia sentir vontade de corresponder da forma certa.
Será que essa outra regra também estava quebrando?