Insistência

1144 Palavras
Chegar ao escritório da Madre superiora foi quase impossível com Paola chorando e irmã Ginevra me enchendo de conselhos de última hora, junto a elas me sinto muito amada, e quase, meu coração acelera com expectativa e ansiedade, sou uma jovem de 24 anos, mas nesse momento me sinto uma garotinha, saber que o meu destino está fora dessas paredes e a esperança de uma vida nova me enche de alegria. Abrir aquela porta pronta para ver vovó Marta com aquele sorriso acolhedor e o seu abraço caloroso, mas me deparo com um homem com quase dois metros de altura e uma cicatriz no seu rosto, me assustei dando passos para trás, então a voz de uma senhorinha me tira do meu pavor momentâneo, me trazendo de volta a realidade. - Aí está ela, venha, minha querida. _ diz vovó Marta entrando no meu campo de visão, então sou recepcionada com o abraço apertado e sorriso tranquilizador. - Oi, vovó, senti a sua falta. _ digo retribuindo, mas com um olhar confuso e interrogativo, ela segurou e minha mão me levando até o grandalhão. - Esse é Hernandez, seu irmão. _ ela diz e o meu coração acelera, fico em choque nunca imaginei que houvesse mais alguém, na minha cabeça surge mil perguntas, sei que o meu pai é um homem mau e por isso passei anos presa neste lugar, mas o que será que esse homem está a fazer aqui? Ele é mau como o meu pai, vai me fazer m*l? - Olá, Margarida, é bom conhecer-te. _ diz apertando minha mão dando um esboço de um sorriso, apenas sorrio sem saber o que dizer. - Que bom ver a família reunida, não é mesmo, mas como estávamos conversando senhor Santiago, acredito que Margarida deva permanecer em nossa ordem, até conversamos sobre isso pela manhã, não é mesmo Margarida? _ diz a Madre, mas estou tão atônita que fico sem saber o que dizer e apenas assinto. - Margarida, minha querida, todas as vezes em que conversamos você nunca me disse que tinha desejo de se tornar freira, não entendo toda essa mudança, é isso mesmo que você quer?. _ diz vovó Marta confusa, eu não sei o que acontece comigo, acredito que o medo está me deixando muda, não consigo responder, meus olhos não saem de Hernandez. - Margarida afeiçoou-se muito as crianças daqui, ela faz o trabalho primoroso com elas e entende que seu dever com está instituição, tem muita fé e devoção ao Senhor, ela sabe que seu lugar é aqui. _ diz a Madre novamente insistindo em me deixar aqui, então começo a negar e Hernandez então faz uma expressão de confusão e enfim abre a boca. - Pode até ser, mas minha irmã não conhece nada além dessas paredes, ela tem uma família que lhe espera, no momento ela vem conosco se futuramente ela decidir que deseja voltar para este lugar, eu mesmo a trarei. _ diz ele autoritário e respirei aliviada. - Mas Senhor, é crucial a permanência de Margarida aqui, aquelas crianças precisam delas... - Não tem mais Madre, a minha irmã vem comigo e ponto final, se ela quiser tanto cuidar de crianças ela pode ter os próprios filhos. - Acredito que você tenha razão Hernandez, mas quero ouvir o que Margarida tem a dizer. Você quer ficar aqui, menina? _ perguntou vovó Marta com um olhar expectante. - Eu... eu... sempre quis viver fora daqui à senhora sabe, apesar de todo o carinho que tenho com essas crianças, sei que aqui não é meu lugar. _ digo encontrando a minha voz novamente e falando com toda a firmeza, olho para Madre que fica pálida. - Senhor Hernandez, não queria dizer isso na frente de Margarida, mas seu pai me deu ordens expressas que Margarida não deve sair por essas portas jamais. _ diz a Madre nervosa. - Martin está morto, agora eu que dou as ordens Madre, lhe afirmo que a minha irmã vai para casa comigo. _ diz se levando com uma autoridade que nunca vi em ninguém na minha vida e a Madre concorda encolhida na sua cadeira, claramente amedrontada. - Venha menina, você lembra-me muito a sua mãe, corajosa, sabia que não iria ficar encolhida. _ diz vovó Marta me puxando para fora, nós seguimos Hernandez que marcha na nossa frente carregando a minha única mala, que nem vi ele pegar. - Ele é mesmo meu irmão? Então por que o nunca conheci? _ perguntei olhando para a vovó que sorriu amorosamente. Martin morreu, seu pai, ele descobriu você no diário dele antes que eu pudesse contar sobre você, na verdade, tinha esperança de primeiro te dar a escolha que agora você não terá, mas fique tranquila vamos te contar toda a história. - Acalme-se, meu filho, ela está bem, agora ela estará em família. _ diz vovó tocando a mão de Hernandez, ele está visivelmente nervoso, me encolho com o seu olhar sobre mim e ele respira fundo. - Não é com você que estou irritado, é com o bastardo do nosso pai, como ele pode te manter distante de todos nós, todos esses anos, negando a sua existência para todos, é uma vergonha. Se soubesse a protegeria como protegi Esther e ela estaria protegida. _ diz bufando de raiva. - Sei disso querida, mas algo muito maior que devo contar a todos vocês, do motivo real dela está aqui tão longe de casa, mas isso será em família, não num carro. _ respondeu ela deixando uma lágrima rolar. - Martin era podre, com certeza tem algo bem feio por trás de tudo isso, não é mesmo? _ perguntou furioso. - Sim, meu querido, mas isso não é coisa que se conta assim. _ diz ela - o meu pai era tão m*l assim? _ pergunto confusa, nunca pensei muito sobre ele, na verdade, vovó só me disse que ele não me queria, que tinha família. - Quando você souber quem ele era, nunca mais você dirá “meu pai” com de bom grado, ele era muito m*l e com certeza a sua presença no outro lado do continente não em vão, se prepare querida estamos indo para Felicidia. - Não pode ser. _ diz assustada ao lembrar-me duma pesquisa que fiz uma vez quando ouvir vovó Marta no telefone com alguém e ela disse essa palavra, pesquisei e me assustei sobre que se diz sobre essa cidade no jornal, o “Cartel mexicano”. - Não tenha medo querida, ninguém nos fará m*l. _ diz vovó me tranquilizando com um abraço. Ao descer do carro chegamos num avião esplêndido e extremamente luxuoso que nos aguardava, esperava um hotel, nunca viajei de avião, sempre quando vovó vinha ficávamos pela Itália, carro, trem e nada mais. - Vamos para casa. _ disse ele me ajudando a sair do carro.
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