Regra número 11

2042 Palavras
Acordei com a luz do sol invadindo meu rosto tentando penetrar meus olhos, afundei no travesseiro para afastar aquela sensação e senti o delicioso cheiro de J'adore Dior. Recordo-me que aquele perfume também estava em toda parte do restaurante que tinha ido na noite anterior e me lembrar dessa noite me fez deixar o riso bobo escapar. Apertei o travesseiro enquanto me deixava embalar pelas lembranças e com isso notei que aquele objeto era maior do que o normal. Alisei o rosto sentindo a textura diferente dele e cheguei à conclusão de que aquilo não era um travesseiro. Abri os olhos para entender o que acontecia à minha volta e minha visão foi iluminada. Lá estava meu travesseiro respirando lentamente enquanto dormia. Dylan me envolvia em seus braços e meu rosto estava na do seu pescoço. Abracei-o forte sentindo seu perfume penetrar minhas narinas mais uma vez. Era uma manhã fria e me aconchegar nos braços dele me deixava quentinha. Senti sua respiração mais forte e seu abraço mais apertado, aquilo indicou que ele estava acordando. — Dylan? — Xiiu, volta a dormir. — Ele me apertou e cheirou meu cabelo. — Acho que daqui a pouco eu tenho aula. — Sussurrei. — Tem não, você está dodói. — ri e dei um beijo no queixo dele fazendo-o estremecer. — Para. — Você não tem que trabalhar? — Ai sua estraga prazeres. — Dylan sentou-se na cama se espreguiçando. Notei que ele usava um blusão branco e eu a camisa xadrez que sempre via em seu corpo. Era maior do que eu, com o cheiro dele e isso me confortou. — Vou fazer o café. — Não. — Puxei-o para mim, fazendo-o deitar-se e prendi seu corpo na cama sentando-me em seus quadris com as pernas separadas. Dylan apoiou suas mãos em meus quadris. — Eu vou fazer. Ele me abraçou e ergueu seu corpo ligeiramente para colar seus lábios nos meus. Penso que era para me convencer a não levantar, mas me apressei e levantei da cama correndo para a porta. Dylan fazia tudo para mim e já estava mais do que na hora de minha pessoa retribuir. Cheguei na cozinha e fui explorar sua geladeira, diferente da minha a dele estava farta e meus olhos brilharam ao ver que ele tinha todos os ingredientes para uma panqueca. Não demorou para eu ter a massa pronta despejada na frigideira com algumas gotas de óleo. Era uma massa simples e as panquecas ficaram prontas em um piscar de olhos. Ouvi passos do chinelo chegando até a cozinha e olhei para o corredor vendo meu professor surgir dele com um lindo sorriso no rosto. Continuei meu trabalho enquanto ela se aproximava, pensei que Dylan se sentaria no balcão como eu fazia enquanto ele cozinhava, mas não, ele invadiu a cozinha caminhando até mim e segurou minha cintura firmemente impulsionando meu corpo a subir na bancada. — Você preparando o meu café, com minha blusa e esse cheirinho de ontem saindo de seu corpo é a coisa mais sexy que posso ver de manhã. — Dylan. — O repreendi e ele fez um som nasal parecendo não ligar para aquilo e em seguida deu uma deliciosa mordida em meu pescoço. — Assim vou queimar a panqueca. — Só uma a menos — ele brincou e tentei empurrá-lo. — Mas a cozinha vai feder a comida queimada por uma semana. — Ele esticou seu braço até o Cooktop para desligar o fogo, apertou minha cintura contra seu corpo para que eu sentisse o desejo entre suas pernas e voltou a me beijar o pescoço. — Professor… — Isso, acaba com meu juízo. — Ele falou colocando seus dedos por dentro da minha roupa. — Falta duas horas para sairmos bebê, quero você. — Dylan. Era tarde, os lábios dele já haviam cortado o caminho até os meus e ardiam em um beijo calmo e terno. A boca do professor escorregou pelo meu pescoço fazendo as borbulhas voltarem em meu estômago me deixando totalmente entorpecida. Senti o cheiro estranho inundar a cozinha, como se algo estivesse queimando, por um momento achei que eu e ele colocaríamos fogo na casa, mas logo me lembrei o que estava queimando e pensei que fosse fruto da minha imaginação, pois me recordava de termos apagado o fogo. Quando tentei me embalar outra vez nos beijos do professor o cheiro de tornou mais forte me fazendo sair totalmente do transe e empurrar Dylan. — A panqueca! — Gritei e ele riu me soltando. Percebi que ele não havia apagado completamente e isso fez o fogo aumentar queimando mais rápido à massa. Dylan retirou a frigideira do fogão jogando-a na pia e pagou de vez o fogão. À última panqueca havia virado uma rodela de carvão e eu queria m***r meu professor por isso. Desci da pia e joguei aquilo no lixo, pensando que pelo menos era a última. O professor sentou-se à mesa e eu ajeitei-a com nosso café da manhã. Depois de tudo estar arrumado, fui puxada para o colo do moreno e tomamos café juntos brincando entre uma mordida e outra. Cheguei à escola antes do meu professor. Eu havia corrido para me trocar em casa e sai sem avisá-lo quando vi que já tinha passado do horário. Acreditei que ele já estivesse no caminho para dar sua aula, mas ao chegar no campus e não achá-lo, entendi que ele não estava lá ainda. Fechei os olhos ao pensar que levaria uma bronca mais tarde. Os alunos se encontravam no gramado do prédio esperando o sinal tocar, todos distraídos durante as conversas soltas. Ouvi meu nome ser chamado por uma voz masculina e reconheci o dono dela, caminhei até meu amigo rodeado de subalternos, como sempre, dando-lhe um pequeno sorriso. O jornalista do campus era uma das pessoas mais populares daquele lugar, pois por saber tudo de primeira mão era perseguido por todos. Ele usava roupas claras naquele dia. Uma calça jeans rasgada na perna como se ele tivesse levado um tiro e a costumeira regata de academia. Seus tênis eram pretos dando destaque ao look do garoto, um estilo mais despojado. Ao ver-me aproximar ele sorriu e abriu caminho entre a roda de pessoas até mim. — E então? — e sussurrou em meu ouvido. — Já virou à senhora Hill? Corei ao ter o sobrenome do nosso professor mencionado e Josh percebeu, deu um leve sorriso demonstrando a satisfação que sentiu ao me ver daquele jeito. O sinal tocou e olhamos na direção do portão onde Dylan surgiu e sorriu para os alunos que o cumprimentaram, ele passou por mim passando seus dedos em minha barriga por cima do vestido lilás de forma discreta, mas aquilo me causou as borbulhas que tanto o desejavam. Tentei me manter em pé com aquilo enquanto o via entrar pelas portas do prédio. Segui o grupo de alunos atrás do professor e caminhamos todos juntos para a aula. O dia correu rápido naquele sábado. Eu já estava na biblioteca arrumando uma das estantes de livros esquecendo-me que não estava ali para trabalhar e sim para pegar um livro. Até estava procurando o livro quando cheguei ao local, mas ver o carrinho abandonado e cheio de livros no corredor me fez pegar o avental para organizar aquela bagunça. Durante meu trabalho fora do expediente acabei achando um livro interessante de capa roxa. Comecei a ler o prólogo da história que me chamou muito a atenção, mas fui interrompida ao ouvir risadas vindo do balcão. Foi então que me lembrei que o senhor Herman deveria estar de folga naquele dia, como eu e à biblioteca era cuidada por algum professor que acreditei não estar lá naquele instante. Então fui até o local das vozes e me deparei com a loira de roupas exatamente caras. Nathally usava uma blusa cheia de lantejoulas e um short cor de pele florido combinando com a bolsa. Seus cabelos ondulados jogados para frente. Ao me ver a loira sorriu abertamente, o que me causou uma desconfiança enorme. Ela retirou o livro da bolsa e o colocou no balcão. — Cami, florzinha, como vai a vida? — A garota que acompanhava a loira parecia assustada, apertava a aba do vestido preto com flores vermelhas e desviava seu olhar do meu. — Bem obrigada. É a devolução? — Sim, minha flor. Aqui. — ela me entregou o cartão da biblioteca com seu nome e foto na frente. Passei o código do pequeno objeto na maquininha e lá surgiu o nome do livro, de Nathally e a data de entrega. — Antes do prazo. Leu rápido até. — Ela sorriu e mexeu no cabelo. — Vai pegar outro? — Ah! — ela olhou em volta. — Não, por enquanto não. Onde está o senhor Herman? — De folga. Não trabalhamos no final de semana. Eu que resolvi arrumar umas coisinhas antes de ir. — Não olhei para a garota, eu digitava o dia da entrega e a hora enquanto conversávamos. Ela estalou a língua e quando terminei devolvi o cartão. — Entendo, bom diga a ele que mandei lembranças. Não sei quando volto aqui. Assenti e as garotas se afastaram, voltando a falar de seu assunto anterior. Desliguei o sistema voltando a terminar de organizar os livros que comecei. Me distraí um pouco com aquilo e ao olhar o relógio já havia passado das dez. Peguei o celular do bolso para avisar Dylan e vi o monte de mensagens dele. [20:19] Cheguei em casa, vou preparar nosso jantar Amor [21:03] São 21hrs. Aconteceu algo? [21:47] Fui até sua casa e chamei por muito tempo, depois fui até a escola e já estava fechada. Por favor, me responde. [22:11] Camila, estou preocupado me responda! [22:35] Vou m***r você quando aparecer. Ri um pouco da preocupação do professor, pois ele parecia nervoso e preocupado nas mensagens mesmo que elas não pudessem dizer com clareza o que ele estava sentindo naquele instante. Decidi que iria acalmar seu coração desesperado e enviei uma mensagem tentando passar o máximo de tranquilidade que poderia. Digitei enquanto caminhava até a janela para me certificar de como o tempo estava do lado de fora. [22:39] Desculpa, perdi a noção do tempo, estou trancando tudo aqui e já vou para casa. O guarda não me viu e acabou fechando as portas, por isso estava tudo fechado. Fechei as janelas depois de sentir o vento abafado soprar em meus cabelos e tranquei os livros clássicos no armário de vidro antigo reforçado com verniz. Fechei as portas pesadas do local as trancando e sempre me certificando de que tudo estava bem fechado para que nenhum aluno engraçadinho invadisse o local para vandalizar ou praticar o que não deveria ali dentro. Tinham muitas reclamações sobre isso na caixa de reclamações e por isso o senhor Herman queria que verificassemos tudo duas ou três vezes. Caminhei até às escadas, após ver que o elevador já havia sido desligado como em todas as noites. As luzes se acendiam a cada passo meu e eu comecei a revirar minha mochila em busca da chave do portão da escola que o senhor Herman havia me dado caso eu passasse da hora na biblioteca e o portão já estivesse trancado. O segurança ficava rondando o prédio, por isso era melhor ter uma chave reserva para não ter que esperar o homem rodar todo o local até voltar. Conforme eu me afastava, as luzes se apagavam deixando o caminho em minhas costas escuro. Cheguei ao fim das escadas e enfiei tudo que havia tirado da mochila novamente dentro dela. Desci os últimos degraus largos até o primeiro andar e nesse instante senti algo empurrar meu corpo me fazendo desequilibrar. Não tive tempo de segurar no corrimão e meu corpo bateu de degrau em degrau causando dor em cada toque rústico que me perfurou. Em outro momento senti minha cabeça se chocar contra o concreto e com isso finalmente parei de cair. Senti algo quente escorrer da minha cabeça e minha visão ficar totalmente turva. A única coisa que consegui ver depois disso foi os sapatos azuis de salto alto correrem para a saída. O peso dos meus olhos não me deixou identificar o agressor e eu apaguei segundos depois.
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