Regra número 18

1279 Palavras
Acredito que minha mente parou de funcionar, no minuto em que ouvi meu pai xingar Dylan de filha p**a. Dessa vez eu que havia batido a mão na mesa e gritado " o que?!". Fazia cinco minutos que tanto meu pai quanto minha mãe gritavam falando que aquilo era impossível e que eu estava doente. Claro que só começaram a briga após mandarem Sofi para seu quarto. Minha pobre irmã bateu o pé chateada enquanto meu pai estava irritado demais e a assustou com isso fazendo-a correr. Minha pobre irmã saiu para fora da sala de jantar chorosa e então os gritos começaram. Pareciam animais lutando pelo seu território de tão furiosos, houve momentos em que Dylan tentou intervir, mas era interrompido por um dos dois e eu me controlava para não perder a cabeça indo embora. Tentei acalmá-los e ter uma conversa humana, mas ali estava difícil. E quando Dylan iniciava uma fala sobre seus sentimentos, meu pai gritava ainda mais até finalmente dizer algo que fez meu sangue ferver como carvão em brasa. — Suas idiotices levaram minha filha para essa vida! Você é vagabundo que molestou uma criança! — Cala a boca! — Gritei na direção do homem que ajudou a me dar vida, isso o fez me olhar surpreso e furioso. — Você não tem o direito de insultá-lo dessa forma! Devia se envergonhar dos seus atos! Vocês dois deveriam! — Olha aqui menina! — Minha mãe interveio, mas logo a cortei. — Olhe aqui você! Toda a minha vida vocês me ensinaram a não julgar ninguém seja lá qual problema a pessoa tenha ou como ela seja. Agora estão me insultando e fazendo a mesma coisa com a pessoa que escolhi trazer aqui para conhecerem?! — Não é a mesma coisa. Você está com o demônio no corpo, só pode ser. Esse homem está te controlando de alguma forma, isso é uma doença! — As palavras do meu pai me surpreenderam. Eu nunca havia visto esse lado de nenhum dos dois. — Camila acho melhor eu ir embora. — Isso é uma conversa em família! Seria otimo se fosse mesmo! — gritaram meus pais em coro. — Não! É melhor nós irmos embora juntos, então. Puxei o pulso de Dylan e o arrastei para o corredor enquanto ouvia meus pais correrem atrás de nós. Ao chegarmos na sala de estar, eu agradeci por não ter tirado as malas do carro ainda. Lembrei-me que meus pais estavam tão felizes com minha chegada que pediram para que entrássemos e pegássemos as coisas depois. Talvez fosse os céus nos preparando para a partida. — Camila! Você não vai a lugar algum! É minha filha e ficará nesta casa, não irá mais para essa escolar de perdição! — Meu pai surgiu atrás de nós, empurrou Dylan para o lado e segurou meus ombros tentando me impedir de sair. Sacodi meu corpo para me livrar das suas mãos ácidas. — Eu faço o que bem entendo, sou dona do meu próprio nariz, se lembra? Sou maior de idade, uma adulta e agora eu faço o que quero. Não me tornei p********a ou vendedora de drogas, apenas me apaixonei por alguém que me dá aula. Outro adulto. Isso é errado? — Eu sinto muito… Não quis estragar nada entre vocês. Eu a amo. — Cale a boca, garoto! Saia de minha casa! — Gritou minha mãe vindo entrar no meio de tudo. — Camila, você saiu de meu ventre fará o que estou mandando! — Não fale assim com ele! Ele não é nenhuma criança! É mais adulto do que vocês dois juntos! — Dylan se tornou alguém irritado e isso era difícil de se ver. De repente ele estava me defendendo. — Você é uma aberração! Camila não será! Vi os olhos de Dylan se encherem de lágrimas e aquilo destruiu toda minha alma. Isso me fez pensar em como eu tinha sido criada por um homem tão nojento, pois nenhum deles não viam a dor que causavam a outra pessoa. Não viam o quanto estavam sendo imaturos e nem se colocando em seus devidos lugares. Ergui a cabeça e abri a porta pesada para poder partir de uma vez por todas. Entrelacei meus dedos aos de Dylan e encarei aqueles dois com minha melhor expressão de fúria. — Sinto muito, então. Porque eu amo essa pessoa que vocês chamam de aberração. — Se cruzar esta porta e continuar com essa loucura. Pode esquecer que é parte desta família. Pode esquecer do meu dinheiro te ajudando e pode esquecer de me pedir socorro quando isso te deixar sozinha no mundo. Não pensei duas vezes e mesmo com as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, eu saí pela porta ouvindo meu pai gritar meu nome com voz autoritária. Senti algo pesado em minha cintura e olhei para baixo naquele instante vendo os braços meigos me apertando. Sofi estava envolvida em mim com seus olhos molhados. O vestido de cetim rosa balançou com a brisa fria assim como suas madeixas longas e onduladas. Segurei seus ombros com firmeza após me virar para ela e apertei à região o mais forte que pude. Ela havia ouvido toda a discussão e agora estava ali me olhando tristonha. — Eu não ele aberração. Fico feliz em te ver bem com alguém. — Ela sussurrou em. Logo a puxaram de meus dedos. Meu pai com seu orgulho e******o sempre se metendo em tudo. Ele olhou o homem ao meu lado de cima para baixo e eu respirei fundo. — Escolha pelo menos sua irmã no lugar desse aí. Meu coração se apertou, porque ele estava fazendo aquilo comigo para tentar colocar Sofia contra mim. Ele queria me despedaçar como sempre fazia quando queria algo e ele sempre conseguia o que queria. — Vai com ele, Camz. Eu vou ficar bem, vou te visitar quando crescer. Prometo. — A voz de Sofi me fez sorrir. Aquela criança era muito esperta e tão gentil que eu queria que pelo menos um deles me entendesse como ela. Mesmo que eu amasse demais minha irmã, mesmo que aquilo estivesse nos separando por um tempo e me ferindo, eu queria ficar com Dylan e se para isso eu tivesse que sofrer eu sofreria. Senti a mão quente do meu professor tocar a minha. — Não quero que seja assim, Camila. Eles não me aceitaram e vão se afastar de você. Não quero que fique sem família por minha causa. Abraçei-o forte, como se fosse o último de minha vida. Alisei seus cabelos e sussurrei em seus ouvidos. — Podemos construir uma família também. Ela apertou meus quadris em um abraço cheio de receio, seus olhos triste notaram que os meus estavam repletos de esperanças e acredito que isso o deu forças, pois Dylan me carregou até o carro alugado. Depois que já havíamos entrado, enquanto meu pai ainda gritava do lado de fora, o professor me perguntou se eu tinha certeza antes de ligar o motor e eu apenas assenti com toda à positividade que pude. Partimos dali deixando os três nos observar ir embora. Deixei que todas as lágrimas presas em mim se soltarem durante o caminho de volta, se misturando a aquelas que haviam escapado e secado durante a briga. Recostei-me na janela do automóvel e me esvai em pequenas gotículas escorrendo dos meus olhos para minhas bochechas. Eu sabia que eles reagiriam com um certo espanto, mas nunca achei que seria assim. Agora eu conhecia a verdade sobre meus pais. Eles eram repugnantes e eu não queria fazer parte de uma família assim. Fechei meus olhos e me embalei no sono enquanto seguíamos de volta para o aeroporto…
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